Prefeitura de Coribe vira alvo do MPBA após licitação milionária para eventos em 2026
em 2 de agosto de 2026 às 12:46O Ministério Público da Bahia colocou a Prefeitura de Coribe, no oeste do estado, no centro de uma nova polêmica: a contratação de quase R$ 2 milhões em estruturas gigantescas para festas, que bateu de frente com a realidade do pequeno município. O pregão milionário disparou alertas e, nesta sexta-feira, resultou em uma recomendação formal do promotor Gilson Sacramento Amancio da Silva para que o processo seja imediatamente suspenso. O motivo? Dimensões e cifras de fazer inveja a grandes festivais, mas totalmente desproporcionais para uma cidade de pouco mais de 15 mil habitantes.
Segundo o MPBA, a Ata de Registro de Preços nº 22/2026, derivada do Pregão Eletrônico nº 15/2026, previa estruturas dignas de festival internacional — vai de centenas de tendas e 800 grades de contenção a 60 geradores potentes, num porte próximo ao do Rock in Rio. O escândalo ganhou contornos ainda mais graves quando veio à tona o perfil da empresa contratada: capital social tímido diante das cifras envolvidas. Confira os desdobramentos e entenda por que esse pregão deu o que falar na Bahia.
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Estruturas gigantes em meio a uma cidade pequena
A contratação de estruturas por valores tão elevados chamou atenção até dos mais otimistas sobre o potencial de festas em Coribe. A quantidade de geradores locados sozinha chegou a ser comparada à metade da estrutura utilizada pelo Rock in Rio em 2024 — festival que movimenta mais de 100 mil pessoas por dia no Rio de Janeiro. Na cidade baiana, a população estimada gira em torno de 15 mil, deixando evidente a falta de proporcionalidade em relação à demanda local.
No edital, estão previstos palcos de grande porte, centenas de tendas e outros itens para eventos, montando um cenário que foge totalmente do padrão de festas interioranas. Para analistas, a licitação parece mirar um evento de porte metropolitano, longe da realidade de Coribe, que jamais teve histórico de festas em uma escala sequer próxima desse orçamento. A desconfiança cresceu ainda mais diante das alegações de dificuldades financeiras do município em outras áreas — uma contradição e tanto.
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Empresa vencedora e a polêmica do capital social
Outro ponto levantado pelo Ministério Público refere-se à vencedora do certame, a Bida Show Ltda. Enquanto a prefeitura apostou alto no tamanho do evento, a empresa contratada pareceu pequena demais para tanto: declarou capital social de apenas R$ 10.000, quantia considerada incompatível para assumir uma empreitada de quase R$ 2 milhões.
Essa disparidade levantou suspeitas sobre a real capacidade operacional e financeira da Bida Show Ltda., além de servir de argumento para os questionamentos do MPBA sobre a lisura da licitação. Para completar, a própria prefeitura já havia declarado limitações orçamentárias em processos judiciais, alegando não ter recursos para implantar portais de transparência. Ainda assim, liberou mais de R$ 1,1 milhão para festas locais, com cifras acima dos valores registrados nos festejos juninos dos anos anteriores.
MPBA cobra explicações e veta contratos
Com a recomendação expedida, a administração municipal agora tem cinco dias para apresentar respostas sobre a suspensão do processo. O MPBA determinou a proibição de contratos derivados desta licitação tanto para a prefeitura quanto para a Bida Show Ltda., e já alertou previamente a artistas, fornecedores e produtoras de eventos para não assinarem acordos sob risco de responsabilização judicial.
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O órgão investiga possíveis danos ao patrimônio público e promete adotar medidas enérgicas, caso encontre indícios de desvio de finalidade no uso de recursos municipais. Enquanto isso, a população de Coribe segue aguardando um desfecho e as verdadeiras intenções por trás dessa contratação de “estrutura de festival”.
Diante desses acontecimentos, a expectativa é grande sobre os próximos passos da Prefeitura de Coribe e do Ministério Público. O episódio revela como a atenção redobrada a licitações pode evitar prejuízos aos cofres públicos, especialmente em cidades pequenas onde cada recurso faz diferença.
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