Lula reduz impostos de 10 alimentos, mas importação cai em 6 itens em 2025
em 2 de agosto de 2025 às 16:40O governo federal zerou o imposto de importação de dez alimentos essenciais em uma tentativa de frear a alta nos preços dos itens básicos da cesta dos brasileiros. A medida, iniciada em março, prometia aliviar o bolso do consumidor, porém, dados recém-divulgados revelam que seis dos produtos beneficiados tiveram queda nas importações ao longo de um ano. Análise feita com base nos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostra como o dólar investido em compras internacionais nem sempre se traduziu em alívio nas prateleiras.
Enquanto boa parte da população apostava em preços mais baixos, o resultado foi surpreendente para especialistas e para o próprio Palácio do Planalto. Mas, será que zerar imposto realmente barateia o que chega à nossa mesa? E como explicar a queda na importação justamente quando era para ela aumentar?
O que você vai ler neste artigo:
Seis alimentos zerados, importação em queda: efeito menor do que o esperado
Quando o governo anunciou a isenção tributária para alimentos como azeite de oliva, carne bovina desossada, massas, sardinha em conserva e açúcar de cana, criou-se uma expectativa de que veríamos mais desses itens vindos de fora, ajudando a baixar preços internos. Mas, o levantamento do Mdic apontou justamente o contrário para seis deles.
O azeite de oliva extra virgem registrou um tombo de 39% nas importações, caindo de US$ 263 milhões para US$ 161 milhões entre março e junho. A carne bovina desossada também desacelerou, com queda de 22%, seguida pelas massas alimentícias, que encolheram 11%. Apesar de algumas dessas quedas parecerem expressivas, é importante lembrar que produtos como sardinha e açúcar somam volumes modestos — qualquer variação já vira porcentagem relevante. No fim das contas, a fatia desses dez alimentos no bolo das importações brasileiras segue pequena: só 0,4% do total em dólar.
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Milho e café em alta: os destaques entre os importados
Por outro lado, quatro alimentos viram avanço nas importações. O maior destaque ficou com o milho, que saltou de US$ 42,4 milhões para US$ 72,1 milhões, um aumento de impressionantes 70,3%. O grão é estratégico não só para alimentação, mas também para ração animal — um ponto sempre ressaltado pelos técnicos do governo para justificar o benefício fiscal. Se o milho barateia, a lógica é de que carnes e derivados também ficam mais acessíveis para os consumidores.
O café não torrado também chamou a atenção: praticamente inexistente nas importações há um ano, agora soma US$ 26,7 milhões, mesmo que a produção interna do Brasil já seja uma das maiores do planeta. Isso mostra um movimento atípico e um impacto ainda tímido no cenário geral de mercado.
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Importação por quilo: milho puxa a fila no volume
Quando o critério de comparação passa do dólar para o peso, o cenário também favorece o milho. O volume importado subiu de 243 milhões para 387 milhões de quilos entre março e junho, reforçando o papel central do grão na política de isenção.
Já outros alimentos mantiveram volumes baixos ou até retraíram, indicando que a medida de zerar impostos teve efeito limitado em ampliar a oferta no mercado nacional.
Impacto na inflação: IPCA mostra primeira deflação para alimentos desde 2024
Em meio às idas e vindas da política de importação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) finalmente registrou queda de 0,18% em junho para os alimentos consumidos em casa, interrompendo uma sequência de altas e trazendo alívio, ainda que discreto, aos lares brasileiros. Foi a primeira retração desde agosto de 2024 e um ponto positivo para o governo Lula, que tem batido na tecla da redução no custo da alimentação como prioridade de gestão e popularidade.
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Com o mercado externo se mostrando imprevisível e o impacto das medidas ainda limitado, o brasileiro segue atento a cada novidade no setor, já de olho na próxima ida ao supermercado. Se gostou desta análise e quer ficar por dentro de todas as novidades da política econômica e das fofocas do universo dos famosos, não deixe de assinar nossa newsletter e receber tudo em primeira mão diretamente na sua caixa de entrada!
Perguntas frequentes
Por que alguns produtos tiveram queda nas importações mesmo sem imposto?
Fatores como contrato de longo prazo, custos logísticos, capacidade de estoque e oscilações cambiais podem inibir novas compras, mesmo com isenção.
Como a flutuação do dólar interfere no impacto da isenção fiscal?
Se o dólar sobe, o preço em reais dos produtos importados aumenta, neutralizando parcial ou totalmente o benefício de zerar o imposto.
Por que o milho teve avanço maior em quilos do que em valor em dólar?
Isso indica que o preço por quilo nas negociações internacionais caiu, mas o volume importado subiu significativamente.
Como a deflação de alimentos no IPCA afeta o orçamento das famílias?
Quando o IPCA de alimentos registra deflação, o custo da cesta básica diminui, liberando parte da renda para outros gastos.
Qual a razão de importar café num país produtor maior como o Brasil?
Importações podem ocorrer para atender nichos específicos, regular estoques ou suprir necessidade de torra em diferentes perfis de mercado.