Trump intensifica disputa global por minérios e mira riquezas minerais brasileiras em 2025
em 27 de julho de 2025 às 08:01Uma nova faísca no já tenso cenário entre Brasil e Estados Unidos veio à tona: Donald Trump, presidente americano, aumentou o interesse sobre os minérios estratégicos brasileiros, justamente no momento em que tarifas pesadas sobre exportações nacionais ameaçam entrar em vigor em 1° de agosto de 2025. O fato ganhou repercussão após declarações firmes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo a soberania nacional sobre as riquezas minerais durante evento em Minas Gerais.
Com a corrida internacional por minerais críticos acelerando, incluindo lítio, nióbio e principalmente terras-raras, o Brasil se vê no epicentro de uma batalha bilionária que define o futuro de setores de tecnologia, energia e defesa. Descubra como Trump projeta os Estados Unidos nesse tabuleiro geopolítico, por que as reservas brasileiras são tão cobiçadas e quais as possíveis consequências dessa disputa para o país.
O que você vai ler neste artigo:
Minérios estratégicos viram peça-chave no jogo das potências
O interesse global por minerais estratégicos não é novo, mas atingiu outro patamar em 2025. Lítio, cobre, manganês e, sobretudo, terras-raras são hoje pilares de indústrias que vão desde a fabricação de carros elétricos até armamentos de última geração. Um relatório recente da Unctad, agência da ONU, aponta que a demanda por alguns desses minérios pode subir até impressionantes 1.500% até 2050. Com a produção mundial ainda longe desse ritmo, países correm para garantir acesso às reservas mais promissoras.
Em resposta à pressão internacional, Lula subiu o tom: “Temos nosso ouro para proteger. Temos todos esses minerais ricos para proteger, e aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”. A fala mira diretamente as movimentações recentes do governo Trump, que busca ampliar o controle sobre minerais críticos globalmente — e tem o Brasil no radar.
Estados Unidos buscam alternativa à China e pressionam Brasil
O movimento americano faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência da China, hoje principal produtora e processadora de terras-raras. A China responde por cerca de 60% da extração e 90% do refino mundial desses elementos, essenciais para aparelhos eletrônicos de ponta, painéis solares e equipamentos militares. De olho no cenário, Trump assinou em março um decreto ordenando o aumento da produção doméstica de minérios críticos e intensificou a busca por fontes alternativas — inclusive em solo brasileiro.
Esse novo capítulo ganhou holofotes após reunião entre representantes americanos e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Os EUA querem negociar diretamente com o setor empresarial brasileiro, mas receberam como resposta a necessidade de interlocução estatal, reforçando o controle nacional sobre contratos do tipo.
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Brasil: gigante das terras-raras e potência do nióbio
O Brasil não está apenas no radar dos EUA: tornou-se protagonista na disputa por minerais essenciais ao desenvolvimento tecnológico e militar. O país detém entre 20% e 23% das reservas mundiais conhecidas de terras-raras, com Minas Gerais e Goiás liderando a produção. Apesar de explorar menos de 1% dessa riqueza, há potencial inexplorado na Amazônia, o que traz desafios ambientais à tona.
Outro trunfo é o nióbio: o Brasil concentra 92% da produção global desse metal crucial para fabricação de turbinas, trens bala e equipamentos aeroespaciais. Só os EUA importaram mais de 10 mil toneladas de nióbio brasileiro em 2023, o que coloca a commodity no topo da lista de minerais considerados críticos pelo Serviço Geológico Americano (USGS). Qualquer problema na cadeia brasileira afeta diretamente o suprimento global para setores estratégicos dos EUA e de outros países.
Poder, rivalidade e alerta para riscos de neocolonialismo
Enquanto Estados Unidos, China e Rússia correm por novas alianças para assegurar minérios estratégicos, cresce a preocupação internacional com o chamado neocolonialismo mineral. A exploração de reservas em países em desenvolvimento, sem retorno social palpável, pode aprofundar desigualdades e criar armadilhas econômicas. A ONU chama a atenção para a dependência excessiva de exportação de commodities — um risco que o Brasil bem conhece.
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Especialistas defendem que, diante da demanda explosiva, o Brasil precisa investir em tecnologias próprias, mineração responsável e reciclagem de resíduos eletrônicos, que escondem grande quantidade de terras-raras reutilizáveis. Redesenhar esse setor será vital para garantir que a riqueza mineral contribua de fato para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país, e não apenas para abastecer potências estrangeiras.
A crescente pressão internacional só reforça o papel central do Brasil no fornecimento de minérios estratégicos em 2025. Com Trump mirando nossas riquezas subterrâneas, a disputa promete esquentar e jogar o país ainda mais no centro das atenções globais. Gostou da notícia? Inscreva-se em nossa newsletter para receber mais bastidores e fofocas exclusivas do mundo da política e da economia internacional!
Perguntas frequentes
O que são minérios estratégicos?
São minerais com alto valor econômico e uso crítico em setores como tecnologia, energia e defesa, como lítio, terras-raras e nióbio.
Quais países dominam a produção de terras-raras?
Atualmente a China lidera a extração e o refino de terras-raras, seguida por países como EUA e Austrália, mas o Brasil possui grandes reservas inexploradas.
Por que o Brasil é importante na cadeia global de nióbio?
O Brasil detém cerca de 92% da produção mundial de nióbio, metal essencial para turbinas, trens-bala e aplicações aeroespaciais.
O que é neocolonialismo mineral?
É o modelo de exploração em que potências estrangeiras extraem recursos de países em desenvolvimento sem retorno social ou tecnológico adequado.
Quais medidas o Brasil pode adotar para agregar valor aos minérios?
Investir em refino nacional, tecnologias de mineração sustentável, reciclagem de resíduos eletrônicos e parcerias público-privadas para inovação.