Bolsonaro rejeita ‘anistia light’ e pressiona base por perdão total do 8 de Janeiro
em 29 de setembro de 2025 às 16:59Jair Bolsonaro deixou claro aos aliados: não aceita uma ‘anistia light’ para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Em meio às negociações no Congresso para tentar aliviar as penas dos condenados, o ex-presidente bateu o pé e avisou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que não apoiará propostas que, na visão dele, só beneficiam adversários. A discussão vem causando turbulência entre a base bolsonarista e movimenta bastidores do poder em Brasília.
Nesta reportagem exclusiva, apuramos detalhes dos encontros e da postura firme de Bolsonaro, que mesmo em prisão domiciliar, está ditando o rumo da oposição e embaralhando as cartas no tabuleiro político. Entenda os bastidores dessa disputa e o que está em jogo para o ex-presidente e seus aliados.
O que você vai ler neste artigo:
Bolsonaro barra ‘anistia arranjada’ e mira Supremo
A rejeição de Bolsonaro à anistia parcial não é só questão de orgulho político. Segundo fontes próximas, ele enxerga um movimento orquestrado por setores do Congresso alinhados ao STF, especialmente pelo deputado Paulinho da Força. O relator do projeto de anistia, segundo o ex-presidente, teria sido ‘escolhido pelo Supremo’, o que, para Bolsonaro, deslegitima qualquer acordo.
Temor de perder apoio da base radical
Para ele, aceitar o projeto em debate seria dar um recado de fraqueza à sua base mais fiel. Deputados como Eduardo Bolsonaro exigem uma anistia total – ampla, geral e irrestrita – e nada menos que isso é aceitável. O próprio Valdemar Costa Neto foi alertado por Eduardo sobre os riscos de avançar em uma negociação sem o perdão completo, temendo que isso enfraqueça o núcleo bolsonarista e alimente reações ainda mais fortes contra o STF e o Congresso.
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Crise interna e negociações nos bastidores
O clima dentro do PL não é dos melhores. Valdemar tenta equilibrar interesses distintos: de um lado, deputados preocupados com suas próximas eleições; de outro, a ala radical que não admite concessões. Nos bastidores, interlocutores do partido avaliam que uma redução de pena pode ser interessante do ponto de vista prático, já que as condenações do 8 de janeiro chegaram a 27 anos para alguns dos principais envolvidos, inclusive Bolsonaro, que já enfrenta problemas de saúde.
Disputa acirrada pela narrativa
De um lado, há quem queira garantir a chance de Bolsonaro progredir de regime e evitar que morra na cadeia. De outro, a militância exige resistência máxima e nada de acordos com quem chamam de ‘inimigos do povo’. A proposta de reduzir o tempo de prisão para crimes como golpe de Estado e abolição forçada do Estado democrático de direito ainda gera muitas discussões. O projeto, caso avance, pode cortar praticamente uma década das condenações atuais.
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Enquanto as conversas seguem nos gabinetes de Brasília, Bolsonaro mantém a postura: qualquer gesto pelo perdão precisa sair da oposição, nunca do governo, muito menos do STF. O ex-presidente segue agitando sua base mesmo sob vigilância judicial e mostra ter influência para travar ou impulsionar acordos decisivos.
Independentemente do desfecho, a palavra de ordem no núcleo bolsonarista segue sendo confronto, e não conciliação. Se gostou deste conteúdo e não quer perder nenhuma novidade dos bastidores da política e das principais fofocas de Brasília, cadastre-se em nossa newsletter e receba tudo em primeira mão.
Perguntas frequentes
O que está em jogo na rejeição de Bolsonaro à anistia para os atos de 8 de janeiro?
A rejeição protege a base radical bolsonarista e impede acordos que possam fortalecer adversários políticos, mantendo sua influência na oposição.
Como as negociações da anistia impactam o clima dentro do PL?
Geram conflitos entre deputados preocupados com eleições e ala radical que exige anistia total, dificultando consenso no partido.
Por que o ex-presidente considera o projeto de anistia ilegítimo?
Ele acredita que o projeto foi orquestrado por setores alinhados ao STF e tem relator indicado pelo Supremo, o que deslegitima o acordo na visão dele.
Quais são as propostas em debate para reduzir as penas dos condenados?
A proposta visa reduzir o tempo de prisão, cortando cerca de uma década das condenações, possibilitando progressão de regime.
Qual é a posição de Bolsonaro sobre a origem do perdão aos condenados?
Bolsonaro defende que qualquer gesto de anistia deve partir da oposição, nunca do governo ou do STF, reforçando sua posição de confrontação.