Exportações para os EUA em 2024: brasileiras sentem impacto do tarifaço histórico
em 15 de agosto de 2025 às 08:01Um choque no comércio exterior brasileiro: em 2024, nada menos que 33,4% das exportadoras nacionais venderam para os Estados Unidos, de acordo com dados oficiais. O porcentual impressiona, já que das 28,6 mil empresas brasileiras que fazem negócios lá fora, cerca de 9,5 mil fecharam acordos com o mercado norte-americano. Os números mostram o peso dos EUA para quem exporta do Brasil – e agravam a tensão diante da recente tarifa extra de 50% imposta por lá.
O volume de exportações para o território norte-americano atingiu a marca de US$ 37,8 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Só que esse cenário promissor virou pauta delicada após a entrada em vigor do novo tarifaço, que mira principalmente as exportações de bens do país.
O que você vai ler neste artigo:
Tarifaço dos EUA muda o jogo para empresas brasileiras
A tarifa de 50% sobre mercadorias que cruzam do Brasil para os Estados Unidos entrou em vigor em agosto de 2024. Com a canetada da Casa Branca, pelo menos 35,9% dos produtos brasileiros exportados foram diretamente atingidos, gerando apreensão entre empresários e autoridades. A lista de exceções contempla aproximadamente 700 itens, incluindo aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro.
Segundo o Mdic, as empresas mais impactadas atuam nos segmentos de máquinas e equipamentos, além de madeiras processadas. É um baque, especialmente para companhias médias e grandes, que lideraram as exportações — responsáveis, sozinhas, por US$ 37,2 bilhões em negócios. Microempresas, MEIs e pequenos negócios somaram juntos pouco mais de US$ 527 milhões em exportações, mas também sentem o impacto do aumento de custos e da concorrência agravada.
Déficit comercial histórico com os Estados Unidos
Com tantos obstáculos, o desequilíbrio nos resultados chama atenção. O déficit na balança comercial bilateral ultrapassou US$ 28 bilhões em 2024, considerando bens e serviços, aponta Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior. Foram US$ 21 bilhões negativos na balança de serviços e outros US$ 7 bilhões na de bens. Os números revelam um problema estrutural: apesar de exportar volumes consideráveis, o Brasil compra mais do que vende dos EUA.
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Governo lança pacote emergencial para socorrer exportadores
Diante da pressão, o governo brasileiro se mexeu rápido. Um novo pacote de medidas foi anunciado para tentar conter os danos e dar fôlego às empresas prejudicadas pelo tarifaço. Entre os principais pontos está a prorrogação de prazos para exportação de mercadorias com insumos beneficiados pelo regime de drawback, e o diferimento de tributos federais por até dois meses para quem mais sofreu com as novas taxas.
Os empresários também ganharam uma linha extra de crédito de R$ 30 bilhões via Fundo Garantidor de Exportações (FGE), sendo o acesso condicionado à manutenção de empregos. Além disso, a União e os governos estaduais e municipais passaram a poder adquirir parte dos produtos que iam originalmente para o mercado americano, distribuindo-os, por exemplo, em merendas escolares ou abastecendo a rede pública de saúde.
Reação do mercado e desafios à vista
Com tudo isso, a reação dos exportadores foi de cautela. Muitos segmentos buscaram alternativas, avaliando outros mercados-alvo para os seus produtos. A mobilização do governo foi vista como positiva, mas o setor cobra medidas estruturais para aumentar a competitividade internacional – pauta que promete ocupar boa parte dos debates econômicos deste ano.
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No fechamento do balanço, 64,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos seguem competindo com produtos de outros países em condições semelhantes; os olhos agora se voltam para as próximas movimentações diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington.
O aumento das tarifas americanas despontou como um obstáculo de peso para os exportadores brasileiros em 2024. O impacto foi sentido em diferentes setores, especialmente entre as empresas que tinham nos EUA seu principal comprador. Para acompanhar as próximas novidades quentes do cenário de exportações e não perder nenhum detalhe das principais fofocas do mundo dos negócios, inscreva-se agora mesmo em nossa newsletter!
Perguntas frequentes
Quais são as principais medidas do pacote emergencial para exportadores brasileiros?
O pacote inclui prorrogação de prazos de exportação com regime de drawback, diferimento de tributos federais por até dois meses e R$ 30 bilhões em crédito via Fundo Garantidor de Exportações.
Quais produtos brasileiros estão isentos da tarifa extra de 50% imposta pelos EUA?
Cerca de 700 itens estão isentos, entre eles aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro.
Como funciona o regime de drawback para exportadores?
O drawback permite a suspensão ou isenção de tributos na importação de insumos que serão usados em produtos exportados, reduzindo custos e ampliando competitividade.
Que percentual das exportações brasileiras foi afetado pelo tarifaço dos EUA?
A tarifa extra de 50% recaiu sobre 35,9% do total das exportações brasileiras aos Estados Unidos.
Como o déficit comercial com os EUA impacta a economia do Brasil?
O déficit bilateral de mais de US$ 28 bilhões em 2024 pressiona as contas externas e revela a dependência brasileira de importações americanas, afetando a balança de serviços e bens.