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Agricultores cobram governo Lula por atraso em programa de transição do fumo em 2025

Wilson em 26 de setembro de 2025 às 09:01

O tão aguardado relançamento do programa federal de apoio aos fumicultores no Brasil virou motivo de controvérsia em 2025. Agricultores familiares, especialmente das regiões Sul e Nordeste, acusam o governo Lula de paralisar, sem previsão de retomada, o plano nacional que prometia ajudar quem deseja largar o cultivo do tabaco e apostar em alternativas mais rentáveis e sustentáveis. A realidade, porém, é de incerteza e prejuízo para pequenas propriedades, que sem suporte adequado se arriscam e veem o fumo voltar a ser a única saída garantida no campo.

Pioneiros no plantio de tabaco, como Paulo Sérgio Padilha, já falam abertamente em abandonar as terras, descapitalizados após tentativas frustradas de inovar com pomares, milho ou produção de alimentos. O mercado, organizado há décadas pelas fumageiras, mantém o ciclo vicioso: sem comprador fiel para outros cultivos, os produtores ficam reféns da folha. E o poder público, que em 2024 prometeu reerguer o apoio, deixa a classe esperando soluções que nunca chegam.

O fumo como refém do atraso burocrático

O cenário do plantio de fumo no Brasil mudou muito nas últimas duas décadas. O país, líder global na exportação da folha, já teve 236 mil produtores em 2005. Em 2025, o número caiu para cerca de 138 mil, segundo a Afubra. Boa parte dessa redução veio da pressão pública antitabagista e do mercado internacional, somada à busca dos lavradores por outras formas de sobreviver. No entanto, a promessa de políticas públicas que realmente ajudem esses agricultores a migrar para novos cultivos ficou só no papel.

O Programa Nacional de Diversificação de Áreas Cultivadas com Tabaco (PNDACT), política do governo federal criada para amenizar impactos da queda da demanda por cigarro, jamais deslanchou de fato. Em 2024, o Ministério do Desenvolvimento Agrário anunciou a retomada do projeto, mas o processo emperrou. Enquanto isso, o agronegócio do tabaco — organizado em sistemas integrados pelas grandes multinacionais — garante a compra da produção, mesmo com preço baixo, enquanto milho, feijão ou hortaliças são apostas de alto risco, sem compradores na ponta.

Frutas, grãos e dificuldades para ‘vender o novo’

Iniciativas de diversificação não faltam: de pequenos incentivos municipais para plantio de frutíferas na região de Sinimbu (RS) à tentativa de lançar programas em parceria com a indústria do tabaco. O problema é o mesmo relatado por todos: não existe um canal sólido para escoar a produção alternativa. Supermercados locais importam alimentos de longe, enquanto agricultores perdem vendas por falta de estrutura de comercialização.

A dependência da estrutura logística do fumo é tamanha que, sem políticas públicas robustas e assistências técnicas constantes, o agricultor reluta em arriscar. Até iniciativas das próprias empresas do setor, como distribuição de sementes para milho ou feijão, vêm com custos embutidos e pouco apoio para garantir que aquilo realmente vá parar na mesa do consumidor final.

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Soja avança, novas gerações desistem do campo

Os dados do IBGE mostram a transformação do perfil produtivo no interior gaúcho: enquanto o fumo perdeu espaço, a soja avançou e o feijão recuou drasticamente. A chamada “migração dos filhos” ganha força, já que poucos jovens querem herdar o ofício do tabaco diante de incertezas e instabilidade financeira.

Muitos produtores mais velhos, sem energia física para as tarefas desgastantes do fumo, acabam vendendo ou arrendando as terras. O risco, apontam especialistas, é o empobrecimento e concentração fundiária, com a agricultura familiar cedendo terreno ao agronegócio de larga escala.

Mercado global de tabaco em xeque: vapes aceleram crise

Outro desafio bate à porta com força em 2025: a ascensão dos cigarros eletrônicos (vapes) e produtos alternativos de nicotina diminui ainda mais o consumo tradicional da folha. Relatórios de multinacionais como Alliance One e Universal Leaf já apontam que os “produtos livres de fumaça” podem derrubar mais a demanda, aprofundando as incertezas para a economia nas cidades fumicultoras do país.

A falta de comprometimento com políticas públicas de transição pode agravar o cenário nos próximos anos, caso não haja reação urgente do governo federal. Nas palavras de produtores e representantes, a espera por decisões pode custar caro para milhares de famílias — num setor que já foi símbolo de prosperidade e hoje balança à beira do abandono.

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O impasse sobre o programa de saída do plantio de fumo mostra um retrato preocupante para 2025: agricultores seguem presos a um ciclo de dependência e dificuldades, enquanto alternativas seguem pouco viáveis sem presença efetiva do Estado. Para as comunidades rurais, a esperança de mudança depende cada vez mais de um compromisso real do governo para que a diversificação ganhe sentido e garanta renda digna no campo.

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Perguntas frequentes

Quais são as principais dificuldades que os fumicultores enfrentam para diversificar suas culturas?

Os fumicultores enfrentam falta de canais sólidos para comercialização dos novos cultivos, escassez de políticas públicas robustas, alto risco financeiro e ausência de assistências técnicas constantes.

Como a crise do mercado global de tabaco afeta os agricultores brasileiros?

A redução do consumo tradicional devido à popularização dos cigarros eletrônicos e a pressão internacional contra o tabaco diminuem a demanda, causando incertezas econômicas para os produtores e tornando a atividade menos sustentável.

Qual o impacto da falta de apoio do governo na agricultura familiar do fumo?

Sem o suporte governamental adequado, muitas pequenas propriedades enfrentam prejuízos, levando ao abandono das terras, descapitalização dos agricultores e aumento da concentração fundiária pelo agronegócio.

Por que novos produtores rurais têm evitado o cultivo do tabaco?

A instabilidade financeira, as dificuldades na comercialização e o desgaste físico da atividade afastam os jovens, que preferem buscar outras ocupações fora do campo ou culturas mais rentáveis.

Que alternativas de cultivo são consideradas para substituir o plantio de fumo?

Alternativas incluem frutas, milho, feijão e hortaliças, mas enfrentam desafios como falta de compradores fixos, baixa infraestrutura logística e resistência às mudanças.

Wilson

Apaixonado por tudo o que acontece no mundo das celebridades, Wilson é aquele amigo que sempre sabe de um babado antes de sair na mídia. Com um olhar afiado para as últimas tendências da moda e um radar ligado nos bastidores das estrelas, ele mistura informação com entretenimento como ninguém.

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