Ex-economista-chefe do FMI aponta riscos de novas intervenções de Trump na América Latina em 2026
em 10 de março de 2026 às 07:58O clima político e econômico internacional ficou ainda mais tenso após as declarações de Maurice Obstfeld, respeitado ex-economista-chefe do FMI. Durante uma entrevista recente, Obstfeld não poupou críticas à postura de Donald Trump, reforçando que o ex-presidente dos EUA é especialista em “arrumar um pretexto para fazer o que quer” – postura que, segundo ele, pode impactar diretamente países como o Brasil. E o alerta é claro: a América Latina segue na mira das estratégias americanas em 2026.
Segundo Obstfeld, o mundo está cada vez mais dividido entre ‘petroestados’ e ‘eletroestados’, o que influencia as decisões de grandes potências e pode acirrar disputas e incertezas econômicas. Está curioso para entender como esse cenário ameaça o Brasil e por que o comportamento de Trump desperta temor em diplomatas e economistas?
O que você vai ler neste artigo:
Petroestados x Eletroestados: a nova divisão de forças no mundo
Obstfeld desenha o novo xadrez internacional com duas peças principais: de um lado países que dependem de combustíveis fósseis para manter sua força econômica; de outro, nações que abraçam as energias limpas como bandeira política e econômica.
No time dos eletroestados, despontam China e União Europeia. Mesmo que ainda utilizem fontes altamente poluentes, esses países investem pesado em soluções de energias renováveis, influenciando fortemente a América Latina. Por sua vez, Estados Unidos, Rússia e as nações do Golfo permanecem firmes no petróleo, movendo suas estratégias globais de olho no domínio dessas matrizes, e, de quebra, colocando em prática políticas que visam conter a influência chinesa no continente americano.
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Trump e as ameaças de intervenção na América Latina
A principal preocupação levantada por Obstfeld é a postura dos EUA, especialmente sob uma liderança trumpista. Os documentos estratégicos recentes do governo americano reforçam a América Latina como “zona de influência exclusiva”, ou seja, para Trump, esse ainda é território prioritário – onde iniciativas estrangeiras são vistas com desconfiança e até mesmo alvo de repressão.
O recado é direto: intervenções podem variar desde medidas econômicas, como tarifas e pressões comerciais, até investidas mais agressivas, inclusive verbais, durante períodos eleitorais. Obstfeld sustenta que o risco para o Brasil em 2026 é marcante, especialmente com as eleições presidenciais no horizonte. O economista alerta para um ambiente em que Trump, mesmo limitado por decisões recentes da Suprema Corte, ainda dispõe de mecanismos para interferir em negociações e criar obstáculos na região.
Brasil e Argentina no centro da disputa
O ex-economista-chefe do FMI ressalta que, enquanto o Brasil deve se preparar para possíveis pressões externas durante seu processo eleitoral, a Argentina aparenta, por ora, colher frutos da aproximação com os EUA. Por outro lado, ele ressalta que políticas americanas mais incisivas podem trazer instabilidade e incerteza para os mercados sul-americanos, impactando diretamente o cotidiano da população.
O impacto da instabilidade: dólar, tecnologias e tensões globais
Maurice Obstfeld chama atenção para um movimento crescente: nações e bancos centrais estão começando a buscar alternativas ao dólar, preocupados com o abuso de poder do governo americano e possíveis retaliações. A pressão americana tem incentivado negociações bilaterais em outras moedas, além de acender o debate sobre autonomia financeira frente ao cenário globalmente instável.
O especialista conclui que o Brasil, apesar de surfando um momento macroeconômico favorável entre os emergentes, deverá lidar como nunca com incertezas vindas dos Estados Unidos. A gestão política e econômica interna será posta à prova – e como o próprio Obstfeld disse, nem mesmo os analistas mais experientes conseguem prever as novas jogadas de Trump.
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Nesse cenário de tensões e imprevisibilidades, acompanhar atentamente cada passo internacional virou necessidade, especialmente para quem quer se manter por dentro dos bastidores do poder.
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Perguntas frequentes
O que são petroestados e eletroestados?
Petroestados são países cuja economia depende de combustíveis fósseis, enquanto eletroestados investem em energias renováveis como base econômica.
Como a postura de Donald Trump pode afetar o Brasil em 2026?
Trump pode influenciar o Brasil através de intervenções econômicas, tarifas e pressões comerciais, principalmente durante o processo eleitoral.
Por que a América Latina é considerada uma zona de influência dos EUA?
Os EUA veem a América Latina como região prioritária para seus interesses estratégicos e tendem a reprimir influências estrangeiras nessa área.
Qual o papel da China e União Europeia na nova divisão global?
China e União Europeia são eletroestados que lideram o investimento em energias renováveis e influenciam política e economicamente a América Latina.
Quais as possíveis consequências para a economia brasileira devido a tensões internacionais?
O Brasil pode enfrentar instabilidade nos mercados, pressão sobre o câmbio e desafios para a autonomia financeira diante da influência dos EUA.