Fábio Wajngarten cobra autocrítica da direita sobre 8 de janeiro em 2025
em 3 de julho de 2025 às 16:58O ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten, surpreendeu o meio político ao defender de forma clara que a direita brasileira precisa fazer um mea culpa pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. A declaração, dada à CNN Brasil em entrevista publicada nesta quarta-feira (2 de julho de 2025), veio logo após seu depoimento à Polícia Federal.
Wajngarten, que atuou como braço-direito do ex-presidente, reforçou a necessidade de reflexão e afirmou que não há espaço para relativizar ou amenizar as críticas a quem participou das invasões e depredações das sedes dos Três Poderes. O posicionamento, raro entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, repercutiu fortemente nos bastidores de Brasília. A seguir, confira os principais pontos dessa declaração polêmica.
O que você vai ler neste artigo:
A necessidade de autocrítica no bolsonarismo
O argumento de Fábio Wajngarten foi direto ao ponto: é preciso admitir erros e revisar comportamentos. Segundo ele, “a direita deve passar por momentos de reflexão, precisa fazer um ‘mea culpa’ sobre 8 de janeiro”. Em sua visão, qualquer tentativa de passar pano para as ações radicais que marcaram aquela data comprometeria a credibilidade do campo conservador no debate público.
A fala do ex-assessor surge como um contraponto ao discurso tradicional que minimiza ou relativiza os episódios do 8 de janeiro. Ele condenou de maneira categórica tanto as invasões às sedes do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto quanto a destruição do patrimônio público. No entanto, ressaltou que classificar o evento como uma tentativa de golpe seria um exagero, mostrando que a autocrítica não significa concordar com todas as interpretações dos fatos.
Leia também: Marina Silva rebate críticas no Congresso com versículos bíblicos em 2025
Leia também: Impeachment de Flávio Dino protocolado por Nikolas é barrado no Senado em 2025
Críticas às punições e defesa por julgamentos justos
Outro ponto de destaque na entrevista foi a crítica que Wajngarten fez às punições impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos envolvidos nos atos golpistas. Ele cobrou julgamentos individualizados e justos, evitando generalizações excessivas que, segundo ele, prejudicam até aqueles que cometeram delitos menores.
O caso de Débora Rodrigues dos Santos
Para ilustrar seu posicionamento, o ex-secretário citou o caso de Débora Rodrigues dos Santos, condenada por múltiplos crimes após escrever “perdeu, mané” com batom na estátua da Justiça. Para ele, medidas duras contra pessoas que, embora tenham participado dos atos, cometeram ofensas simbólicas, precisam ser revistas para garantir que o Judiciário não perca o equilíbrio nas sentenças.
Cenário eleitoral e o futuro da direita após 2025
Mesmo após todo o desgaste, Wajngarten avalia que Jair Bolsonaro segue sendo o principal nome da direita para as eleições de 2026. Ele acredita que a ausência do ex-presidente, inelegível até 2030, colocaria em xeque o caráter democrático do pleito. A saída, segundo o advogado, seria a formação de uma “chapa pura”, fortalecendo o bolsonarismo sem abrir mão da identidade e das bandeiras conservadoras.
A prova da tensão está na defesa de que o grupo bolsonarista deve “ditar as regras” e não aceitar alianças que diluam suas pautas centrais. Wajngarten alerta que qualquer composição precisa ser fiel aos princípios que o movimento defende desde 2018.
Leia também: Foto viral de manifestação na Paulista com Bolsonaro em 2025 é falsa
Declarada a necessidade de autocrítica, mas ainda distante de um consenso sobre julgamentos e estratégias eleitorais, a ala bolsonarista segue dividida entre admitir falhas e manter o discurso firme em defesa do ex-presidente.
A repercussão dessas declarações deixa claro que o clima político segue aquecido e as discussões sobre o futuro da direita só tendem a crescer. Gostou desse furo de bastidor? Então não perca tempo e inscreva-se agora em nossa newsletter para receber as principais fofocas e bastidores da política diretamente no seu e-mail!
Perguntas frequentes
Quem é Fábio Wajngarten?
Ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro, atuou como assessor direto do ex-presidente e hoje defende autocrítica no conservadorismo.
Por que ele defende um mea culpa pelos eventos de 8 de janeiro?
Segundo Wajngarten, reconhecer falhas é essencial para manter a credibilidade do campo de direita e evitar relativizações que prejudicam o debate público.
Quais críticas ele fez ao Supremo Tribunal Federal?
Wajngarten apontou que as punições foram genéricas e defendeu julgamentos individualizados para não prejudicar quem cometeu delitos menores.
O que é a ‘chapa pura’ sugerida para 2026?
É uma aliança eleitoral formada apenas por integrantes do bolsonarismo, sem abrir mão de suas pautas centrais e identidade política.
Quem é Débora Rodrigues dos Santos na polêmica citada?
Participante dos atos de 8 de janeiro, foi condenada por depredar a estátua da Justiça com ofensa simbólica e citada como exemplo de sentenças duras.