Trump dispara tarifa e intensifica tensão comercial com Canadá em 2025
em 1 de agosto de 2025 às 08:01A Casa Branca resolveu aumentar o tom com o Canadá e, nesta quinta-feira, Trump assinou um decreto elevando a tarifa de 25% para 35% sobre alguns produtos canadenses. A nova taxa começa a valer já nesta sexta, prometendo esquentar o cenário comercial entre os dois países. A medida, segundo Washington, foca mercadorias não incluídas no acordo USMCA e foi motivada por alegadas “reações insuficientes” do lado canadense, além de críticas sobre o suposto contrabando de fentanil na fronteira.
Enquanto o anúncio agitava jornalistas e investidores, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, não chegou a conversar diretamente com Trump, apesar das tentativas de contato já confirmadas pelos americanos. Em paralelo, autoridades retomaram posicionamentos duros: os EUA apontam o dedo para Ottawa, dizendo que o país não tem sido rígido contra o tráfico ilegal de drogas. Já os canadenses alegam estar reforçando as fiscalizações e consideram que a minoria do fentanil nos EUA vem do norte da fronteira.
O que você vai ler neste artigo:
Os bastidores da nova disputa comercial
O clima ficou mais espesso após a Casa Branca ameaçar taxar outros parceiros caso não fechassem acordo a tempo. No caso do Canadá, as negociações arrastavam-se principalmente devido à pressão interna. O governo de Mark Carney precisa alinhar a resposta com líderes das 10 províncias, onde parte prega retaliação dura, enquanto outras preferem uma abordagem cautelosa.
Nesse contexto, Doug Ford, governador de Ontário e voz ativa do setor industrial, puxou a fila dos defensores de uma tarifa retaliatória de 50% sobre aço e alumínio americanos. O apelo ecoou nas redes sociais e evidenciou a divisão sobre como enfrentar Trump.
Estados Unidos e as exigências para aliviar as tarifas
A administração norte-americana deixou claro que não descarta rever o aumento das taxas. De acordo com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, basta Carney “usar seu charme e retirar as retaliações” para Washington repensar a decisão. Ou seja, o recado foi direto: ceder pode trazer alívio, bater de frente só piora.
Ainda durante o dia, Trump afirmou que manteria a linha dura até que os canadenses fossem “justos” nas negociações – e vingasse o que ele julga serem práticas injustas de tarifas sobre produtos americanos, sobretudo os agrícolas. Para Trump, o objetivo da elevação é corrigir anos de desvantagem, citando até taxas de importação canadense acima de 200% sobre itens de fazendeiros americanos.
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Impactos imediatos nas exportações e cenário econômico
A escalada das tarifas promete afetar exportações tradicionais como aço, alumínio e automóveis, setores em que a relação entre os dois países sempre foi intensa. O Canadá, por sinal, exporta cerca de 75% de tudo que produz para os EUA – o que aumenta sua vulnerabilidade.
Curiosamente, dados oficiais apontam que a economia canadense vem segurando as pontas, ganhando resiliência mesmo com as primeiras ondas de tarifas e evitando, por ora, uma recessão. A cobertura do USMCA sobre a maior parte das exportações ajudou a suavizar o golpe, mas muitos fabricantes já se preparam para redirecionar vendas para outros países e driblar as novas taxações.
O número de exportações para os EUA caiu na faixa de 10 pontos percentuais em um ano, marcando 68% do total em maio de 2025. Fabricantes de carros, peças e de produtos baseados em aço e alumínio sentiram mais fortemente o baque, obrigando Ottawa a buscar alternativas.
O futuro das negociações e do comércio bilateral
Enquanto a torcida pelo desfecho positivo segue, a sinalização dos americanos é de que, dependendo da postura canadense, as interlocuções podem ser reabertas. Provisoriamente, Trump concedeu ao México, outro grande parceiro comercial, um prazo de 90 dias para se adaptar e evitar tarifações semelhantes.
Líderes canadianos divergem: enquanto uns pressionam por enfrentamento firme, outros tentam evitar a escalada das hostilidades, temendo impactos econômicos ainda maiores. Analistas apontam que, se o governo de Carney não encontrar um ponto de equilíbrio, tanto fazendas quanto indústrias continuarão reféns da volatilidade de Washington.
Com a disputa tarifária agora oficializada, todos os olhares se voltam para as possíveis negociações de bastidor que podem definir o rumo desses bilhões em exportações. Afinal, a escalada política já respinga no bolso de industriais, fazendeiros e consumidores de ambos os lados da fronteira.
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A nova alta das tarifas conduzida por Trump em 2025 reforça o clima de incerteza na relação comercial EUA-Canadá. O vaivém de ameaças, retaliações e tentativas de diálogo deixa claro: a disputa está longe de terminar, e cada rodada de negociações pode mudar de vez o mapa do comércio bilateral.
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Perguntas frequentes
Por que os EUA aumentaram as tarifas sobre produtos canadenses?
Segundo a Casa Branca, o aumento de 25% para 35% visa corrigir alegadas práticas injustas de tarifas canadenses e punir reações insuficientes de Ottawa contra o contrabando de fentanil.
Quais produtos canadenses foram afetados pelo novo decreto?
A medida atinge principalmente aço, alumínio e manufaturados não cobertos pelo USMCA, incluindo itens industriais e agrícolas fora do acordo de livre-comércio.
Como o governo do Canadá respondeu à elevação das taxas?
Ottawa reforçou fiscalizações na fronteira e discute respostas entre as 10 províncias, enquanto líderes divergem entre retaliação dura e negociação cautelosa.
Quais são os impactos imediatos para consumidores dos EUA?
O aumento de custos de importação tende a ser repassado em produtos de aço, alumínio e veículos, elevando preços e pressionando cadeias de suprimento norte-americanas.
O que pode acontecer se as negociações não avançarem?
Sem acordo, as tarifas podem permanecer ou subir ainda mais, forçando redirecionamento de exportações canadenses e elevando tensão política e econômica entre os países.