Trump declara guerra ao Brics: tarifas, ameaças e o futuro do dólar em 2025
em 6 de agosto de 2025 às 15:58Em mais um episódio conturbado da política externa dos Estados Unidos, Donald Trump sacudiu o planeta ao impor tarifas pesadas contra países do Brics, mirando especialmente Brasil e Índia. O anúncio deixou claro que o bloco vem incomodando — e muito — o presidente americano, que acusa os parceiros emergentes de formarem uma espécie de ‘clube anti-EUA’ e ameaçarem a supremacia do dólar no comércio global.
Trump, sem economizar nas palavras, classificou o Brics como um grupo que atua contra os interesses norte-americanos. ‘Eles estão tentando destruir o dólar. Não vamos permitir’, disparou o presidente, referindo-se à recente onda de debates sobre alternativas à tradicional moeda norte-americana. Quer saber por que esse embate vem crescendo e como ele pode chacoalhar a economia mundial em 2025? Siga conosco para entender todos os bastidores.
O que você vai ler neste artigo:
Por que o Brics irrita tanto Trump?
A resposta começa pelo peso do bloco no cenário global. Com a entrada de Indonésia, Egito, Irã, Etiópia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e outros, o Brics representa praticamente metade da população mundial e cerca de 40% do PIB global. Não se trata de um clube qualquer: é uma força crescente, que promove reformas no FMI, desafia o Banco Mundial e, acima de tudo, defende uma nova ordem multipolar, distanciada da influência absoluta dos Estados Unidos.
Marta Fernandez, diretora do BRICS Policy Center, destaca que a principal ‘ameaça’ do grupo é o compromisso com uma economia mundial descentralizada. ‘O Brics quer criar mecanismos financeiros próprios e dar poder de negociação aos emergentes’, ressalta. Lucas Leite, da Faap, acrescenta que a capacidade desses países atraírem novos membros e pautarem mudanças incomoda Trump, já que desmonta a velha lógica das negociações centradas no Ocidente. Só nos últimos anos, mais de 40 países manifestaram interesse em aderir ao Brics, incluindo pesos-pesados como Arábia Saudita e Turquia.
A ofensiva contra o dólar
Nessa disputa, o dólar é território sagrado para Washington. As discussões dentro do Brics para aumentar o uso de moedas locais e até criar uma moeda própria acenderam o alerta máximo na Casa Branca. Desde que bancos russos foram afastados do sistema Swift, a busca por alternativas ganhou força, com propostas de plataformas digitais e acordos bilaterais entre membros do bloco. O presidente Lula, inclusive, defende abertamente o comércio sem depender do dólar, reforçando o coro pela independência.
No imaginário de Trump, qualquer tentativa de ‘destronar’ o dólar representa uma ameaça existencial. Ele chegou a chamar os planos do Brics de ‘provocação de guerra’ e prometeu não medir esforços para barrar o avanço desse movimento, seja via tarifas, seja por medidas diplomáticas mais duras.
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Tarifas, Bolsonaro e efeitos colaterais
As tarifas anunciadas por Trump variam de 10% a 50% e miram praticamente toda a lista de parceiros do Brics. Para o Brasil, foram 50% de sobretaxa, enquanto Índia, Etiópia, Egito, Emirados Árabes e a própria China entraram no radar com taxas entre 10% e 30%. Não foi coincidência: o republicano justifica a medida citando tanto o envolvimento desses países no bloco quanto questões políticas, como o julgamento de Jair Bolsonaro no STF.
Segundo analistas, as tarifas são um ‘instrumento de chantagem e dominação’, mas revelam também a estratégia de Trump de isolar membros do Brics e negociar individualmente concessões tarifárias. Especialistas afirmam que, mesmo com a retórica agressiva, o objetivo de Washington é enfraquecer a coesão interna do bloco. No entanto, o cálculo pode sair pela culatra.
O efeito Trump: Brics mais unido?
Há quem aposte que as sanções de Trump tendem a unir ainda mais os emergentes. A ausência de Xi Jinping na última cúpula do Brics, vista por muitos como um gesto à Casa Branca, não esvaziou o debate de alternativas ao sistema financeiro ocidental. Analistas como Lucas Leite avaliam que as ações americanas funcionam como catalisador para a aceleração da integração, abrindo espaço para novos membros e fortalecendo a independência comercial entre os integrantes.
Há, ainda, um movimento de ampliação da influência chinesa, que ganha status de protagonista na construção de uma ordem mais equilibrada, contestando a ‘arrogância imperial’ norte-americana. O Brics, afinal, está longe de recuar. Tudo indica que as provocações de Trump só aceleram a coesão interna do grupo.
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Todo esse embate entre Trump e Brics é mais do que uma guerra tarifária — estamos vendo, de fato, uma disputa por influência global, com o dólar no centro do ringue. E como ficou claro, o bloco não dá sinais de que pretende baixar a guarda.
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Perguntas frequentes
O que é o BRICS e quais países o compõem?
É um grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul que busca maior influência na economia global.
Por que as tarifas ameaçam a supremacia do dólar?
Elas incentivam o uso de moedas locais e discutem uma moeda própria, reduzindo a dependência do sistema financeiro dominado pelo dólar.
Como o Brasil tem buscado alternativas ao dólar nas negociações?
O país ampliou acordos bilaterais em reais e moedas locais com parceiros do bloco e mecanismos de swap cambial.
Quais medidas o governo pode adotar para mitigar o impacto das tarifas?
Diversificar mercados de exportação, negociar reduções tarifárias e fortalecer alianças regionais e multilaterais.
De que forma o fortalecimento do BRICS pode influenciar instituições financeiras globais?
Com mais peso econômico, o bloco pressiona por reformas no FMI e no Banco Mundial, ampliando a representação dos emergentes.