Aliado de Bolsonaro e Nikolas é preso em megaoperação da PF por fraudes no Crea-MG
em 17 de setembro de 2025 às 17:43Uma megaoperação da Polícia Federal pegou todo mundo de surpresa nesta quarta-feira, 17 de setembro de 2025. Entre os 21 presos está Gilberto Henrique Horta de Carvalho, geógrafo de 38 anos, conhecido pelo círculo próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao deputado federal Nikolas Ferreira. O nome do geógrafo ganhou destaque após forte apoio político na última eleição do Crea-MG, mas agora está no centro de escândalo de corrupção envolvendo bilhões.
Segundo o inquérito da PF, o grupo investigado atuava há anos fraudando licenças ambientais, corrompendo servidores e lavando dinheiro vindo da exploração irregular de minério em áreas protegidas de Minas Gerais. As cifras impressionam: o lucro das atividades criminosas ultrapassa R$ 1,5 bilhão e envolvia projetos que chegavam a R$ 18 bilhões. A notícia movimentou Brasília e acendeu um alerta sobre o apoio de figuras de peso do cenário nacional a personagens agora na mira da Justiça.
O que você vai ler neste artigo:
Influência política e trajetória de Gilberto Carvalho
Carvalho não chegou ao comando do Crea-MG, mas deixou sua marca na eleição com uma rede de apoio parruda formada por líderes conservadores. Vídeos de apoio não faltaram: Jair Bolsonaro pediu votos pelo Instagram, dizendo ser importante “votar certo”. Nikolas Ferreira também gravou suas mensagens, ecoando a necessidade de mudanças há tempos pedidas por setores da direita. Além deles, nomes como Eduardo Bolsonaro, Magno Malta, Cleitinho Azevedo e o general Braga Netto aparecem em vídeos prestigiando a candidatura de Carvalho.
Apesar da derrota na disputa, a investigação aponta que, desde a corrida eleitoral, já existiam indícios da atuação de Carvalho em um verdadeiro esquema criminoso dentro do universo da mineração. O conjunto de apreensões inclui não apenas documentos empresariais, mas também detalhamentos de tratativas e mensagens que mostram a proximidade de Carvalho com empresários e servidores do setor, atuando como articulador e elo entre interesses privados e o poder público.
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Como funcionava o esquema milionário segundo a PF
A apuração da PF destrinchou uma complexa rede de empresas de fachada, contratos cruzados e acordos com servidores públicos. O grupo teria criado mineradoras em nomes de terceiros, manipulado normas técnicas da Agência Nacional de Mineração e utilizado artifícios para burlar restrições ambientais. Uma das áreas em destaque é a Serra do Curral, símbolo de Belo Horizonte e altamente protegida. Segundo o Ministério Público Federal, só o faturamento ilícito nos últimos cinco anos chegou a valores astronômicos, com registros de mais de R$ 4 bilhões circulando por contas ligadas aos investigados.
Cenas dignas de roteiro de filme policial apareceram ao longo dos anos: vazamentos de informações, destruição de provas antes de operações anteriores e monitoramento de autoridades e promotores. Em um episódio recente, a PF detalha a tentativa de modificar uma resolução sobre rejeitos de minério, com pagamentos condicionados ao andamento de mudanças regulatórias discutidas diretamente com dirigentes da ANM.
A blindagem dos investigados e as novas frentes de atuação
Para fugir do radar, o grupo teria aberto novas empresas em nome de pessoas próximas de Carvalho em 2024, avançando sobre áreas mineradoras na região de Ouro Preto. As ações buscavam blindar patrimônios e ampliar as atividades ilícitas, em meio à pressão crescente de órgãos ambientais e do próprio Judiciário. O golpe não envolvia só empresários: servidores públicos federais e estaduais faziam parte do arranjo, facilitando aprovações e pagamentos de propina, com operadores financeiros terceirizando as negociações e o transporte de dinheiro em espécie.
A operação da Polícia Federal já resultou em prisões preventivas, bloqueio de bens e suspensão de atividades. O desenrolar do caso promete mais desdobramentos nos próximos dias, com a Justiça Federal atentamente acompanhando cada fase e a sociedade de olho nos impactos desse escândalo de dimensões milionárias no setor de mineração brasileiro.
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A notícia sobre a prisão de Gilberto Carvalho rapidamente dominou as manchetes devido à sua ligação com figuras poderosas da política nacional, reacendendo o debate sobre o trânsito de interesses econômicos e políticos em órgãos reguladores. Resta acompanhar como o caso seguirá na Justiça e quais serão as consequências para todos os envolvidos.
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Perguntas frequentes
Quais foram as principais áreas impactadas pelo esquema de corrupção?
O esquema impactou principalmente áreas protegidas de Minas Gerais, como a Serra do Curral e regiões próximas a Ouro Preto.
Como a Polícia Federal conseguiu identificar as fraudes no setor de mineração?
Por meio de investigações que incluíram apreensão de documentos, análise de tratativas e monitoramento de autoridades envolvidas.
Qual o papel dos servidores públicos nesse esquema criminoso?
Servidores públicos facilitaram a aprovação de licenças irregulares e receberam propina para alterar normas regulatórias e apoiar as mineradoras ilegais.
O que motivou a abertura de novas frentes de atuação do grupo investigado em 2024?
Para blindar patrimônio e ampliar as atividades ilícitas frente à pressão dos órgãos ambientais e do Judiciário.
Quais serão os próximos passos da Justiça no caso Gilberto Carvalho?
Acompanhar as investigações, julgar os envolvidos, e possivelmente desdobrar novas operações conforme surgirem provas adicionais.