Deputado Marcelo Freitas deve relatar processo de cassação de Eduardo Bolsonaro em 2025
em 25 de setembro de 2025 às 16:58O clima na Câmara dos Deputados esquentou na última semana, quando tudo indica que o deputado Marcelo Freitas (União-MG) será oficialmente nomeado relator do polêmico processo que pode levar à cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ainda em 2025. O caso ganhou novas camadas de tensão pela ligação de Freitas com o bolsonarismo, já que ele apoiou Jair Bolsonaro nas campanhas de 2018 e 2022. A escolha é vista nos bastidores mais como um sinal de alerta do que de condenação sumária, mas a expectativa é que dificilmente Eduardo escapará ileso desta vez.
A notícia caiu como uma bomba entre apoiadores e desafetos de Eduardo Bolsonaro. O Conselho de Ética definiu a lista tríplice para sorteio do relator, que incluía também Duda Salabert (PDT-MG) e Paulo Lemos (PSOL-AP), ambos declaradamente críticos ao deputado do PL. Mas a escolha pelo representante do União Brasil reaqueceu os debates sobre a real neutralidade do processo.
O que você vai ler neste artigo:
O que pesa contra Eduardo Bolsonaro
O processo ético-disciplinar contra Eduardo Bolsonaro teve como estopim as constantes viagens e declarações do deputado fora do país nos últimos sete meses. Segundo a denúncia do PT, Eduardo teria dedicado o período à articulação de sanções internacionais contra autoridades brasileiras e disparos reiterados de críticas ao Supremo Tribunal Federal. O discurso inflamado e as ausências frequentes motivaram, inclusive, a abertura de um processo administrativo devido a faltas não justificadas na Câmara.
Além disso, a tentativa de blindagem ao parlamentar através da indicação à liderança da Minoria foi barrada por Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa. Ele afirmou que o cargo não poderia ser ocupado por quem estivesse vivendo fora do Brasil. Para oposicionistas, a sucessão de episódios evidencia um desprezo às obrigações do mandato.
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Perfil do relator: Marcelo Freitas na berlinda
Marcelo Freitas carrega um histórico complicado e já conhecido no cenário político nacional. Ex-delegado da Polícia Federal e relator da PEC da Previdência – considerada uma das reformas mais impactantes do governo Bolsonaro – o deputado já oscilou entre diferentes núcleos de poder na capital federal. Em 2019, durante o racha do PSL, Freitas optou por se alinhar a Luciano Bivar, afastando-se do círculo mais próximo do ex-presidente. Porém, em 2022, voltou a declarar apoio a Bolsonaro.
Dentro da Câmara, Freitas é visto como alguém discreto, que evita protagonismos exagerados. Sua indicação é lida como um movimento estratégico do União Brasil para manter a “temperatura” logo no início do processo, mas sem descartar a possibilidade de punição. Deputados aliados a Eduardo enxergam a escolha como um tempo extra no cronômetro, já que a condução por um nome menos hostil poderia aliviar momentaneamente a pressão.
Duda Salabert e a polêmica na lista tríplice
O sortudo – ou azarado – relator não foi escolhido à toa. Concorreram com Freitas nomes como Duda Salabert, que se manifestou publicamente contra o bolsonarista logo após o sorteio. Suas declarações em vídeo, onde revelou ter sido alvo de ofensas de Eduardo em 2022, acabaram por minar suas chances de assumir a relatoria.
Caminhos do processo e expectativa nos bastidores
Neste cenário, a escolha de Freitas como relator representa um misto de cautela e incertezas. A avaliação majoritária entre os parlamentares é que o processo caminha para um desfecho desfavorável a Eduardo, ainda que o andamento sob a batuta do União Brasil possa atrasar a definição final. Nos corredores da Câmara, a aposta é que, apesar do respiro momentâneo, a situação do deputado do PL é das mais delicadas, e a cassação segue no radar como resultado mais provável.
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Perguntas frequentes
Como funciona a escolha do relator na Câmara dos Deputados?
O relator é escolhido a partir de uma lista tríplice formada por membros indicados e sorteados, tendo papel fundamental na condução do processo na Câmara.
Quais as consequências para um deputado se for cassado pela Câmara?
A cassação implica na perda do mandato parlamentar, impedindo o deputado de exercer suas funções e podendo afetar sua carreira política.
Por que a neutralidade do relator é importante em processos ético-disciplinares?
A neutralidade garante que o processo seja conduzido de forma justa e imparcial, respeitando os direitos do investigado e a credibilidade da Casa.
O que caracteriza um processo ético-disciplinar na Câmara dos Deputados?
São procedimentos internos usados para investigar condutas consideradas irregulares ou antiéticas por deputados, podendo levar a sanções disciplinares.
Como a opinião pública pode influenciar processos políticos na Câmara?
A pressão popular pode afetar decisões e estratégias políticas, influenciando deputados e impactando o andamento dos processos.