Celso Amorim quebra o silêncio: Interferência dos EUA pode sair pela culatra nas eleições de 2026
em 25 de junho de 2026 às 16:04Celso Amorim, um dos principais articuladores da política externa brasileira, soltou o verbo em entrevista recente e reforçou o clima de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Às vésperas das eleições de 2026, o temor de uma possível interferência norte-americana ganhou novo fôlego após decisões polêmicas de Washington, como classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e ameaçar tarifas a produtos brasileiros. Mas para Amorim, esse tipo de investida pode, na verdade, acabar impulsionando uma reação oposta entre os brasileiros.
Figurando como braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em assuntos internacionais, Amorim vive o turbilhão que envolve bastidores do poder. E diante das movimentações recentes nos corredores dos governos, o alerta está ligado entre os aliados do Planalto, que veem nos gestos vindos dos Estados Unidos sinais claros de pressão durante o período eleitoral. Siga a leitura para entender os bastidores dessa relação, o impacto da retórica inflamada de Trump e as respostas nada sutis de quem comanda a política externa do Brasil.
O que você vai ler neste artigo:
Rupturas e tensões: Trump volta a mirar o Brasil
Desde o início do ano, a relação entre Lula e Donald Trump voltou a esfriar. A recente declaração do ex-presidente americano, chamando Lula de “volátil” e descrevendo o Brasil como um país “perigoso”, caiu como bomba e acirrou ainda mais os ânimos entre as duas nações. Não bastasse o atrito verbal, Washington aprovou sanções econômicas e rotulou facções brasileiras como terroristas – um passo visto como pressão e até, para alguns críticos, ingerência no processo eleitoral de 2026.
Amorim, com décadas de experiência em negociações delicadas, avaliou que essas tentativas de intervenção raramente produzem o efeito desejado. “O brasileiro é muito consciente da sua soberania. Tentar interferir pode ter um efeito contrário”, alertou, sugerindo que ações externas podem fortalecer a postura de independência do eleitorado brasileiro. O histórico mostra que medidas consideradas unilaterais pelos Estados Unidos, mesmo tentando ‘ajudar’ candidatos alinhados, podem provocar exatamente o oposto: um sentimento nacionalista e de resistência.
O papel dos interesses externos nas eleições brasileiras
A discussão sobre influência estrangeira não é nova, mas ganhou força nesta reta final para as eleições. Assessores de Lula não escondem a preocupação com motivações políticas e econômicas por trás das recentes movimentações de Washington. A designação das facções criminosas como terroristas, por exemplo, foi lida como justificativa para ampliação de sanções, com possível impacto direto na economia e na narrativa eleitoral.
Segundo Amorim, a vigilância deve ser permanente, pois “não é só o presidente norte-americano que pode agir, mas interesses econômicos e até movimentos internos”. O ex-chanceler não dramatiza as críticas públicas de Trump, mas faz questão de ressaltar que o Brasil tem musculatura para resistir a pressões externas, destacando a importância de manter uma postura pragmática diante das mudanças políticas na América do Sul e no cenário global.
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Brasil soberano: estratégia de defesa e o papel dos recursos estratégicos
Outro ponto de destaque na fala de Amorim foi a defesa enfática da soberania nacional sobre riquezas estratégicas. Ele citou a recente aquisição da única mina de terras raras fora da Ásia por uma empresa norte-americana, alertando sobre o risco de comprometer a independência do Brasil. “Deixar comprometida toda a capacidade de produção de minerais críticos para um governo estrangeiro é perigoso”, afirmou, indicando a necessidade de políticas de proteção e beneficiamento dos recursos no território nacional.
O discurso aponta para uma prioridade do governo em manter o controle não só dos minerais críticos, mas também de tecnologias e dados estratégicos, como na questão da inteligência artificial e regulação das big techs. Amorim defende diversificação de parcerias e alerta para os riscos da influência digital e econômica de potências estrangeiras no ambiente político e eleitoral brasileiro.
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Enquanto os olhos do mundo se voltam para o embate Brasil-EUA às vésperas da votação, Amorim resume o espírito do momento: o Brasil quer respeito à sua soberania e não pretende ser quintal de nenhum país. Para muitos, a postura do governo tende a ganhar respaldo popular justamente quando cresce a percepção de ingerência externa. Se a estratégia de Washington era influenciar os rumos do pleito, pode acabar fortalecendo a corrente oposta – e trazendo novo fôlego à narrativa de independência nacional nas urnas.
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Perguntas frequentes
Por que os Estados Unidos classificaram facções brasileiras como terroristas?
A classificação visa justificar sanções econômicas e pressionar o cenário político brasileiro, principalmente antes das eleições de 2026.
Quais impactos podem resultar da interferência estrangeira nas eleições brasileiras?
Interferências externas podem gerar uma reação contrária, aumentando o sentimento nacionalista e a defesa da soberania entre os eleitores.
Como o Brasil pode proteger seus recursos estratégicos de influências externas?
Por meio de políticas que garantam o controle e beneficiamento dos minerais críticos, além da regulação em setores tecnológicos e digitais.
Qual a avaliação de Celso Amorim sobre as recentes declarações de Donald Trump?
Amorim considera que os comentários inflamatórios e sanções podem não alcançar o efeito desejado, reforçando a resistência brasileira.
Quais são os riscos da influência digital e econômica estrangeira no Brasil?
Podem comprometer a independência política e eleitoral do país, além de afetar a soberania tecnológica e econômica nacional.