Promessa ousada de ‘Elon Musk brasileiro’ vira alvo do Ministério Público em 2025
em 4 de setembro de 2025 às 13:19O empresário Flávio Assis, conhecido por se autoproclamar o “Elon Musk brasileiro”, volta a ocupar o centro das atenções ao anunciar a produção de 120 mil carros por ano com sua marca Lecar, mas sem sequer sair do papel ou entregar um veículo pronto. O caso atraiu olhares curiosos e desconfiados para o novo capítulo do empreendedorismo automotivo nacional: a iniciativa, que ainda não tem uma fábrica levantada ou carro rodando, já pede reservas de clientes e aposta no ingresso de parceiros para abrir concessionárias. Diante do cenário polêmico, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar eventuais irregularidades na captação de recursos.
Enquanto promete um salto industrial inédito no Brasil, Assis enfrenta críticas de especialistas e a atenção das autoridades. O tema virou discussão sobre limites entre inovação sonora no discurso e práticas financeiras sob suspeita. Continue a leitura para entender todos os detalhes dessa polêmica atual e como ela mexe com o mercado de carros nacionais.
O que você vai ler neste artigo:
O projeto Lecar: entre grandes sonhos e a falta de provas
Desde o anúncio inicial, a Lecar apresentou planos robustos e chamativos: produção em escala de multinacional, sedãs, picapes e SUVs numa linha ambiciosa para disputar espaço com gigantes como Fiat e Volkswagen. O problema começa no terreno dos fatos. Até agora, não se viu nenhum veículo Lecar rodando ou qualquer estrutura física planejada sair do chão.
Entre anúncios de fábricas em diferentes estados e até na China, o vaivém criou ruído no mercado. Primeiro, era o Rio Grande do Sul, depois Espírito Santo, tentou-se aquisição das operações da Ford em Camaçari (que ficou com a chinesa BYD), mais recentemente, negociação pelo espaço da ex-Caoa Chery em Jacareí (SP). Nenhuma dessas promessas avançou além dos comunicados e entrevistas.
Polêmica em torno da captação de recursos
Um dos pontos mais sensíveis é a busca de reservas e aportes para o negócio, sem entrega concreta de produtos. Para reservar um carro, era cobrado 1% do valor (cerca de R$ 15,5 mil). Na frente das concessionárias Lecar, interessados desembolsavam quantias semelhantes em plano de fidelização, com promessa de entrega somente após vários anos de pagamento.
Tal dinâmica, segundo juristas e nomes conhecidos do setor automotivo como Boris Feldman, pode configurar captação irregular de poupança, já que recursos entram sem garantias efetivas ou homologação do produto. O Ministério Público considerou o caso sensível e instaurou procedimento para avaliar a legalidade das operações e proteger eventuais investidores lesados.
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Histórico de projetos frustrados no Brasil volta à tona
O cenário remete a episódios marcantes da história automotiva brasileira. De fabricantes independentes como IBAP, Obvio! e Engesa a nomes que deixaram saudades, como a Gurgel, o país já viu muitos planos esbarrarem na falta de capital, escala e aceitação. Mesmo as gigantes globais sentem a pressão para concretizar projetos milionários de eletrificação e inovação, com riscos calculados.
A Lecar adotou a proposta do híbrido em série, solução já vista em modelos como BMW i3 e Nissan Kicks e-Power, ainda cercada de desafios técnicos para rodar no Brasil em território amplo e com infraestrutura limitada. O discurso arrojado de Assis carece, no entanto, de lastro técnico e planejamento comprovado, gerando dúvidas legítimas sobre o futuro do prometido “Elon Musk brasileiro”.
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O caso do empresário Flávio Assis reaquece a discussão sobre promessas grandiosas e práticas comerciais que parecem ir além do razoável no setor automotivo. Para saber antes dos próximos capítulos dessa e de outras fofocas quentes, inscreva-se na nossa newsletter e fique por dentro dos bastidores que movimentam o mercado.
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Perguntas frequentes
Quem é Flávio Assis e por que é chamado de “Elon Musk brasileiro”?
Flávio Assis é empresário que fundou a Lecar e se autoproclamou “Elon Musk brasileiro” por anunciar projetos automotivos ambiciosos, embora sem provas de produção ou veículos prontos.
Como funcionava o processo de reserva de veículos pela Lecar?
Interessados faziam pré-reservas pagando 1% do valor do carro (cerca de R$ 15,5 mil) para garantir posição na fila de produção, sem data concreta de entrega ou confirmação de fábrica.
Quanto era cobrado para reservar um carro da Lecar?
A reserva exigia o pagamento de 1% do valor estimado do veículo, equivalente a aproximadamente R$ 15,5 mil, em plano de fidelização sem garantias adicionais.
O que o Ministério Público investiga no projeto Lecar?
O MP apura a possível captação irregular de poupança e a legalidade da solicitação de recursos sem garantias, visando proteger investidores e avaliar fraudes.
Quais riscos ao investir em projetos automotivos sem entregas concretas?
Investidores ficam sujeitos a atrasos, falta de homologação, insolvência da empresa e perda total do aporte, especialmente em negócios sem provas de funcionamento real.