Empréstimos recordes de Lula abrem alerta: estados e municípios podem entrar no vermelho em 2026
em 1 de fevereiro de 2026 às 16:37O governo Lula bateu recordes: R$ 206,6 bilhões em empréstimos autorizados para estados e municípios nos três primeiros anos de mandato acenderam a luz amarela do equilíbrio fiscal. Nunca antes a União ofereceu tanta garantia para essas operações, levantando a questão: até onde vai o fôlego financeiro dos entes regionais?
Especialistas já veem um filme antigo se repetindo. Com crescimento econômico mais tímido no horizonte, a chance de estados e cidades ficarem no vermelho é real, principalmente a partir de 2026. De um lado, prefeitos e governadores comemoram a injeção de recursos, mas, do outro, cresce o temor de aumento do endividamento e problemas de inadimplência.
O que você vai ler neste artigo:
Crédito farto reacende preocupações com as contas públicas
O cenário atual lembra muito a expansão do crédito durante a gestão Dilma Rousseff, entre 2012 e 2014, quando a liberação desenfreada de empréstimos terminou em crise fiscal, atrasos salariais e calotes nos governos locais. O diferencial agora é o volume ainda mais expressivo dos valores e o reforço das garantias: 83,6% dos novos contratos têm a fiança da União, o que significa que, em caso de calote, a conta bate direto em Brasília.
De acordo com dados recentes, só em 2025, o Tesouro Nacional liberou R$ 85,8 bilhões – 32,4% a mais em relação ao ano anterior. Esse impulso veio acompanhado de um aumento na participação de bancos públicos, com o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES liderando o ranking de financiadores oficiais.
Expansão dos empréstimos impulsionada por receitas voláteis
Os limites para contrair novos créditos cresceram graças ao aumento das transferências federais através das famosas emendas parlamentares, que engordam temporariamente a receita corrente líquida dos estados e municípios. Mas, como se sabe, esse é um dinheiro que depende de contexto político e pode sumir de uma hora para outra, deixando vários gestores em apuros para honrar compromissos futuros.
Enquanto os municípios já estão operando no vermelho desde 2023, a previsão para estados é ainda mais preocupante: muitos devem registrar déficits logo no início de 2026. O ciclo eleitoral, programas de refinanciamento como o Propag e o excesso de operações de crédito devem pressionar ainda mais os gastos.
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Quem são os maiores tomadores e o que dizem os bancos
Desde 2023, 22 estados foram habilitados para novos aportes. São Paulo lidera a lista, com mais de R$ 22,7 bilhões autorizados, seguido pelo Piauí, que surpreendeu com R$ 16,1 bilhões, quase todos já liberados. Gestores afirmam que os recursos são fundamentais para viabilizar investimentos históricos, mas não faltam vozes alertando para os riscos do otimismo fiscal desenfreado.
Bancos públicos garantem que todo contrato tem garantia sólida e rentabilidade. Segundo representantes do BNDES, boa parte do dinheiro foi direcionada a projetos de impacto social e ambiental, com acompanhamento rigoroso. Políticos, por sua vez, celebram o ciclo virtuoso de investimentos, mas a maioria dos analistas pede cautela.
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O que fica claro é que, se o ritmo de endividamento seguir tão acelerado sem uma correspondente elevação de receitas, o Brasil pode reencontrar, muito em breve, um cenário de crise nas finanças estaduais e municipais.
Lula apostou alto na liberação de empréstimos e no fortalecimento das finanças regionais, mas o risco fiscal voltou ao radar dos economistas. Se gostou deste acompanhamento exclusivo sobre os rumos do endividamento no país, não deixe de assinar nossa newsletter para receber as fofoquinhas mais quentes da política e da economia diretamente no seu e-mail.
Perguntas frequentes
Qual o motivo do aumento dos empréstimos para estados e municípios?
O aumento se deve à maior liberação de crédito da União e ao incremento das garantias, com 83,6% dos contratos tendo fiança da União para viabilizar investimentos locais.
Quais os principais riscos desse elevado endividamento?
O principal risco é a falta de equilíbrio fiscal, que pode levar a inadimplência, atrasos salariais e uma crise nas contas públicas estaduais e municipais.
Por que as receitas dos estados e municípios são consideradas voláteis?
Porque parte das receitas decorrem de emendas parlamentares, que dependem de decisões políticas e podem deixar de ser repassadas a qualquer momento.
Como o ciclo eleitoral pode influenciar as finanças dos entes federativos?
Durante ciclos eleitorais, governos tendem a aumentar gastos e contrair mais dívidas, elevando a pressão sobre as contas públicas e o risco fiscal.
Qual o papel dos bancos públicos nessa operação de crédito?
Bancos públicos como Banco do Brasil, Caixa e BNDES lideram o financiamento, garantindo contratos com segurança e direcionando parte dos recursos para projetos sociais e ambientais.