Novo impasse: Montadoras acusam Lula de copiar Trump para favorecer BYD em 2025
em 29 de julho de 2025 às 16:04A temperatura subiu nos bastidores da indústria automotiva brasileira em 2025. Executivos de grandes montadoras vêm acusando abertamente o presidente Lula de “copiar Trump” ao cogitar quebrar o acordo firmado no programa Mover, só para beneficiar a chinesa BYD com redução de impostos para carros elétricos. Tal movimentação já racha o setor, evidencia disputas políticas e ameaça os bilionários investimentos prometidos ao Brasil, alimentando desconfiança entre empresários e governo.
O impasse surgiu quando o Planalto começou a revisar a política de importação de veículos eletrificados. A proposta da Câmara de Comércio Exterior (Camex) em reduzir drasticamente tarifas para modelos CKD e SKD — aqueles montados com peças vindas de fora — acendeu o alerta nas montadoras já instaladas no país. Da noite para o dia, a estabilidade negociada no programa Mover pode simplesmente evaporar.
O que você vai ler neste artigo:
Confronto de interesses: BYD x montadoras tradicionais
A tensão não surgiu do nada. Montadoras, especialmente as multinacionais com décadas de atuação no país, apontam o dedo para uma suposta quebra de confiança. Para elas, a presidência jogaria fora anos de trabalho conjunto, colocando em xeque as regras do jogo. A comparação direta com Donald Trump, famosa por suas medidas protecionistas e rompimentos de acordos internacionais, deixou claro o quanto o setor vê essa situação como uma ameaça à credibilidade brasileira.
O medo dessas empresas vai para além do discurso corporativo. A estrutura do Mover foi planejada para garantir R$ 180 bilhões em investimentos, modernizar fábricas e criar empregos. Alterações inesperadas, argumentam, podem fazer esse dinheiro ir pelo ralo. Executivos já alertam para o risco de redução ou até interrupção de aportes internacionais no país, caso o governo insista em beneficiar a BYD e desrespeitar compromissos assumidos.
Jogo político e caminho incerto
No meio desse tiroteio institucional, o governo tenta mediar insatisfações. Ontem, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, propôs um modelo com cotas de importação decrescentes — 50 mil carros no primeiro ano, baixando para 20 mil em quatro anos. Só que as críticas foram imediatas: as montadoras consideram os números exagerados para o atual parque industrial brasileiro. Pouquíssimas plantas teriam estrutura para atender à nova regra, ampliando o desconforto com a proposta.
Enquanto isso, a BYD mantém o silêncio. Procurada pela imprensa, a gigante chinesa apenas indica que a redução temporária de tarifas é vital para nacionalizar sua cadeia produtiva, depois do início das operações na recém-inaugurada fábrica em Camaçari (BA). Para os demais concorrentes, tudo isso soa como privilégio arriscado, capaz de afastar investimentos e causar desemprego a longo prazo.
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Lobby, empregos e futuro da indústria nacional
Em uma rara frente unificada, sindicatos, associações de classe e entidades industriais juntaram forças para barrar o benefício exclusivo à BYD. Argumentam que fabricar carros localmente gera até dez empregos por unidade, enquanto nos sistemas CKD/SKD esse número cai para três. Insistem ainda que a produção nacional fomenta o setor de autopeças, estimula pesquisa e consolida domínio em tecnologias híbridas, áreas nas quais o Brasil tem potencial inexplorado graças ao etanol e matérias-primas como terras raras.
Um executivo ouvido nos bastidores foi taxativo: flexibilizar para a BYD desestimula centros de P&D no Brasil, favorecendo concorrentes estrangeiros. O cenário inclusive põe em dúvida os objetivos do próprio governo Lula em reindustrializar o país. Com três ministérios já declaradamente contra a redução do imposto (Trabalho, Desenvolvimento e Fazenda), o Planalto enfrenta uma verdadeira “batalha de lobby” entre montadoras tradicionais, lideradas pela Anfavea, e os interesses cada vez maiores da China.
Em meio à disputa, surgem críticas inclusive contra as práticas comerciais de Pequim, acusado de ultrassubsidiar suas gigantes do setor automotivo. Segundo a Anfavea, a BYD teria sido beneficiada por R$ 1,5 trilhão ao longo de 14 anos, jogando desigual com as rivais nacionais e internacionais.
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Se você curtiu acompanhar esse bastidor quente do embate entre Lula, montadoras e BYD em 2025, não desgrude: a novela dessas negociações promete novos capítulos inflamados e impactos diretos na economia e nas ruas do país.
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Perguntas frequentes
O que são veículos CKD e SKD?
CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) são modelos montados a partir de kits de peças importadas, diferindo na proporção de componentes pré-montados.
Por que a BYD se beneficia da redução temporária de tarifas?
A BYD busca reduzir custos de importação para nacionalizar sua cadeia produtiva na fábrica de Camaçari (BA) e acelerar sua presença no mercado brasileiro.
Qual é o risco para empregos com o favorecimento de kits importados?
Montadoras alertam que cada carro produzido localmente gera até dez empregos, contra três em sistemas CKD/SKD, o que pode reduzir oportunidades no setor de autopeças.
O que envolve a proposta de cotas de importação decrescentes?
A proposta de Alckmin prevê 50 mil veículos importados no primeiro ano, caindo a 20 mil em quatro anos, para equilibrar benefícios e proteger o parque fabril nacional.
Quais ministérios são contrários à redução de impostos?
Trabalho, Desenvolvimento e Fazenda já se manifestaram contra a quebra de regras do Mover, citando impactos econômicos e falta de infraestrutura industrial.