Crise profunda: Milly Lacombe revela por que Seleção Brasileira perdeu a paixão em 2026
em 30 de maio de 2026 às 15:37A desconexão da Seleção Brasileira com o torcedor atingiu um novo patamar em 2026. Para Milly Lacombe, uma das vozes mais afiadas do jornalismo esportivo, o problema vai muito além das polêmicas em torno de Neymar – é um sintoma de algo muito maior. Em entrevista recente, a jornalista trouxe à tona um diagnóstico incômodo: o Brasil perdeu sua relação de afeto, identidade e pertencimento com o futebol de seleção.
Lacombe aponta que o distanciamento entre o povo e a amarelinha é fruto de decisões antigas, que transformaram a Seleção em produto de elites e afastaram completamente suas raízes populares. Não bastasse isso, a jornalista ainda aponta a colonização tática europeia e a mercantilização dos bastidores como ingredientes para a crise. Continue lendo para entender os bastidores dessa transformação.
O que você vai ler neste artigo:
O fim da conexão: Seleção já não representa mais o brasileiro
Segundo Milly, as transformações estruturais do futebol nacional começaram muito antes do histórico 7 a 1, na Copa de 2014. Ela explica que o afastamento das bases populares e a elitização vieram acompanhados de uma identificação da Seleção com setores conservadores do país.
Em suas palavras, “a Seleção que está em campo hoje representa um Brasil institucional, rígido e distante”. A famosa camisa amarela, que já foi símbolo de orgulho, agora virou alvo de apropriações políticas, tirando o entusiasmo das arquibancadas e reduzindo drasticamente o sentimento de pertencimento do torcedor comum.
O papel de Neymar e o risco de personalizar o problema
O craque da camisa 10 vira, assim, alvo fácil para críticas e polêmicas. Porém, Milly Lacombe reforça que personalizar a crise em Neymar é apenas esconder um sistema falido, onde o atleta é mais reflexo do que causa do distanciamento. A jornalista considera que “Neymar é só um sintoma” da desconstrução da identidade da Seleção, não o real vilão desse enredo.
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Futebol virou negócio: das arquibancadas ao mercado financeiro
Outro aspecto fundamental levantado por Milly é a profunda financeirização do futebol. Clubes viraram empresas, torcedor se tornou cliente e o ritual do estádio foi vendido como mero produto de entretenimento. “O sócio-torcedor é só mais um consumidor”, critica a jornalista, lamentando a perda do sentimento de pertencimento.
As Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), cada vez mais comuns, e a onda de apostas esportivas elevaram a busca por lucro acima do jogo em si. A paixão foi substituída por uma lógica corporativa, e o esporte perdeu sua capacidade de conectar pessoas e transmitir afeto entre gerações.
Resistência: é possível reconectar a Seleção com sua paixão original?
Para Lacombe, a esperança está na resistência daqueles que veem o futebol como identidade e poesia, não apenas como performance e resultado. Ela defende que recuperar a subjetividade e o imprevisível do jogo é fundamental para reaproximar o time do povo. Caso contrário, o futuro das arquibancadas tende a ser de vaias, indiferença e pouca paixão.
Sua análise, publicada em parceria com Jamil Chade no livro ‘A terra é redonda’, convida à reflexão: até quando o futebol brasileiro será apenas negócio? Ou ainda há tempo para recuperar o orgulho de torcer pela camisa amarela?
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O dilema da Seleção Brasileira em 2026 escancara uma ferida aberta e desafia não só dirigentes, mas também quem vive a emoção das arquibancadas. Resta aos fãs manterem viva a esperança de ver novamente um futebol que emocione e represente o povo. Gostou dessa análise? Se inscreva em nossa newsletter para receber, em primeira mão, as principais fofocas e bastidores do mundo esportivo!
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Perguntas frequentes
Qual é a principal causa da desconexão entre a Seleção Brasileira e os torcedores?
A principal causa é a elitização do futebol e a transformação da Seleção em um produto afastado das raízes populares do esporte.
Como a financeirização do futebol afetou a relação com os torcedores?
A financeirização tratou torcedores como consumidores, transformou clubes em empresas e priorizou lucros em detrimento da paixão e do sentimento de pertencimento.
Por que Neymar é considerado apenas um sintoma do problema da Seleção?
Porque o distanciamento do torcedor é decorrente de um sistema maior e falido, não sendo causado exclusivamente por um jogador.
Quais são os riscos de se personalizar a crise da Seleção em torno de um único jogador?
Personalizar a crise em um jogador esconde problemas estruturais mais profundos e desvia o foco das soluções necessárias para reconectar a torcida.
Existe esperança para a reconexão da Seleção com o torcedor brasileiro?
Sim, através da resistência e valorização do futebol como identidade e poesia, priorizando a subjetividade e emoção do esporte.