Segredos dos bastidores: como foi criada a direção de arte de ‘O agente secreto’
em 21 de fevereiro de 2026 às 10:43Se você achou surpreendente a atmosfera de ‘O agente secreto’, prepare-se: nada ali é por acaso. Os cenários marcantes do filme, que já colocou Kléber Mendonça Filho entre os favoritos do Oscar 2026, são resultado de uma engenharia artística de tirar o fôlego. Logo na cena inicial vemos Marcelo (Wagner Moura) chegando de Fusca a um posto de gasolina inusitado, cenário criado do zero só para o longa. Essa criatividade não parou por aí: muitos outros espaços icônicos do filme são fruto de uma reconstituição minuciosa sob comando do mineiro Thales Junqueira, nome de peso na direção de arte do cinema nacional. Continue lendo para descobrir curiosidades imperdíveis dos bastidores dessa superprodução.
Thales, radicado no Recife desde criança, não apenas aceitou o enorme desafio de ambientar a trama na capital pernambucana dos anos 1970, como trouxe todo seu repertório de experiências para dar vida ao roteiro. O diretor de arte já assinou trabalhos em filmes como ‘Bacurau’ e ‘Aquarius’, reforçando sua reputação como um mestre na reconstrução de realidades do nosso cinema.
O que você vai ler neste artigo:
Bastidores da recriação: o trabalho artesanal por trás dos cenários
Engana-se quem pensa que encontrar locais prontos para as gravações facilitaria as coisas. O posto de gasolina da abertura, por exemplo, nunca existiu. Ele foi construído em tempo recorde no meio de um terreno baldio, à beira de canaviais. Outras locações, como o antigo Aeroporto dos Guararapes e o Instituto Médico Legal, também precisaram ser erguidas especialmente para as filmagens, já que suas versões originais foram desativadas ou descaracterizadas com o passar dos anos.
Segundo Thales Junqueira, a modernização (nem sempre planejada) do Recife deixou os cenários urbanos irreconhecíveis. A solução foi apostar em referências 100% brasileiras e uma coleta minuciosa de imagens históricas. Clássicos do nosso cinema, como ‘Pixote – a lei do mais fraco’ e ‘Lúcio Flávio, o passageiro da agonia’, deram o tom visual que perpassa todo o roteiro. E para mergulhar ainda mais na autenticidade, filmagens foram feitas em espaços preservados como o lendário Cine São Luiz e o Ginásio Pernambucano, um dos prédios mais antigos do Brasil, adaptados com técnicas de intervenção que respeitaram sua história e arquitetura.
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Como a pesquisa transformou arte em realidade
Uma das grandes apostas para garantir veracidade à direção de arte foi o trabalho integrado das equipes de figurino, cenografia e documentação. A pesquisa envolveu desde visitas a exposições fotográficas sobre a Recife dos anos de chumbo até análise de álbuns familiares da década de 1970. Dessa investigação minuciosa surgiram detalhes que fazem toda a diferença em cena: móveis, joias, objetos de decoração e até as cores predominantes nas casas brasileiras da época.
Revivendo um Brasil esquecido pelos próprios brasileiros
Para Thales, recriar o Recife antigo foi também um resgate emocional. O centro histórico da cidade já não ostenta o prestígio e os investimentos de décadas atrás, mas suas ruas, praças e fachadas ainda guardam memórias importantes da nossa identidade. O maior desafio foi harmonizar a necessidade artística com as restrições de prédios tombados, exigindo técnicas especiais de pintura e decoração temporária, como o uso de pigmentos naturais.
O resultado é visível em cada quadro de ‘O agente secreto’: mesmo cenários totalmente fabricados carregam o peso histórico e a complexidade social do Brasil dos anos 1970. O longa, aliás, tem conquistado público e crítica não apenas pela trama, mas também pela imersão que só uma direção de arte cuidadosa consegue entregar.
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Se você gosta de saber como grandes filmes brasileiros são feitos, essa produção é um prato cheio. O meticuloso trabalho por trás da direção de arte mostra que, sim, ainda é possível emocionar plateias com histórias ambientadas num país tão rico e contraditório como o nosso. Quer continuar por dentro das melhores fofocas e curiosidades do cinema nacional? Assine nossa newsletter e receba tudo em primeira mão!
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Perguntas frequentes
Quem é o diretor de arte responsável pelos cenários de ‘O agente secreto’?
O diretor de arte é Thales Junqueira, conhecido por seu trabalho em filmes brasileiros como ‘Bacurau’ e ‘Aquarius’.
Quais locais foram reconstruídos especialmente para as filmagens?
Locais como o posto de gasolina, o antigo Aeroporto dos Guararapes e o Instituto Médico Legal foram construídos especialmente para o filme.
Como a modernização do Recife impactou a direção de arte do filme?
A modernização descaracterizou os cenários originais, exigindo a recriação de espaços e uso de referências históricas para preservar a autenticidade.
Quais técnicas foram usadas para respeitar os prédios históricos durante as filmagens?
Foram utilizadas técnicas especiais de pintura e decoração temporária, como pigmentos naturais, para respeitar a preservação dos prédios tombados.
De que forma a pesquisa contribuiu para a ambientação do filme?
A pesquisa integrou equipes de figurino, cenografia e documentação, com visita a exposições fotográficas e análise de álbuns familiares da década de 1970 para criar detalhes autênticos.