Cristália fez fortuna com cloroquina e aposta na polilaminina em 2026
em 5 de março de 2026 às 17:04Cristália, um dos laboratórios farmacêuticos mais conhecidos do país, viu sua receita disparar durante o governo Bolsonaro, especialmente com a venda de cloroquina – um remédio ineficaz para covid-19 – e agora mira os holofotes com sua nova aposta: a polilaminina. As vendas ao governo federal deram um salto de 68% naquele período, consolidando o laboratório como uma potência do setor e alimentando debates acalorados sobre ética, ciência e política. Se você gosta de uma boa mistura entre bastidores médicos e política nacional, continue aqui, pois a história é digna de roteiro de filme.
O nome Cristália ganhou ainda mais destaque por contar com Ogari Pacheco, um empresário com trânsito livre entre lideranças políticas e um histórico controverso envolvendo produtos farmacêuticos e doações milionárias. Enquanto a polilaminina é agora a grande promessa para reverter lesões medulares, o passado “cloroquiner” de Pacheco e a fortuna feita durante a pandemia ainda levantam polêmicas. Veja os detalhes deste capítulo de peso da indústria farmacêutica brasileira.
O que você vai ler neste artigo:
A escalada da Cristália: das vendas de cloroquina à era da polilaminina
Durante os anos de 2019 a 2022, o laboratório Cristália viu seu faturamento com o governo federal saltar para a casa dos R$ 1,4 bilhão, um crescimento impulsionado principalmente pela venda de medicamentos relacionados à covid-19.
Nessa trajetória, a cloroquina ganhou o destaque infame: mesmo sem indicação da Organização Mundial da Saúde para covid-19, a empresa abasteceu o SUS com milhões de unidades do medicamento, aproveitando o momento em que autoridades federais propagandeavam o chamado “kit covid”. Dentro da Cristália, as explicações públicas eram genéricas: o uso fora da bula seria por conta e risco médico. Internamente, o negócio ia de vento em popa — em 2020, o faturamento total saltou para R$ 3 bilhões, de acordo com dados oficiais.
Enquanto isso, o fundador Ogari Pacheco se mantinha no centro das conversas, inclusive após admitir ter usado a própria cloroquina para tratar sua covid. O empresário, que chegou a ocupar a suplência no Senado e doou quantias robustas a campanhas políticas, reforçou a influência da Cristália na interseção entre saúde e poder.
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Polilaminina: a nova promessa (e polêmica) da farmacêutica
Com a redução do interesse em medicamentos como a cloroquina, o laboratório Cristália passou a investir pesado na polilaminina, substância em estágio experimental que promete avanços inéditos para portadores de lesão medular.
Em 2021, a empresa firmou parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coadquirindo a patente da molécula desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio. O laboratório já apostou R$ 100 milhões na produção e em pedidos de patentes nacionais e internacionais. Para bancar a possível produção em escala, Cristália investe em uma nova fábrica em Jaguariúna (SP), mirando na distribuição nacional assim que houver aprovação oficial.
O entusiasmo sobre a polilaminina é tanto que já há decisões judiciais liberando o uso experimental em pacientes pelo país. No entanto, associações médicas ressaltam: os estudos ainda estão em fase inicial e a cautela é palavra de ordem. Mesmo assim, a expectativa é que a substância entre para os grandes debates sobre inovação farmacêutica nos próximos anos, especialmente por reunir apoio tanto do atual governo Lula quanto de líderes da oposição, como Flávio Bolsonaro.
O bastidor político e os holofotes sobre a indústria
No tabuleiro político, a Cristália mostra habilidade de articulação: executivos fizeram doações para diferentes partidos, e Pacheco já foi celebrado tanto por Dilma Rousseff quanto por Bolsonaro e outros líderes regionais. Essa capacidade de diálogo, somada à visibilidade recente da polilaminina, reforça o laboratório como um nome-chave no cenário de inovação em saúde.
Ao passo em que a substância ganha holofotes, entidades científicas como SBPC e ABC pedem mais serenidade e menos exposição midiática, reforçando o peso das evidências científicas antes de qualquer celebração pública. Enquanto isso, a história de sucesso e polêmicas da Cristália segue rendendo assunto e debates nos bastidores.
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No ritmo em que a Cristália navega entre polêmicas e grandes apostas, fica claro que o laboratório se tornou personagem central em discussões sobre ética, ciência e influência política. O caso da polilaminina destaca como a busca por soluções inovadoras pode se misturar com interesses institucionais e expectativas públicas.
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Perguntas frequentes
O que é a polilaminina desenvolvida pela Cristália?
A polilaminina é uma substância experimental que promete avanços no tratamento de lesões medulares e está em fase inicial de pesquisa e testes clínicos.
Por que a venda de cloroquina pelo laboratório Cristália foi controversa?
A cloroquina não tem indicação científica para covid-19, mas foi amplamente vendida para o SUS durante a pandemia incentivada politicamente, gerando debates sobre ética e saúde pública.
Qual o papel de Ogari Pacheco na trajetória da Cristália?
Ogari Pacheco é fundador do laboratório, empresário influente com trânsito na política nacional, envolvido nas vendas de cloroquina e impulsionando investimentos na polilaminina.
Como a Cristália articula sua relação com o governo e a política?
O laboratório realizou doações para diversos partidos e mantém diálogo com lideranças políticas de diferentes espectros, favorecendo sua presença em pautas governamentais.
Quais os cuidados recomendados pelas entidades científicas em relação à polilaminina?
Organizações como SBPC e ABC pedem cautela, enfatizando que os estudos da polilaminina ainda são preliminares e que a exposição midiática deve respeitar as evidências científicas.