J&F busca novo acordo de leniência com CGU e governo Lula entra em cena em 2025
em 2 de outubro de 2025 às 09:01A movimentação nos bastidores do poder ganhou novo episódio em 2025: a Controladoria-Geral da União (CGU), no governo Lula, abriu negociações com a J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, em busca de um novo acordo de leniência, conforme apurado por fontes próximas. A volta das tratativas reacende a novela das grandes delações empresariais e as tentativas de redesenhar o capítulo mais polêmico da relação entre empresas e Estado desde a Operação Lava Jato.
Os acordos de leniência são conhecidos por permitir que empresas se comprometam a detalhar ilegalidades cometidas, colaborem com as investigações e, em troca, recebam benefícios, como redução de multas ou até isenção de alguns processos administrativos. A batalha da J&F tem como pano de fundo, justamente, o desejo de aliviar as pesadas multas do acordo firmado em 2017 com o Ministério Público Federal, considerado o maior da história, estipulando o pagamento de R$ 10,3 bilhões. O novo movimento junto à CGU pode significar uma tentativa de renegociação desses valores.
Continue lendo para entender as implicações, motivações e possíveis desdobramentos desse novo capítulo da J&F com o governo federal.
O que você vai ler neste artigo:
Negociações de leniência: detalhes sob sigilo e interesses de ambas as partes
Fontes confirmaram que as discussões entre a CGU e a J&F seguiram ativas até janeiro deste ano, mas os termos permanecem sob sigilo, seguindo a prática adotada em casos de leniência. Um ofício assinado pelo secretário de Integridade Privada da CGU reconheceu oficialmente a existência das negociações, apesar do silêncio público das partes. O texto, dirigido ao Ministério Público Federal, enfatiza que “tratamentos de sigilo” são necessários e delimita que a CGU não interfere nos acordos realizados por outros órgãos, sobretudo o MPF.
A possibilidade de um novo acordo levantou ponderações entre observadores do setor. Para muitos, a J&F busca a oportunidade de obter um abatimento sobre o valor já negociado anteriormente, inspirada por casos como o da Odebrecht, que fechou dois acordos separados com órgãos federais e conquistou descontos e condições mais favoráveis.
O contexto político e os bastidores das negociações
A aproximação de Joesley Batista com figuras do governo Lula não é novidade. O empresário esteve presente em agendas internacionais e reuniões de alto escalão que, nos bastidores, têm o potencial de alavancar questões comerciais importantes para o grupo, como a exportação de carne para os Estados Unidos e temas relativos à celulose. As reaproximações políticas, inclusive, já renderam episódios tensos no passado, com Lula chamando Joesley de “canalha” devido a delações. Mas, na política, relações e interesses mudam rapidamente.
Toda essa movimentação dá sinais de que a J&F mantém a disposição de buscar a regularização de sua situação junto ao governo federal, de olho em possíveis benefícios econômicos e na reestruturação da relação com a União, fundamental para os negócios do grupo.
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Impacto das decisões do STF e o reflexo nas negociações
No final de 2023, uma decisão do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal suspendeu a cobrança da multa bilionária do acordo de leniência da J&F e reabriu portas para conversas diretas com a CGU sobre os termos do acordo. Esse movimento, na prática, acirrou o debate sobre os critérios de renegociação e despertou atenção no mercado sobre uma possível “segunda rodada” de refinamento do acordo para empresas que, até então, só negociaram com o Ministério Público.
Já em 2024, o ministro André Mendonça, também do STF, decidiu pela abertura de uma mesa de negociações para as empreiteiras repactuarem seus acordos e buscarem descontos, mas restringiu o benefício àquelas que haviam assinado acordos com órgãos como a AGU ou a CGU. J&F, por ora, permaneceu de fora dessas facilidades e luta para mudar esse cenário.
Esse tabuleiro de decisões judiciais e bastidores políticos reforça a complexidade de acordos dessa magnitude, nascidos de episódios marcantes da operação Lava Jato e com impacto profundo nas estruturas econômica e institucional do país.
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O vai e vem em torno do novo acordo de leniência da J&F deixa claro que o caso está longe de terminar. Ao buscar renegociar seus compromissos financeiros com o governo Lula, o grupo tenta virar a página de uma das fases mais turbulentas da sua história. Resta saber até quando essa novela terá novos capítulos — e como os bastidores do poder seguirão influenciando os rumos das delações e reparações no Brasil.
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Perguntas frequentes
Quais são os benefícios para uma empresa ao firmar um acordo de leniência?
A empresa pode obter redução ou isenção de multas, suspensão de processos administrativos e mitigação de riscos judiciais, desde que colabore efetivamente com as investigações.
Quem participa das negociações de um acordo de leniência?
Normalmente, as negociações envolvem a empresa investigada, a Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e demais órgãos competentes conforme o caso.
Por que os termos dos acordos de leniência são mantidos em sigilo?
O sigilo protege informações sensíveis que podem interferir nas investigações, garantir a eficácia do acordo e preservar a integridade das partes envolvidas.
O que pode levar uma empresa a buscar a renegociação de um acordo de leniência?
Mudanças no cenário político, decisões judiciais favoráveis ou dificuldades financeiras podem motivar a busca por revisão das condições previamente firmadas.
Como as decisões do Supremo Tribunal Federal impactam os acordos de leniência?
Decisões do STF podem suspender multas, abrir espaço para novas negociações e alterar os critérios aplicados para a celebração ou repactuação desses acordos.