Lula desafia o dólar, mas futuro da moeda americana no Brasil ainda é imbatível em 2025
em 9 de agosto de 2025 às 16:40O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu uma polêmica internacional ao sugerir, no começo de junho, que o Brasil deveria fortalecer alternativas ao dólar nas trocas internacionais. A fala, feita logo depois de os Estados Unidos anunciarem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, provocou uma reação dura do ex-presidente Donald Trump, sinalizando um possível embate comercial de grandes proporções. Especialistas em economia consultados não escondem: tentar mexer com o dólar pode custar caro ao Brasil, e o impacto já começa a ser sentido.
O assunto ganhou repercussão após o discurso de Lula, que voltou a defender a criação de uma moeda alternativa dentro dos Brics. O movimento é visto por muitos como uma afronta direta à hegemonia do dólar, capaz de abalar relações políticas e comerciais num cenário já bastante turbulento. Mas será que o país está pronto para enfrentar essa aposta arriscada?
O que você vai ler neste artigo:
A força do dólar e o abalo nas relações Brasil-EUA
O dólar, além de símbolo do poderio econômico americano, é peça-chave do sistema financeiro global, presente em cerca de 70% das transações internacionais. Não se trata apenas de dinheiro, mas sim de uma ferramenta de influência, usada há décadas por governos dos EUA em disputas geopolíticas e em momentos de pressão econômica, como agora.
Com a fala de Lula sobre buscar alternativas à moeda americana, Trump reagiu na lata: “Qualquer país que tentar deve dar adeus ao mercado dos EUA”. E não ficou só na retórica. A elevação tarifária imposta aos produtos brasileiros serve de recado claro sobre o preço político e econômico de desafiar o padrão global da moeda.
Vozes do mercado e da academia alertam para as consequências
Economistas renomados, como Mauro Rochlin (FGV-SP) e Simão Silber (USP), condenaram o momento e a pertinência das declarações do presidente. Silber as classificou até de “bravatas”, ressaltando que contratos e reservas seguem fortemente atrelados ao dólar, uma tradição difícil de mudar rapidamente. Para eles, tentar forçar essa mudança pode afastar investimentos e criar barreiras extra para o já combalido comércio exterior brasileiro.
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Brics, sistemas alternativos e o desafio da moeda global
No Brics, grupo liderado pela China e do qual o Brasil faz parte, a conversa sobre reduzir a dependência da moeda americana não é nova. Tentativas já existem, como sistemas regionais de pagamentos criados pelos países-membros, entre eles o SML (Sistema de Pagamentos em Moedas Locais) no Mercosul e o SPFS russo, após a invasão da Ucrânia em 2022. Apesar dos esforços, essas iniciativas ainda representam uma fatia tímida das transações globais.
Em 2025, a infraestrutura global segue sustentada pelos EUA, o que dificulta qualquer ruptura. Para que uma moeda substitua o dólar, seria necessário alinhar dimensões econômicas, confiança internacional e participação financeira – fatores que nem mesmo a China, com seu poder comercial, consegue atingir por completo. O euro, apesar do peso na Europa, mal raspa 15% do mercado financeiro global.
O papel brasileiro e o risco do isolamento comercial
Do lado brasileiro, insistir nessa agenda no calor da disputa com os Estados Unidos, segundo os analistas, pode sair mais caro do que Lula imagina. O Brasil já sente os efeitos das medidas protecionistas americanas e pode aumentar seu isolamento em um mundo que ainda depende dos dólares para fechar negócios, pagar dívidas e movimentar grandes contratos.
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Por mais que sistemas paralelos avancem, o próprio governo reconhece que a construção de uma infraestrutura capaz de desbancar a moeda americana é uma missão de décadas. E, no curto prazo, ampliar o tom nos discursos só tende a animar a plateia doméstica e tornar as negociações internacionais mais espinhosas.
O debate sobre alternativas ao dólar faz parte do xadrez geopolítico, mas, até aqui, o desafio lançado por Lula esbarra na realidade: a força do dólar permanece impressionante e a possibilidade de uma revolução monetária ainda parece um sonho distante para o Brasil em 2025. Se você curte ficar por dentro dos bastidores do poder e não perder nenhuma fofoca quente da esfera política, aproveite para se inscrever em nossa newsletter exclusiva e receber tudo em primeira mão!
Perguntas frequentes
Qual a importância do dólar nas transações globais?
O dólar é a moeda de reserva dominante, presente em cerca de 70% das operações internacionais, servindo como referência de liquidez e preço para commodities, investimentos e contratos comerciais.
Como as tarifas americanas de 50% afetam as exportações brasileiras?
As tarifas elevam o custo dos produtos brasileiros no mercado dos EUA, reduzindo a competitividade, pressionando as receitas dos exportadores e podendo levar a quedas nas vendas e perdas de postos de trabalho.
O que é o Sistema de Pagamentos em Moedas Locais (SML) do Mercosul?
O SML é uma infraestrutura de liquidação de transações comerciais em moedas nacionais dos países-membros, criada para diminuir custos de conversão cambial e reduzir a dependência do dólar.
Por que a confiança internacional é crucial para uma moeda global?
Sem reconhecimento de governos, instituições financeiras e investidores, uma moeda não alcança escala nem estabilidade suficientes para ser usada amplamente em reservas, contratos e garantias financeiras.
Quais desafios técnicos existem na criação de uma infraestrutura financeira alternativa?
É preciso desenvolver redes de compensação, padrões de interoperabilidade, sistemas de liquidez intradiária e mecanismos de governança capazes de suportar altos volumes de transações e garantir segurança.