Desaparecimento da calunga do Maracatu Porto Rico vira enredo no Carnaval do Rio em 2027
em 13 de maio de 2026 às 20:04A curiosa saga da calunga Dona Júlia, símbolo sagrado da Nação do Maracatu Porto Rico, vai tomar conta da Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027. Apresentada pela Imperatriz Leopoldinense, a história real do desaparecimento dessa peça lendária reúne doses de mistério, tradição e uma pitada de suspense, prometendo emocionar o público e valorizar ainda mais as raízes afro-brasileiras.
Fundada em 1916, a Nação do Maracatu Porto Rico é referência no Carnaval pernambucano e tem uma trajetória marcada pela resistência cultural, entre a Mata Sul e a capital Recife. Neste enredo, o carnavalesco Leandro Vieira se inspira em relatos e pesquisas para narrar a impressionante jornada da calunga sumida por três décadas e o impacto de seu reencontro.
O que você vai ler neste artigo:
Do sumiço à redescoberta: a saga de Dona Júlia
Muito mais que um simples adereço, a calunga representa um elo sagrado com os ancestrais nos ritos dos maracatus. Dona Júlia foi criada na década de 1960, sob o comando do babalorixá Eudes Chagas, carregando a ancestralidade de Maria Júlia do Nascimento, conhecida como Dona Santa.
No entanto, sua história ganha contornos quase cinematográficos a partir de 1978, quando a boneca – representante da força e proteção do grupo – foi levada para um museu. Ocorre que, com o passar do tempo e disputas por sua posse, Dona Júlia sumiu misteriosamente em 1980, gerando comoção entre os membros da comunidade. O paradeiro virou lenda na tradição oral local.
A reviravolta veio somente em 2014, quando a calunga foi encontrada quase por acaso por um estudante que, assustado com supostos fenômenos, decidiu entregá-la ao dono de um terreiro em Olinda. Uma matéria televisiva exibiu o objeto enigmático e, assim, antigos integrantes do Maracatu Porto Rico a reconheceram. Foi uma celebração repleta de simbolismos e emoção.
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Enredo resgata tradição e espiritualidade do maracatu
Para quem acha que é apenas folclore, basta lembrar que as calungas são tratadas com o devido respeito em todas as nações de maracatu de baque virado. Segundo Leandro Vieira, o enredo deste ano vai além da aventura:
“Buscamos mostrar às novas gerações o valor dos ritos e como esses objetos consagram a ancestralidade dos reis do Congo e das religiões de matriz africana”, destaca o carnavalesco.
O palco da Sapucaí vai se transformar em um cenário permeado por referências ao candomblé, às cerimônias de coroação e à simbologia dos eguns. A tradição do maracatu se fortalece ao mostrar que, mesmo diante da perda e do esquecimento, a força dos laços comunitários prevalece.
Calungas: muito além das bonecas
Nem todo mundo sabe, mas as calungas são tidas como guardiãs dos axés dos maracatus. Recebem bençãos, oferendas e ocupam posição de destaque nos cortejos. O desaparecimento de Dona Júlia por mais de 30 anos abalou as tradições e somente seu retorno possibilitou a reiniciação dos rituais, num verdadeiro encontro entre memória e religiosidade.
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A Imperatriz Leopoldinense prepara um desfile rico em detalhes, misturando elementos históricos, música e o colorido das fantasias para encantar foliões e jurados. Já está tudo encaminhado para um dos enredos mais aguardados do ano que vem.
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Perguntas frequentes
O que é uma calunga no contexto do maracatu?
Calunga é uma boneca sagrada que representa a ancestralidade e os espíritos nas nações de maracatu, recebendo oferendas e bençãos nos rituais.
Qual a importância da calunga Dona Júlia para o Maracatu Porto Rico?
Dona Júlia é um símbolo sagrado que representa proteção e força para a Nação do Maracatu Porto Rico, sendo reverenciada em seus ritos desde a década de 1960.
Como a história de Dona Júlia será apresentada no Carnaval de 2027?
A Imperatriz Leopoldinense traz para a Sapucaí um enredo que conta a saga do desaparecimento e reencontro de Dona Júlia, ressaltando a cultura afro-brasileira e a espiritualidade do maracatu.
Por que o reencontro da calunga Dona Júlia é motivo de celebração?
Após mais de 30 anos desaparecida, a redescoberta da calunga possibilitou a reiniciação dos rituais e reforçou os laços e tradições culturais da comunidade do Maracatu Porto Rico.
Quem foi responsável pela criação da calunga Dona Júlia?
A calunga foi criada na década de 1960 sob o comando do babalorixá Eudes Chagas, carregando a ancestralidade de Maria Júlia do Nascimento, conhecida como Dona Santa.