Zelensky pede novo encontro com Lula após recusar mediação do Brasil
em 20 de setembro de 2025 às 16:40A tensão entre Ucrânia e Rússia voltou às manchetes após o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, solicitar mais uma rodada de negociações diretamente com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Esse novo pedido de reunião veio pouco tempo depois de Zelensky recusar a proposta de mediação apresentada pelo governo brasileiro para o conflito que já dura anos. A busca por uma conversa bilateral tende a reacender debates sobre o papel do Brasil como possível mediador da guerra.
O clima entre Lula e Zelensky não é dos mais estáveis. Desde que o petista reassumiu o Planalto, em 2023, os dois até sentaram juntos em Nova York durante a Assembleia-Geral da ONU, mas episódios de desencontros e acusações de ambas as partes dificultaram a criação de uma ponte de diálogo constante entre Brasília e Kiev. Agora, com a ONU novamente como pano de fundo, a expectativa é de que o encontro – se confirmado – possa ser um divisor de águas nas relações dos dois países e, claro, movimentar o xadrez diplomático mundial.
O que você vai ler neste artigo:
Entenda a disputa de bastidores entre Lula e Zelensky
O que muitos não sabem é que as negociações bilaterais vêm sendo marcadas por uma série de desencontros e desconfortos diplomáticos. Em maio de 2024, por exemplo, Lula e Zelensky chegaram a marcar uma conversa paralela na cúpula do G7, no Japão, mas o compromisso desapareceu da agenda de ambos, com direito a troca de culpas públicas sobre o desencontro.
Em outra tentativa, agora no Canadá, o diálogo também não prosperou devido a entraves de agenda. Na prática, Zelensky tem se mostrado reticente quanto à atuação brasileira, principalmente pelas tentativas já conhecidas de Lula em se posicionar como mediador neutro, inclusive articulando propostas de negociação ao lado da China – algo visto por Kiev com desconfiança.
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O papel do Brasil no conflito e os desdobramentos diplomáticos
Enquanto o governo brasileiro insiste em adotar uma postura de equilíbrio, evitando se alinhar 100% com o bloco ocidental, o presidente Lula já deixou clara sua contrariedade ao envio de armas à Ucrânia. Segundo suas próprias palavras, isso “apenas alimenta a guerra”. Essas falas, somadas ao diálogo direto com Vladimir Putin para impulsionar negociações, desagradaram profundamente Zelensky e geraram atritos diplomáticos nunca antes vistos entre Brasil e Ucrânia.
A rejeição da proposta brasileira por Kiev
Um dos maiores pontos de tensão aconteceu quando Zelensky descartou uma proposta de paz apresentada por Lula em parceria com o governo chinês. O governo ucraniano sempre afirmou que só aceitaria propostas em que a responsabilidade da Rússia pela invasão estivesse devidamente explícita – o que não era o caso na sugestão liderada pelo Brasil.
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No cenário atual, com as tentativas de mediação parando em obstáculos, fontes do Itamaraty garantem que o encontro entre os presidentes pode ser decisivo, principalmente porque Zelensky quer expor insatisfações de forma direta, mas ainda busca apoio internacional para pressionar Moscou a negociar um cessar-fogo.
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Perguntas frequentes
Por que Zelensky rejeitou a proposta de mediação brasileira?
Zelensky rejeitou a proposta porque considerou que não atribuía claramente a responsabilidade da Rússia pela invasão, um ponto não negociável para a Ucrânia.
Quais foram os principais obstáculos para as negociações entre Lula e Zelensky?
Desencontros de agenda, acusações mútuas e desconfiança em relação ao posicionamento do Brasil junto à China dificultaram as conversas bilaterais.
Como o Brasil tem se posicionado sobre o envio de armas à Ucrânia?
Lula manifestou contrariedade ao envio de armas, argumentando que isso apenas alimenta o conflito sem contribuir para a paz.
Qual a importância da ONU nas negociações entre Brasil, Ucrânia e Rússia?
A ONU serve como palco diplomático para encontros e manifestações que podem impulsionar o processo de mediação e pressionar por um cessar-fogo.
Como a parceria entre Brasil e China influencia a mediação do conflito?
A tentativa de Lula em articular propostas junto à China gerou desconfiança em Kiev, afetando a percepção sobre a neutralidade brasileira.