Eleições no Chile: disputa entre renovação e direita radical em 2025 agita cenário sul-americano
em 14 de dezembro de 2025 às 16:40O clima político no Chile está pegando fogo em 2025: o país vai às urnas hoje para decidir seu futuro entre dois candidatos que não poderiam ser mais diferentes. De um lado, Jeannette Jara, figura de destaque do Partido Comunista e representante das esquerdas; de outro, José Antonio Kast, líder vigoroso do Partido Republicano, com bandeiras da direita radical. O governo Boric chega ao fim sem ter conseguido consolidar a governabilidade que prometia, e as repercussões dessa eleição já ultrapassam as fronteiras chilenas, sinalizando mudanças profundas em todo o Cone Sul.
Nesta reportagem, trazemos os bastidores do desgaste da esquerda chilena, a ascensão de Kast e os reflexos disso na geopolítica da América do Sul, sobretudo para o Brasil de Lula, que se vê cada vez mais isolado em um cenário de avanço conservador no continente.
O que você vai ler neste artigo:
Fadiga política e o fim do ciclo Boric
Quando Gabriel Boric assumiu, muitos apostaram em uma virada progressista e rejuvenescedora na política do Chile. Só que promessas ficaram pelo caminho, e os problemas explodiram: instabilidade política, insegurança e uma população cada vez mais desconfiada do Estado. No frigir dos ovos, a aprovação de Boric mal saiu da casa dos 30%, enquanto a rejeição passou de 60% durante quase todo o mandato. Para piorar, a tentativa de entregar uma nova Constituição terminou em fiasco, e a esquerda perdeu ainda mais fôlego quando sua candidata, Jeannette Jara, começou a carregar o peso desse desgaste nas costas.
Com o governo incapaz de responder rapidamente às demandas por segurança e melhor qualidade de vida, as bases populares começaram a migrar para candidatos com discursos mais duros. O caminho ficou aberto para o crescimento da direita, e Kast se aproveitou justamente desse vazio deixado pelo fracasso progressista.
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O avanço de José Antonio Kast e a nova face da direita chilena
Kast não nasceu ontem na política chilena, mas só agora conseguiu transformar seu discurso em fenômeno de massas. Em 2025, ele moderou alguns posicionamentos para ganhar tração entre os eleitores de centro, mas manteve o foco em pautas quentes: segurança pública, combate à imigração descontrolada e desenvolvimento econômico. O resultado? Virou a face mais notória de uma direita que, a cada eleição, ganha mais força na América Latina.
Impacto regional e o isolamento brasileiro
A realinhar o Cone Sul com ventos conservadores, o Chile pode se juntar ao rol de países que já embarcaram na virada ideológica, como Argentina e Paraguai. Essa profusão de governos críticos ao Estado e ávidos por ordem e eficiência reforça o isolamento do Brasil sob a liderança de Lula, cada vez mais na contramão do bloco, com uma diplomacia distinta e simpatia por parcerias estratégicas com China e Rússia.
Esse novo eixo político favorece o alinhamento sul-americano com a postura dura dos Estados Unidos, que olha para a região com olhos estratégicos para conter influências chinesas e russas. O fracasso de Boric, nesse tabuleiro, deixa o campo progressista ainda mais esvaziado de poder – e Lula, sozinho, vê sua agenda internacional perder apoio e protagonismo no continente.
A Doutrina Monroe repaginada e os reflexos na Venezuela
Outro ponto quente é como a crise venezuelana tem servido de justificativa para a adoção de políticas geopolíticas mais rígidas em Washington. Para os EUA, impedir a expansão da influência asiática e russa virou prioridade, e os novos aliados conservadores, como Milei, Bukele e, potencialmente, Kast, já blindam seus governos com discursos de ordem e pragmatismo. A postura ambígua do Brasil diante da Venezuela serve apenas para aumentar seu isolamento no novo quebra-cabeça geopolítico sul-americano.
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Enquanto o ciclo progressista parece perder força, a ascensão conservadora no Cone Sul expõe um Brasil menos inserido na dinâmica hegemônica da região, pressionado por uma reconfiguração global que exige cada vez mais alinhamento estratégico.
Se o cenário de avanço conservador e o esgotamento do ciclo da esquerda no Chile te chamou a atenção, não deixe de assinar nossa newsletter para receber as maiores fofocas e bastidores políticos do Cone Sul direto na sua caixa de entrada. Fique por dentro de tudo e não perca nenhuma reviravolta!
Perguntas frequentes
Quais são os principais fatores do desgaste da esquerda no Chile?
O desgaste da esquerda chilena é resultado da instabilidade política, alta rejeição ao governo Boric, fracasso da nova Constituição e incapacidade de atender demandas de segurança e qualidade de vida.
Qual é o perfil político de José Antonio Kast?
José Antonio Kast é líder de direita radical que, moderando parte de seu discurso, foca em segurança pública, combate à imigração descontrolada e desenvolvimento econômico.
Como a eleição no Chile afeta o Brasil de Lula?
A vitória da direita no Chile intensifica o isolamento do Brasil, que mantém uma política mais alinhada à China e Rússia, enquanto o Cone Sul avança para governos conservadores pró-EUA.
O que significa o realinhamento político no Cone Sul?
O realinhamento político indica uma mudança da esquerda para governos conservadores na região, impactando alianças e posturas geopolíticas com foco em ordem, segurança e relações estratégicas.
Qual é o papel da crise venezuelana nesse contexto político?
A crise na Venezuela justifica políticas duras de Washington na América Latina e fortalece governos conservadores que buscam conter influências da China e Rússia na região.