Haddad dispara contra governo Trump e denuncia tarifaço dos EUA em 2025
em 1 de setembro de 2025 às 08:04Fernando Haddad pegou pesado nas críticas ao governo dos Estados Unidos durante sua participação no Canal Livre, da Band, na noite deste domingo. O ministro da Fazenda resolveu abrir o jogo sobre a dificuldade para negociar, cara a cara, a recente decisão americana de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Para Haddad, o novo estilo de administrar por lá – concentrado inteiramente em uma única pessoa – nunca foi visto antes na história do país, criando obstáculos sem precedentes para o diálogo diplomático.
Mesmo com todos esses entraves, o ministro deixou claro que o Brasil segue pronto para negociar e superar as barreiras. E ressaltou que a pressão do setor empresarial dos EUA já surtiu algum efeito, após a lista divulgada com quase 700 produtos do Brasil ficando de fora da taxa. Ainda assim, a tensão continua e Haddad sugere que uma virada na relação pode estar por vir.
O que você vai ler neste artigo:
O diálogo travado com a Casa Branca: burocracia e cancelamentos à vista
A tentativa de Haddad de conversar diretamente com autoridades americanas acabou caindo em rotinas de protelação. Ele contou ter recebido e-mail do secretário do Tesouro, Scott Bessent, para uma reunião virtual, mas o compromisso foi cancelado alegando falta de agenda. O detalhe curioso: no mesmo dia, Bessent se encontrou com Eduardo Bolsonaro, aprofundando ainda mais a sensação de um canal de diálogo politicamente restrito e centralizado.
O ministro também lembrou que a lei de reciprocidade brasileira, aprovada com amplo apoio no Congresso, será analisada em comissão especial para definir a melhor estratégia de resposta ao tarifaço de Trump. E deixou escapar que, diante das conversas entre Eduardo Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, o clima pode esfriar após a divulgação dessas informações. “O governo dos EUA pode até fingir que não viu, mas a Embaixada vai ter que notificar a Casa Branca”, soltou Haddad.
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Relações comerciais e o impacto do tarifaço nas exportações brasileiras
O clima esquentou no comércio exterior. Haddad avaliou que a participação dos Estados Unidos como destino das exportações brasileiras está em queda, forçando o país a buscar outros mercados para compensar eventuais perdas. Com a imposição da sobretaxa, o governo brasileiro corre contra o tempo para se adaptar e minimizar prejuízos, reforçando a importância de parcerias alternativas.
Tendência de juros e alerta para a economia
O ministro aproveitou o holofote para abordar outro desafio: o atual patamar da taxa básica de juros. Com a Selic em 15% ao ano e uma taxa real (descontada a inflação) chegando aos 10%, Haddad alertou que os juros altos representam um peso excessivo para a economia. Ele argumentou que divergências entre membros do governo precisam ser tratadas dentro da normalidade institucional, destacando que sete diretores do Banco Central foram indicados pela atual gestão – o que deve acelerar a discussão sobre corte de juros.
Estatais em xeque e o enrosco dos Correios
Indagado sobre o futuro das estatais, Haddad afirmou que a situação dos Correios exige atenção. Segundo ele, o peso de entregar cartas físicas em locais remotos cria um passivo estrutural para a empresa, enquanto concorrentes privados ficam só com as fatias mais lucrativas do serviço. “Hoje a concorrência internacional é monstruosa”, ressaltou, citando a pressão dos grandes marketplaces sobre o serviço nacional.
Operação Carbono Neutro: novo marco na segurança pública
Na conversa, Haddad ainda destacou o impacto da Operação Carbono Neutro no combate ao crime organizado. Segundo o ministro, a operação “chegou no comando do sistema”, atingindo inclusive círculos da elite financeira na Faria Lima, e inaugura um novo capítulo para a segurança pública brasileira. As investigações já somam centenas de bilhões de reais movimentados ilegalmente pelo crime nos últimos anos.
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O cenário que se desenha nas relações entre Brasil e Estados Unidos em 2025, com tarifas altas e forte centralização política do governo Trump, promete novos episódios de tensão e impacto direto para a economia nacional. Fique ligado para acompanhar todos os próximos capítulos dessas reviravoltas diplomáticas e econômicas.
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Perguntas frequentes
O que motivou a imposição da sobretaxa de 50% pelos Estados Unidos?
A medida foi anunciada pelo governo americano como retaliação a práticas comerciais consideradas desfavoráveis, visando proteger indústrias locais e pressionar o Brasil em negociações.
Como a lei de reciprocidade brasileira pode responder ao tarifaço americano?
A lei prevê retaliar medidas externas similares, permitindo ao Brasil aplicar tarifas equivalentes a países que praticarem restrições comerciais, fortalecendo o poder de barganha diplomática.
Quem é Scott Bessent e qual foi seu papel no diálogo com o Brasil?
Scott Bessent é secretário do Tesouro dos EUA; convidou Haddad para reunião virtual sobre tarifas, mas cancelou alegando falta de agenda, evidenciando dificuldades de interlocução.
De que forma o setor empresarial dos EUA influenciou a retirada de produtos da tarifa?
Após pressão de empresas americanas interessadas em insumos brasileiros, o governo dos EUA excluiu quase 700 produtos brasileiros da alíquota de 50%.
Quais riscos a alta da Selic traz para a economia nacional?
Juros em 15% ao ano elevam o custo de crédito, freiam investimentos e consumo, afetando crescimento e pressionando o orçamento de famílias e empresas.
O que é a Operação Carbono Neutro e qual seu objetivo?
É uma ação de combate ao crime organizado que mira a neutralização de ativos financeiros ilícitos, atingindo desde quadrilhas até atores de elite, para fortalecer a segurança pública.