Lula enfrenta maior crise política com Congresso e articulação vacila em 2025
em 5 de dezembro de 2025 às 09:01O Palácio do Planalto vive, em 2025, uma das suas tempestades políticas mais intensas desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente, em seu terceiro mandato, encara agora um impasse inédito: aliados históricos do Congresso viraram obstáculos e tanto a Câmara quanto o Senado resolveram endurecer o jogo, ameaçando travar projetos cruciais para a agenda do governo.
A tensão foi parar nos bastidores e se tornou pública quando os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, deixaram de atender ligações de líderes do governo e passaram a exigir do Executivo não apenas cargos estratégicos no sistema financeiro, mas também a liberação de volumosas emendas parlamentares. Tudo isso em pleno ano que antecede a acirrada disputa eleitoral de 2026.
Se você quer se inteirar dos bastidores dessa crise de articulação e entender o que está em jogo para o governo Lula e o futuro do país, acompanhe esta reportagem até o fim.
O que você vai ler neste artigo:
Planeta Brasília em clima de guerra: Motta e Alcolumbre pressionam Lula
A relação já vinha arranhada, mas recentemente atingiu o ápice da desconfiança. Hugo Motta, que comanda um bloco de 275 deputados – controlando mais de metade da Câmara – decidiu emparedar Lula ao entregar a coordenação de projetos estratégicos para membros de oposição. Essa decisão, inclusive, gerou um mal-estar dentro do próprio PT. Para agravar, Motta e Alcolumbre só aceitam negociar com promessas de cargos nas áreas financeiras e com o desbloqueio de quase R$ 27 bilhões em emendas, o que o Planalto tem resistido para não ceder o controle orçamentário.
Alcolumbre, por sua vez, interrompeu o diálogo depois de ser deixado de fora das escolhas para o Supremo Tribunal Federal. Seu descontentamento ocupou espaço nos corredores do Senado e, durante semanas, projetos bilionários seguiram adiante sem o aval governista enquanto indicações importantes ficaram em banho-maria. Para Lula, recuperar essa ponte é fundamental. Tentativas de reconciliação, como reuniões com Gleisi Hoffmann e aproximação direta com Alcolumbre, ainda não surtiram o efeito esperado.
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Retalhação nas votações e desafios do presidencialismo de coalizão
Dentro do Congresso, saiu de moda a fidelidade automática. Parlamentares de legendas do centrão, outrora base de sustentação do governo, aproveitaram o cenário fragmentado para impor pauta própria e desafiar ordens do Planalto. Isso ficou mais claro nas sessões que barraram vetos presidenciais importantes e aceleraram propostas que mexem diretamente nas contas públicas.
Em números: até novembro, o governo havia autorizado apenas R$ 23,7 bilhões em emendas, menos da metade do que estava programado, o que aumentou a tensão. Para cientistas políticos, a atual crise se deve ao estilo unilateral do PT na distribuição de cargos e recursos, frustrando expectativas dos aliados. O modelo de coalizão, que funcionou nos anos 2000, não tem garantido maioria estável em um Congresso desacostumado a submeter interesses.
Congresso fortalecido e o fantasma da eleição de 2026
Outro ingrediente que alimenta a instabilidade é o calendário eleitoral batendo à porta. Tanto oposição quanto antigos aliados já pensam em suas estratégias para 2026. O poder de barganha do Congresso nunca foi tão grande, principalmente com Lula tentando dialogar com blocos heterogêneos, mas sem conseguir apoio integral.
Não bastasse isso, a sombra de Jair Bolsonaro como principal nome da direita segue pairando e mobilizando parte do Legislativo. Para piorar, investigações envolvendo aliados de Alcolumbre e polêmicas sobre indicações ao STF acirraram ainda mais a disputa por espaço nos órgãos de controle.
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A expectativa dentro e fora do Palácio é de que, sem avanços na articulação, novos impasses surjam até que o cenário de 2026 esteja mais claro. Enquanto isso, Lula e sua equipe seguem tentando equilibrar a pressão política com a necessidade de mostrar resultados concretos, especialmente aos eleitores de centro que decidirão a próxima eleição.
Nesse contexto turbulento, a crise de articulação política de Lula é uma amostra de como Brasília segue sendo palco constante de reviravoltas. Se você curtiu nossa análise sobre a instabilidade nos bastidores do governo e não quer perder nenhum lance das próximas movimentações políticas, inscreva-se em nossa newsletter exclusiva para receber em primeira mão as maiores fofocas e bastidores do poder diretamente na sua caixa de entrada.
Perguntas frequentes
Como a crise política afeta a aprovação de projetos no Congresso?
A crise provoca endurecimento na Câmara e no Senado, atrasando ou bloqueando projetos estratégicos do governo por falta de apoio e retaliações políticas.
Por que o Congresso tem mais poder na atual configuração política?
Devido à fragmentação partidária e disputa eleitoral de 2026, blocos parlamentares aumentaram seu poder de barganha, dificultando a formação de maiorias estáveis.
Quais os principais obstáculos enfrentados por Lula na articulação política?
Resistência de aliados históricos na Câmara e Senado, exigência de cargos estratégicos e liberação de emendas bilionárias, além da crise interna no PT.
Como as eleições de 2026 influenciam o comportamento dos parlamentares?
Parlamentares buscam consolidar suas bases e estratégias eleitorais, muitas vezes priorizando interesses próprios ou blocos, fragilizando a fidelidade ao governo.
O que é o presidencialismo de coalizão e como ele impacta o governo Lula?
É um regime onde o presidente depende do apoio de vários partidos no Congresso para governar; no caso de Lula, esse modelo se mostra instável, dificultando decisões e aprovações.