Defesa de Ramagem surpreende ao afirmar que só reunia ideias de Bolsonaro
em 2 de setembro de 2025 às 16:58A defesa de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), protagonizou um momento inesperado nesta terça-feira (2), ao alegar que ele apenas compilava ideias do então presidente Jair Bolsonaro, e que jamais teria determinado qualquer tipo de monitoramento ilegal contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou opositores políticos. O caso ganhou destaque nacional, já que Ramagem segue como um dos réus centrais do chamado “núcleo 1” na trama golpista de 2022 que abalou a política brasileira.
A fala do advogado Paulo Renato Cintra durante o julgamento aumentou a temperatura do já polêmico processo. Segundo ele, episódios de espionagem citados pela Procuradoria-Geral da República teriam ocorrido antes mesmo de Ramagem assumir o comando da Abin. Para quem acompanha o noticiário de perto, essa afirmação muda o rumo do debate e levanta novos questionamentos sobre os caminhos que as investigações vão seguir.
O que você vai ler neste artigo:
Argumentos da defesa de Ramagem e a movimentação no julgamento
Durante sua sustentação oral, Paulo Renato Cintra foi enfático ao negar que Ramagem tenha servido como “roteirista” de Bolsonaro na produção de lives e conteúdos que miravam ataques ao sistema eleitoral eletrônico. O advogado destacou que qualquer arquivo enviado ao ex-presidente era fruto de pesquisas públicas, discursos já conhecidos e até anotações pessoais. “Ramagem compilava pensamentos do presidente, não era um ensaísta. Ele nem chefiava a Abin nos fatos anteriores à posse”, garantiu Cintra.
Mais uma vez, o advogado frisou que Ramagem deixou o governo em março de 2022, período anterior ao acirramento das denúncias, já com o objetivo de disputar as eleições. Dessa forma, diz a defesa, ele não participou de iniciativas para lançar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, nem para construir narrativas usadas por Bolsonaro em suas batalhas políticas nas redes sociais.
Leia também: Saturno retrógrado em 2025: veja como cada signo será impactado
Leia também: União Brasil e PP pressionam por saída dos ministros de Lula em 2025
Acusações pesadas e o papel da “Abin Paralela”
Apesar da argumentação sólida da defesa, a Procuradoria-Geral da República sustenta que Ramagem foi peça-chave dentro da chamada “Abin Paralela”. Segundo a denúncia, o grupo teria agido com o objetivo de reunir informações comprometedoras sobre adversários – inclusive ministros do STF – e alimentar a máquina de fake news que inflou a tensão política em 2022.
A acusação também aponta Ramagem como participante de uma organização criminosa, com o objetivo de deslegitimar o sistema de votação eletrônico e fortalecer a campanha do então presidente. Para os investigadores, Ramagem não só sabia desses movimentos, como também teria dado seu aval para a coleta de dados sigilosos, ação que pode ter extrapolado limites legais.
Crimes em disputa e a lista dos réus mais comentados do País
Hoje na cadeira de deputado federal, Ramagem se apoia no manto da imunidade parlamentar para se livrar de parte das acusações, ficando de fora dos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro – a polêmica invasão aos prédios dos Três Poderes. Ainda assim, responde por crimes como tentativa de golpe de Estado, pertencimento a organização criminosa armada e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.
Ao lado dele, estão nomes conhecidos na cena nacional: Jair Bolsonaro, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, entre outros personagens envolvidos no processo e tidos como protagonistas da crise institucional de 2022. O julgamento, com previsão de estender-se por oito sessões, promete abrir precedentes inéditos no cenário político do Brasil.
Leia também: EUA encaram falta de trabalhadores após êxodo de 1,2 milhão de imigrantes em 2025
O primeiro dia de julgamento foi marcado pela leitura do relatório, feita por Alexandre de Moraes, e pela manifestação assertiva do procurador-geral Paulo Gonet, que defende a condenação dos envolvidos. Já a expectativa agora gira em torno das próximas sessões, onde se espera o início efetivo da votação que poderá redefinir o destino de cada um dos réus – e causar fissuras profundas na política brasileira.
Fatos como o julgamento de Ramagem evidenciam como a disputa pelo poder segue intensa em 2025, com velhos aliados e adversários trocando acusações e argumentos nos tribunais e nas manchetes. Caso tenha curtido essa análise exclusiva sobre a defesa de Ramagem e os detalhes do processo, não deixe de se inscrever em nossa newsletter. Assim, você recebe todas as novidades quentes do mundo das fofocas e bastidores da política diretamente no seu e-mail!
Perguntas frequentes
O que é a “Abin Paralela”?
A “Abin Paralela” é o nome dado a um grupo paralelo à Agência Brasileira de Inteligência acusado de coletar dados sigilosos para alimentar fake news e atacar adversários políticos.
Quais são as principais acusações contra Alexandre Ramagem?
Ele responde por tentativa de golpe de Estado, pertencimento a organização criminosa armada, espionagem ilegal e tentativa de deslegitimar o sistema de votação eletrônica.
Como a imunidade parlamentar afeta o processo de Ramagem?
Como deputado federal, Ramagem está protegido por imunidade parlamentar que o impede de responder por atos relacionados à invasão de 8 de janeiro, mas não o livra das demais acusações.
Em quantas sessões o julgamento de Ramagem pode ser concluído?
O STF prevê até oito sessões para concluir o julgamento, começando pela leitura do relatório, seguida das sustentações orais e da votação final.
Quem são os outros réus do “núcleo 1” da trama golpista de 2022?
Além de Ramagem, compõem o “núcleo 1” nomes como Jair Bolsonaro, Anderson Torres, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, entre outros.
Qual é o papel do procurador-geral Paulo Gonet no julgamento?
Ele apresentou a denúncia, defende a condenação dos envolvidos e expôs os indícios de espionagem e organização criminosa durante a sustentação no STF.