PT afina estratégia e deve ter menos candidatos a governador em 2026
em 27 de julho de 2025 às 16:40O PT já está desenhando um novo cenário para as eleições de 2026: o partido caminha para lançar o menor número de candidatos a governador de sua história. O objetivo principal é fortalecer os palanques regionais que deem sustentação à campanha de reeleição do presidente Lula e garantir espaço na disputa do Senado. Fontes do alto escalão petista garantem que nunca a lista foi tão enxuta — e a ordem interna é por pragmatismo, mirando alianças estratégicas e apoio de partidos do centro.
A cada eleição, a estratégia muda conforme o clima nacional. Em 2002, na estreia de Lula presidente, o PT lançou 24 nomes para os governos estaduais. Em 2010, a prioridade foi a eleição de Dilma Rousseff, e a sigla chegou ao então recorde negativo: apenas dez candidatos. Agora, os números podem ser ainda menores, com a legenda já admitindo que muitos palanques serão formados por aliados e não por nomes da própria casa. Se interessou? Continue lendo para entender o novo jogo petista e as negociações nos principais estados.
O que você vai ler neste artigo:
Foco em palanques amplos e parcerias estratégicas
Com o compromisso de manter Lula forte nacionalmente, a palavra de ordem é compor e ceder espaços, principalmente nos estados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Apenas três governadores petistas atuais, Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), aparecem como pré-candidatos certos. O restante do mapa está sendo negociado caso a caso.
Para não ficar isolado, o PT já acordou apoiar nomes de outros partidos, como o ministro Renan Filho (MDB) em Alagoas, e fortalecer alianças com figuras tradicionais como Helder Barbalho (MDB-PA) e Hana Ghassan, possível candidata apoiada no Pará. Estados-chave como Amazonas e Rio de Janeiro também serão palco de alianças: a legenda pretende embarcar nas candidaturas do senador Omar Aziz (PSD-AM) e do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), caso decidam mesmo disputar a chefia do Executivo.
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Desafios e apreensão em estados estratégicos
A movimentação de Lula e da executiva nacional para costurar acordos mostra o tamanho do desafio em regiões com presença consolidada do bolsonarismo ou onde não há quadros petistas de peso. Em Santa Catarina e Paraná, o quadro ainda é incerto. O nome de Décio Lima, que surpreendeu indo ao segundo turno em 2022, é cogitado, mas pode migrar para a disputa do Senado. O receio é perder espaço justamente quando o ex-presidente Jair Bolsonaro investe pesado para aumentar sua bancada senatorial, mirando maior influência e até confrontos com o Supremo Tribunal Federal.
Até no Rio Grande do Norte, hoje governado pela petista Fátima Bezerra, há nuvens carregadas. Sem possibilidade de reeleição e sem um sucessor óbvio, o PT teme ver o estado — considerado estratégico na região Nordeste — virar território adversário. No centro das preocupações está a forte candidatura de Rogério Marinho (PL), que pode abrir caminho para o avanço bolsonarista.
São Paulo e Minas Gerais: as peças centrais do tabuleiro
São Paulo, com mais de um quinto do eleitorado nacional, e Minas Gerais, segundo maior colégio do país, são prioridades absolutas. O presidente já colocou o tema na mesa com líderes do PSB. Márcio França (PSB) sonha em disputar o governo, mas a cúpula do PT ainda flerta com a possibilidade de lançar Geraldo Alckmin de volta à briga. Em Minas, a adesão de Rodrigo Pacheco (PSD) a um projeto mais próximo ao Planalto reacendeu esperanças petistas de um palanque competitivo.
A lógica adotada em ambos os estados é clara: vale tudo para evitar um fracasso retumbante que afete a campanha nacional. Melhor um aliado forte do que um candidato próprio sem chance de vitória, defendem os principais articuladores. O pragmatismo, mais do que nunca, pauta cada movimento.
Caminhos do centro à centro-direita para enfrentar o bolsonarismo
As alianças não param por aí: o PT e o próprio Lula começaram a dialogar francamente com setores da centro-direita, tudo para impedir uma avalanche bolsonarista no Senado. Em Mato Grosso, o apoio já balança para nomes de outros partidos, como o senador Jayme Campos ou o ex-prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio, ambos cotados para mudar de sigla. Em Pernambuco, a costura é lançar João Campos (PSB) ao governo e proteger uma vaga ao Senado para Miguel Coelho (União), figura não alinhada ao bolsonarismo.
No Rio Grande do Sul, os petistas não descartam juntar forças com Eduardo Leite (PSD), caso ele decida concorrer ao Senado — mesmo que a aproximação não seja escancarada. O objetivo? Formar um muro amplo contra o avanço oposicionista e, ao mesmo tempo, garantir tempo e visibilidade à campanha de Lula em 2026.
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Com isso, o PT se prepara para um ciclo de negociações intensas. Se historicamente o partido fazia questão de estar em quase todos os palanques, agora a regra mudou: menos nomes petistas na disputa por governos estaduais, com o foco total na reeleição presidencial e numa bancada de senadores mais alinhada à esquerda.
Com o PT apostando em menos candidaturas próprias a governador e mirando palanques amplos, a sigla confirma o pragmatismo como estratégia central para sustentar Lula em 2026. As composições e os acordos indicam que, mais do que nunca, alianças e articulações vão ditar o ritmo da eleição estadual e nacional. Para não perder nenhum detalhe desse palco político agitado, inscreva-se na nossa newsletter e receba as principais fofocas e bastidores da política diretamente no seu e-mail.
Perguntas frequentes
Por que o PT está lançando menos candidatos a governador em 2026?
O partido aposta no pragmatismo, preferindo alianças estratégicas com outras siglas para fortalecer a campanha presidencial de Lula em vez de dividir forças em muitos palanques.
Como as parcerias com partidos de centro e centro-direita ajudam o PT?
Essas alianças ampliam o apoio regional, evitam fragilizar a base petista em estados-chave e asseguram palanques competitivos mesmo sem candidaturas próprias.
Quais estados são prioridade na estratégia do PT para 2026?
São Paulo e Minas Gerais são centrais devido ao peso do eleitorado, mas há negociações intensas também em Rio de Janeiro, Pernambuco e regiões com forte presença bolsonarista.
Quais riscos o PT enfrenta em regiões com forte influência bolsonarista?
Nos estados onde o bolsonarismo é consolidado, como Santa Catarina e Paraná, há receio de perder espaço ou ver o avanço oposicionista no Senado se não houver renome ou alianças eficazes.
Como o PT pretende garantir espaço na disputa do Senado?
O partido negocia cadeiras com aliados e planeja apoiar candidatos de outras legendas que possam proteger uma bancada alinhada ao Planalto.