Lula enfrenta obstáculos em SP e MG e vê reeleição ameaçada em 2026
em 17 de janeiro de 2026 às 09:04Com a corrida eleitoral chegando a 2026, Lula inicia o ano na liderança das pesquisas, mas encara uma situação no mínimo desconfortável: a dificuldade em formar palanques robustos em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país. Mesmo com o favoritismo inicial, a aprovação do presidente não empolga e a rejeição persiste alta, cenário que acende o alerta vermelho no núcleo petista e pode embaralhar o sonho do quarto mandato do líder.
O termômetro político nesses estados é decisivo. Em 2022, a vitória do PT passou por um desempenho estratégico em SP e MG. Agora, com menos de um ano até o primeiro turno, as negociações nos bastidores fervem para definir quais nomes podem realmente segurar a bronca e impulsionar Lula diante de adversários competitivos.
O que você vai ler neste artigo:
Disputa acirrada e dilemas em São Paulo: os desafios do palanque petista
No epicentro dessa disputa está São Paulo, reduto tradicionalmente complicado para a esquerda e terra de grandes batalhas eleitorais. O presidente e seu time apostam alto em possíveis nomes como Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento, tentando montar uma “tropa de elite” para encarar o favoritismo de Tarcísio de Freitas, governador em primeiro mandato.
Mas não basta apenas escalar as figurinhas carimbadas. O cenário é turvo: Alckmin, vice-presidente e velho conhecido dos paulistas, resiste à ideia de disputar mais uma vez o governo, preferindo a estabilidade do cargo atual. Haddad, por sua vez, mostra desejo de coordenar a campanha presidencial e evita assumir o protagonismo estadual. Já Tebet, que cogita mudar de domicílio eleitoral, enfrenta a resistência do MDB paulista, dominado por aliados de Tarcísio. Marina Silva e Márcio França surgem como alternativas, mas não há consenso entre os partidos da base de Lula.
A dificuldade de arregimentar nomes fortes evidencia a fragilidade da base petista em SP, um estado que, historicamente, apresenta resistência ao discurso de esquerda. Por outro lado, se o governador Tarcísio optar pela corrida à Presidência, abre-se uma brecha para um novo perfil conservador ou até mesmo bolsonarista, embaralhando ainda mais o xadrez político local. Como reconhecem petistas experientes, o segredo poderá ser apostar em alianças amplas, até porque nunca conseguiram governar SP novamente desde o ciclo inicial dos anos 2000.
Leia também: Tensão entre Trump e Fed em 2026: Choque ameaça economia e abala mercados
Minas Gerais: indefinição, reaproximações e riscos para o PT
No tabuleiro mineiro, o clima é igualmente instável. O PT desacelera na busca de um nome de peso, após apostar suas fichas durante meses no senador Rodrigo Pacheco, que, até agora, não apresenta sinais claros de que assumirá a disputa. O surgimento de uma possível aliança com Alexandre Kalil, ex-prefeito de BH, reacende antigas rivalidades e dúvidas sobre eficácia eleitoral, mas pode ser a única alternativa para sobreviver no estado.
Enquanto isso, na direita, nomes como Cleitinho Azevedo e Mateus Simões se movimentam para liderar o campo conservador. A tendência é que Romeu Zema, atual governador, abandone o cargo para buscar a cadeira do Planalto, o que embaralharia ainda mais a disputa ao dar mais visibilidade ao seu vice. A fragmentação dos adversários à esquerda também preocupa, pois um palanque fragilizado facilitará o avanço de forças bolsonaristas e reduzirá o teto eleitoral do presidente.
Rejeição, popularidade e risco de revés eleitoral
O cenário repleto de incertezas em SP e MG é potencializado pelos índices de popularidade de Lula. Pesquisas recentes indicam que o presidente enfrenta rejeição de mais da metade do eleitorado e performance aquém da esperada no governo. Com adversários cada vez mais competitivos, como Tarcísio na capital financeira do país e a direita mineira ganhando corpo, tudo indica que o PT terá que jogar todas as cartas — e quem sabe, inventar algumas novas — para não sair enfraquecido dos principais palcos estaduais em 2026.
Leia também: Crise em Cuba se agrava em 2026 após queda de Maduro: petróleo do México é última esperança?
O desfecho para Lula pode ser delicado, visto que liderar as pesquisas às vésperas das eleições não é garantia de vitória. SP e MG serão novamente o fiel da balança, e qualquer erro de estratégia pode custar caro ao projeto de reeleição.
Se você curtiu essa análise dos bastidores e quer receber mais atualizações quentes sobre as movimentações políticas nos estados e as apostas para 2026, aproveite para se inscrever em nossa newsletter exclusiva de fofocas e notícias políticas. Não fique de fora!
Perguntas frequentes
Por que São Paulo é um estado difícil para o PT nas eleições?
São Paulo tem uma tradição de resistência política ao discurso de esquerda e é marcado por uma grande diversidade eleitoral, o que dificulta a consolidação de um palanque forte para o PT.
Quem são os principais nomes cotados para compor o palanque do PT em São Paulo?
Fernando Haddad, Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França são cotados, porém há resistência interna e falta de consenso entre os partidos aliados.
Como a rejeição de Lula pode influenciar as eleições estaduais em 2026?
A alta rejeição pode enfraquecer a base eleitoral do PT, dificultando a formação de alianças e o desempenho dos candidatos ligados ao presidente nos grandes estados.
Qual a importância de Minas Gerais no contexto eleitoral para Lula em 2026?
Minas Gerais é um dos maiores colégios eleitorais e um estado decisivo para a vitória nacional. A indefinição sobre candidaturas locais pode prejudicar a estratégia petista.
Como a fragmentação da direita em Minas Gerais pode afetar as eleições?
A fragmentação e a possível candidatura do governador Romeu Zema podem dividir votos conservadores, tornando o cenário mais competitivo e imprevisível para o PT e seus adversários.