Live Nation ameaça locais e tira Billie Eilish de arena: bastidores à mostra
em 5 de março de 2026 às 12:16Uma ligação tensa, ameaças veladas e a estrela Billie Eilish envolvida em uma polêmica de alta voltagem: esse é o cenário que veio à tona no julgamento antitruste que coloca Live Nation e Ticketmaster sob o escrutínio das autoridades norte-americanas. O Brooklyn Barclays Center virou palco de uma verdadeira batalha de gigantes por trás das cortinas do entretenimento, expondo estratégias nada amigáveis entre as grandes empresas de venda de ingressos e promoção de shows.
Tudo começou quando, em 2021, executivos do Barclays Center resolveram trocar de fornecedor de ingressos: deixaram a Ticketmaster, tradicional parceira da arena, e escolheram a concorrente SeatGeek, que oferecia tecnologia superior e melhores condições financeiras. O CEO da BSE Global, John Abbamondi, ficou responsável pelo anúncio e acabou gravando uma conversa ‘quente’ na qual relatou uma clara retaliação: a ameaça de perda dos shows da Live Nation. O caso reacendeu o debate sobre o poder de monopólio dessas gigantes e já causa burburinho nos bastidores da indústria musical.
O que você vai ler neste artigo:
Bastidores da troca: SeatGeek vs Ticketmaster
A decisão do Barclays Center de migrar para a SeatGeek mexeu com estruturas antigas. Por trás do anúncio, Abbamondi contou que a oferta financeira da SeatGeek era muito mais atraente, além de tecnologicamente mais avançada. Havia até participação acionária na mesa, deixando a alternativa difícil de recusar. Mas a resposta de Michael Rapino, CEO da Live Nation, mostrou que dinheiro não era a única moeda em jogo.
Durante a ligação, Rapino deixou implícito que, ao abandonar a Ticketmaster – empresa irmã da Live Nation – o Barclays Center poderia perder shows de gigantes da música. Uma fala que virou munição no julgamento que aponta possíveis práticas monopolistas do grupo. Logo após a decisão, o Barclays sentiu o peso da ameaça: shows de grandes nomes simplesmente desaparecendo do calendário.
O caso Billie Eilish: a retaliação na prática
Se havia alguma dúvida sobre o impacto das ameaças, ela caiu por terra quando Billie Eilish retomou sua turnê pós-pandemia. Esperava-se que ela se apresentasse no Barclays, como planejado antes dos cancelamentos de 2020. Mas, naquela temporada, a popstar optou por se apresentar na UBS Arena – local concorrente e recém-inaugurado, justamente como Rapino alertou que poderia acontecer.
Perguntando sobre a escolha, o Barclays ouviu que se tratava de uma “decisão do artista”. Mas nos bastidores, Abbamondi e equipe interpretaram o movimento como resultado do braço de ferro com a Live Nation. Diante da queda no número de shows promovidos pela empresa, o impacto financeiro foi imediato. Para completar, após poucos meses com a SeatGeek, o executivo-chefe foi demitido e, em menos de um ano, o Barclays acabou voltando à Ticketmaster.
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Pressão e medo de retaliação: o dilema das arenas
Não foi só o Barclays que sentiu o peso do poder da Live Nation. A arena do Minnesota Wild, outro local citado no processo, também pensou em trocar a Ticketmaster pela SeatGeek após proposta que renderia US$ 1 milhão extra por ano. O temor de represálias, porém, falou mais alto: um executivo chegou a mencionar que todos os shows poderiam ser desviados para a concorrente, o Target Center, se a mudança fosse adiante.
Mesmo com bônus tentadores e ‘seguro de retaliação’ proposto pela SeatGeek, o medo de perder os grandes eventos fez as arenas recuarem. Afinal, além do impacto nos cofres, pesa também a moral da equipe e a reputação do local nesse jogo de bastidores tão disputado. A suposta ameaça se mostrou intransponível, destacando como a influência de Live Nation–Ticketmaster ultrapassa o simples fornecimento de ingressos.
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Enquanto o júri avalia se realmente houve abuso de poder e ameaça credível, a indústria de shows observa atenta. Decisões nos tribunais podem mudar o equilíbrio entre artistas, promotores e arenas — e quem dá o tom agora é o próprio bastidor do entretenimento global.
No calor dessa disputa, fica nítido como bastidores, contratos e ameaças veladas interferem diretamente no destino dos maiores shows do mundo. Todo esse enredo reforça o poder que poucas empresas exercem sobre uma cadeia lucrativa e apaixonante como a dos espetáculos ao vivo. Se você se interessou por essas histórias de bastidor, inscreva-se em nossa newsletter para receber fofocas quentes e exclusivas do universo do entretenimento em 2026.
Perguntas frequentes
Qual é o motivo do julgamento antitruste envolvendo Live Nation e Ticketmaster?
O julgamento investiga práticas monopolistas e ameaças feitas pela Live Nation contra arenas que tentaram trocar a Ticketmaster por concorrentes.
Como a mudança do Barclays Center para a SeatGeek afetou os shows?
Após a troca, grandes shows desapareceram do calendário do Barclays Center, indicando uma possível retaliação da Live Nation.
Por que Billie Eilish mudou a arena de sua turnê?
A cantora optou por se apresentar na UBS Arena, concorrente do Barclays Center, em meio à disputa entre promotores e fornecedores de ingressos.
Quais foram as consequências para o Barclays Center após trocar a Ticketmaster?
O Barclays sentiu impacto financeiro, perda de shows importantes, demissão do CEO e retornou à Ticketmaster em menos de um ano.
Como outras arenas reagiram à situação envolvendo Live Nation e Ticketmaster?
Algumas arenas desistiram de trocar fornecedores por medo de retaliação, o que demonstra o poder e influência da Live Nation no mercado.