Flávio Bolsonaro perde fôlego em 2026 após escândalos e racha na direita
em 13 de junho de 2026 às 17:40O clima esquentou nos bastidores da corrida presidencial de 2026. Depois de figurar como um dos favoritos e ultrapassar numericamente o presidente Lula em alguns cenários, Flávio Bolsonaro sente o peso dos escândalos recentes e da falta de unidade entre seus aliados mais poderosos. As consequências não tardaram: pesquisas Genial/Quaest apontam queda significativa de Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno, levantando preocupações no comando bolsonarista sobre o rumo da campanha.
Com denúncias de pedidos de financiamento duvidoso e ações diplomáticas mal calculadas, Flávio Bolsonaro agora enfrenta uma resistência velada (e, às vezes, explícita) vindas de Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira. O racha na direita bolsonarista coloca em xeque a força do clã para unir os votos da oposição.
O que você vai ler neste artigo:
Sobretaxas, escândalos e queda nas pesquisas
2026 parecia promissor para Flávio, mas as rachaduras ficaram visíveis quando dois bombardeios abalaram a campanha: de um lado, a revelação de que o senador buscou um aporte financeiro milionário com um empresário envolvido em fraudes para bancar a cinebiografia do pai; de outro, a chegada de novas sobretaxas dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras – logo após um afago público recebido por Flávio durante sua visita à Casa Branca.
Esses episódios não só fragilizaram o discurso anticorrupção, uma das marcas do bolsonarismo, como abriram espaço para o presidente Lula retomar a dianteira. Segundo os últimos números da Genial/Quaest, Lula aparece com 39% das intenções no primeiro turno contra 29% de Flávio. No segundo turno, o petista mantém 44% ante 38% de seu adversário. O baque maior está entre os eleitores independentes: Flávio caiu de 31% para 24% em um mês, enquanto Lula disparou de 29% para 37%. Para quem já esteve tecnicamente empatado — ou até à frente de Lula — esses números acendem o alerta vermelho na campanha.
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Racha exposto entre aliados: Michelle, Tarcísio e Nikolas distantes
Como se não bastasse a queda nas pesquisas, Flávio enfrenta agora um problema estrutural: seus principais aliados lavam as mãos sobre seu projeto presidencial. Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e nome de peso no segmento evangélico, se mantém arredia. Questionada sobre quando passará a atuar na campanha do enteado, ela é lacônica: “No momento certo, com certeza. Agora quem está precisando de apoio, de cuidados, é o meu marido.” Bastidores indicam mágoas com o processo de escolha do candidato e uma sensação de ter sido escanteada após longa dedicação ao PL Mulher. Relações estremecidas ficam ainda mais evidentes diante dos ataques recorrentes dos filhos do ex-presidente — que vez ou outra rotulam Michelle de forma pejorativa nas redes sociais.
Outro nome fundamental, Nikolas Ferreira prefere trilhar seu caminho em vez de se comprometer com a campanha bolsonarista. Ele evita mencionar Flávio nas redes, priorizando causas próprias e construindo seu próprio futuro político. Até Tarcísio de Freitas, sempre listado como possível presidenciável do grupo, decidiu focar no comando paulista, evitando embarcar em disputas nacionais e garantindo distância prudente dos altos índices de rejeição da família Bolsonaro.
Disputa de egos marca o futuro bolsonarista
Com as peças tão importantes da sua base distantes, Flávio Bolsonaro se vê cada vez mais isolado, enquanto o núcleo duro do bolsonarismo parece mais interessado em construir projetos individuais do que unir forças em torno de uma candidatura única. O governador Tarcísio, por exemplo, adotou perfil estadualizado e defendeu abertamente a autonomia da Polícia Civil paulista, mesmo após investigações envolvendo a produtora do filme sobre Jair Bolsonaro. Nikolas Ferreira, por sua vez, pouco se compromete com embates de âmbito presidencial, preferindo manter sua popularidade alta junto ao eleitorado conservador via redes sociais e agendas próprias.
Nesse contexto, o grupo oposicionista parece seguir a lógica da máxima ‘cada um por si’. Como observou uma das amigas próximas de Michelle: “Eles pensam que é só ‘vinde a mim’”. A ausência de coesão ameaça não só o desempenho de Flávio, mas a própria força política do bolsonarismo no pós-Bolsonaro pai.
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A disputa presidencial de 2026 ganha contornos inusitados, com a direita bolsonarista fragmentada e um cenário de incertezas à frente. Se Flávio Bolsonaro vai conseguir reverter esse quadro e reunir antigos aliados é a pergunta de ouro deste momento, enquanto Lula recupera terreno e reforça seu discurso diante de uma oposição enfraquecida.
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