Aproximação estratégica: Xi Jinping visita Coreia do Norte e reacende disputa por influência em 2026
em 8 de junho de 2026 às 10:40Em meio a novos capítulos de tensão internacional, o presidente chinês Xi Jinping desembarcou em Pyongyang para sua primeira visita oficial à Coreia do Norte desde 2019. O movimento está virando os holofotes para o xadrez diplomático na Ásia: por trás dos sorrisos e acenos, o real objetivo parece ser a disputa silenciosa pela lealdade do regime norte-coreano, que vem estreitando laços com a Rússia. Especialistas apontam que, mais do que um reencontro entre parceiros históricos, a visita marca a tentativa da China de reequilibrar seu peso sobre Kim Jong Un, diante de uma Pyongyang cada vez mais cortejada pelo Kremlin.
A expectativa era grande quando Xi desembarcou no aeroporto da capital norte-coreana nesta segunda-feira. A visita — celebrada com fanfarra local — evidencia não apenas a retomada dos contatos em alto nível, mas também o desejo de Pequim de evitar perder espaço para Moscou em uma das fronteiras mais voláteis do planeta. Se por décadas o apoio chinês foi vital para a sobrevivência do regime de Kim Jong Un, agora o tabuleiro mudou, e os interesses estão mais fragmentados do que nunca.
O que você vai ler neste artigo:
Corrida pela influência: Pequim reativa laços para conter Moscou
Nos bastidores, há uma preocupação crescente entre diplomatas chineses com a aproximação sem precedentes entre Coreia do Norte e Rússia. Analistas internacionais observam que, após a invasão da Ucrânia, Pyongyang se dispôs a enviar apoio militar a Moscou, incluindo armas e soldados, em troca de combustível e assistência humanitária. Em 2024, a assinatura de um pacto mútuo de defesa evidenciou o novo alinhamento, balançando o equilíbrio na região.
A China, que tradicionalmente via a Coreia do Norte como uma espécie de “tampão” geopolítico, agora teme perder o papel de patrocinador principal de Kim Jong Un. Segundo fontes, Xi Jinping busca reafirmar a presença chinesa sem empurrar o regime para o lado russo, especialmente diante do crescente isolamento de Vladimir Putin no cenário mundial. A movimentação é minuciosa: qualquer deslize pode alimentar ainda mais a aliança de Kim com Moscou — uma equação delicada que faz Pequim medir cada passo.
Gestos e interesses: encontros, acordos e sinais diplomáticos
Não foi por acaso que, no último ano, Pequim intensificou seus gestos de boa vontade. A reabertura da ferrovia de passageiros entre Pequim e Pyongyang e o aumento expressivo no comércio bilateral — que chegou a US$ 2,3 bilhões em 2025 — mostram uma clara tentativa chinesa de puxar o aliado de volta para sua esfera. Xi também fez questão de convidar Kim para uma parada militar, exibindo unidade diante das câmeras de todo o mundo, lado a lado de Putin.
Entretanto, o recado oficial dos encontros foi calculado: nenhum aceno público ao arsenal nuclear norte-coreano, tema que gera desconforto dentro e fora da Ásia. Para Pequim, apoiar abertamente o programa nuclear de Kim só alimentaria a presença dos Estados Unidos e de seus aliados no entorno da Península Coreana — o que está totalmente fora dos planos chineses.
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Clima de desconfiança: aliados por necessidade, não por afinidade
Apesar das demonstrações de cooperação, tanto a China quanto a Coreia do Norte sabem até onde podem confiar. Xi Jinping viu sua autoridade ser esfriada após a execução de um dos principais articuladores da relação com Pequim na era Kim Jong Il, e desde então aposta em uma postura mais pragmática. Kim, por outro lado, aprendeu a dosar o quanto depende ou se afasta do apoio chinês, já tendo chamado Pequim de “traidor” em momentos de crise.
A relação segue marcada por pragmatismo. O líder norte-coreano, que elevou o isolamento de seu país a outro patamar, depende do fluxo de alimentos, energia e moeda vindos de Pequim, mas nunca abre mão de reforçar sua autossuficiência. Para Xi, o cenário ideal é manter Pyongyang na órbita da diplomacia chinesa, mas sem ser arrastado para as consequências dos testes de mísseis e bravatas nucleares que desafiam o Ocidente.
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O equilíbrio permanece frágil, com cada gesto dos dois lados sendo observado atentamente por Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, que reajustam suas estratégias diante das brechas deixadas na relação sino-coreana.
O encontro entre Xi Jinping e Kim Jong Un mostra como a política internacional, especialmente quando envolve atores imprevisíveis como a Coreia do Norte, depende de movimentos precisos para evitar rupturas e manter certa estabilidade num cenário volátil. Para não perder nenhum detalhe sobre o jogo político asiático e as próximas jogadas desse xadrez internacional, inscreva-se em nossa newsletter e receba as melhores fofocas e análises exclusivas direto no seu e-mail.
Perguntas frequentes
Qual a importância da visita de Xi Jinping à Coreia do Norte em 2024?
A visita marca um esforço da China para reafirmar sua influência sobre a Coreia do Norte diante do crescente alinhamento do país com a Rússia.
Como a Coreia do Norte tem se aproximado da Rússia recentemente?
Pyongyang tem apoiado militarmente Moscou, oferecendo armas e soldados em troca de combustível e assistência humanitária, consolidando também um pacto mútuo de defesa.
Por que China vê a Coreia do Norte como um ‘tampão’ geopolítico?
Porque Pyongyang funciona como uma zona de influência estratégica para a China, ajudando a conter o avanço de potências ocidentais e rivalidades na região.
Quais os riscos para a China na aliança entre Coreia do Norte e Rússia?
China teme perder sua posição como patrocinadora principal de Kim Jong Un e prejudicar seu equilíbrio regional, especialmente pelo isolamento crescente de Vladimir Putin.
Como os Estados Unidos e países vizinhos reagem à relação sino-coreana?
Eles monitoram atentamente a relação e ajustam suas estratégias para lidar com as instabilidades geradas pela cooperação entre China e Coreia do Norte na região.