Lula decide ficar de fora de audiência nos EUA sobre tarifaço de 25% para produtos brasileiros em 2026
em 23 de junho de 2026 às 16:43O governo Lula surpreendeu o cenário diplomático e empresarial ao anunciar que não enviará representantes para participar da aguardada audiência pública em Washington, marcada para o próximo dia 6 de julho de 2026. O encontro será decisivo para a possível implantação de tarifas de até 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, um tema que tem tirado o sono do agronegócio e de indústrias nacionais.
A decisão do Palácio do Planalto foi interpretada como uma tentativa de não se associar diretamente aos debates públicos, considerados estratégicos, já que o principal interesse, segundo fontes próximas, está nas negociações reservadas — por escrito e em reuniões individuais com o governo norte-americano.
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Por que o Brasil vai ficar de fora da audiência?
A ausência de representantes brasileiros na audiência pública foi recebida com surpresa no setor produtivo e entre diplomatas. Segundo interlocutores do governo Lula, o entendimento é que o espaço do evento pertence à sociedade civil e ao setor privado, e não diretamente às esferas oficiais. Por isso, a estratégia escolhida foi focar em tratativas reservadas nos bastidores. Nas palavras de um assessor do Itamaraty, “o jogo principal acontece fora do holofote”.
O canal oficial segue aberto por troca de documentos, comunicados formais e reuniões privadas, tanto virtuais quanto presenciais. Internamente, o governo acredita que o impacto de um representante do Planalto seria pequeno diante dos interesses em jogo, optando por não demonstrar apoio explícito ou fragilidade diante de uma pauta politicamente sensível em ano eleitoral.
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Flávio Bolsonaro quer palco internacional para atacar tarifas
Enquanto Lula escolhe o silêncio, o senador Flávio Bolsonaro, já de olho nas eleições nacionais, solicitou formalmente cinco minutos para discursar na audiência pública americana. O senador afirma que pretende pedir uma “resolução negociada” para o impasse tarifário e a suspensão imediata das tarifas sobre produtos brasileiros.
Em sua inscrição, Flávio ressaltou ter se reunido recentemente com grandes nomes da política dos EUA, como o presidente Donald Trump, o vice JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Entre críticas ao governo Lula e acenos ao setor exportador, a iniciativa mostra como empresários e políticos estão disputando espaço para influenciar a decisão norte-americana.
O que está em jogo: conheça os produtos atingidos e poupados do tarifaço
A proposta de sobretaxa nasceu após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), baseada na famosa Seção 301. O relatório aponta alegadas práticas desleais do Brasil, especialmente em temas como Pix, propriedade intelectual e acesso ao etanol — pontos sensíveis para Washington.
Vale alertar que alguns produtos escaparam do alcance dessas tarifas: carnes, frutas, minerais, café, chás, especiarias, cereais, sementes e oleaginosas não serão taxados. Grandes indústrias, como a de aeronaves, terras-raras, medicamentos e fertilizantes, também ficaram fora da lista, aliviando alguns dos segmentos mais relevantes das exportações brasileiras.
Ainda assim, a inclusão de outros itens na tarifa de 25% pode abalar significativamente a balança comercial, refreando investimentos e pressionando o mercado interno.
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O governo Lula, ao adotar uma postura mais discreta, tenta evitar turbulências políticas e desgaste desnecessário em um momento delicado. O embate segue em ebulição nos bastidores, com impacto direto tanto na política quanto no bolso dos brasileiros.
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