Boulos rebate Zema e garante: Lula não exige privatização da Copasa
em 5 de novembro de 2025 às 09:04Em meio à polêmica sobre o destino da Copasa, Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e figura de peso no PSOL, jogou luz sobre os bastidores da crise. Durante entrevista para a rádio Itatiaia nesta quarta-feira, 5 de junho, Boulos garantiu que o governo federal, sob comando de Lula, é totalmente contrário à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). E jogou um balde de água fria nas declarações da equipe do governador Romeu Zema (Novo), que vinha relacionando a venda da estatal à renegociação da dívida mineira no Propag (Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados).
Boulos foi direto ao ponto: “Zema tem que assumir a responsabilidade pelas decisões dele. Foi ele quem escolheu privatizar a Copasa. O governo federal não impôs, nem defende a privatização do saneamento”. A fala veio no mesmo dia em que a PEC do Referendo – que pode acabar de vez com a exigência de consulta popular antes da venda da estatal – entrou em pauta na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em uma votação pra lá de disputada.
O que você vai ler neste artigo:
Recuando da responsabilidade: disputa política escancarada
A movimentação de Zema para aprovar a privatização tem esbarrado em forte resistência, tanto interna quanto da opinião pública. O governador, aliado ao discurso da gestão e eficiência, argumenta que a privatização é necessária para atrair investimentos ao saneamento mineiro e coloca a culpa no governo federal por supostos entraves financeiros.
No entanto, segundo Boulos, a tentativa de transferir essa responsabilidade para Brasília não encontra respaldo nos documentos do Propag. O acordo, mediado entre Lula e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, prevê alternativas para quitar a dívida estadual até o final de 2026, mas não traz como pré-requisito a venda da Copasa. Boulos reitera: “Nunca foi exigência do governo federal!”.
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Privatização: lições de São Paulo e os riscos para Minas
Boulos também citou a experiência paulista como exemplo de alerta para os mineiros. “Privatizaram a maior companhia de água e esgoto da América Latina, a Sabesp, e o que se viu? Deterioração do serviço e aumento das contas para a população”, alerta o ministro. Nas palavras dele, quando empresas privadas assumem serviços essenciais, o lucro passa à frente da universalização e do investimento.
Sabesp rebate críticas de Boulos
Procurada sobre as declarações, a própria Sabesp apresentou dados para rebater: a companhia argumenta que a desestatização não provocou aumento na tarifa, mas sim leve redução de 0,6% no preço para residências, comércio e especialmente para famílias de baixa renda. A executiva Samanta Souza destacou que São Paulo foi, inclusive, a única capital nacional que registrou queda real na conta d’água neste período.
O dilema do referendo: democracia em jogo na Assembleia de Minas
A votação da chamada PEC do Referendo mexeu com os ânimos na Assembleia. Se for aprovada nesta semana, pode tirar dos mineiros a chance de opinar diretamente sobre a venda da Copasa. O tema inflamou sindicatos, movimentos sociais e partidos de oposição, todos atentos aos desdobramentos e reclamando de atropelo ao debate público.
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Em resumo, a discussão acalorada revela uma disputa de narrativas: de um lado, Zema corre para aprovar privatizações a toque de caixa; do outro, o governo Lula e vozes da esquerda tentam frear a entrega do saneamento mineiro e bancam a defesa do serviço público.
Parece que a novela Copasa ainda deve render muitos capítulos até o fim do ano. Caso você queira acompanhar tudo em tempo real e não perder as próximas bombas do cenário político e das celebridades, aproveite e faça sua inscrição em nossa newsletter para receber fofocas e notícias exclusivas!
Perguntas frequentes
O que é a PEC do Referendo relacionada à privatização da Copasa?
A PEC do Referendo é uma proposta que pode eliminar a obrigatoriedade de consulta popular antes da venda da Copasa, permitindo que a Assembleia decida diretamente sobre a privatização.
Qual o papel do governo federal na privatização da Copasa?
O governo federal, liderado por Lula, se posiciona contra a privatização da Copasa e nega ter exigido a venda para renegociar a dívida estadual.
Por que o governador Romeu Zema defende a privatização da Copasa?
Zema argumenta que a privatização é necessária para atrair investimentos e melhorar a eficiência no saneamento de Minas Gerais, além de usar a venda como argumento para renegociar dívidas.
Quais os riscos citados na privatização de empresas públicas de saneamento?
Segundo críticas, quando empresas privadas assumem o saneamento, pode haver piora na qualidade do serviço e aumento nas tarifas, pois o lucro é priorizado sobre o atendimento universal.
Como a Sabesp respondeu às críticas sobre a privatização e aumento nas tarifas?
A Sabesp afirmou que não houve aumento nas tarifas após a privatização, destacando uma redução de 0,6% especialmente para consumidores residenciais e famílias de baixa renda.