Trump desafia regras da OMC e cria tensão no comércio internacional em 2025
em 4 de agosto de 2025 às 08:04O clima esquentou no cenário mundial do comércio neste mês de agosto de 2025. O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, deixou de lado a discrição e foi direto ao ponto: anunciou tarifas de importação pesadas contra dezenas de países, incluindo o Brasil, que agora enfrentará uma taxa de 50% sobre parte de suas exportações. O movimento, que já gerou reações intensas de parceiros comerciais, foi encarado pelo Itamaraty como um verdadeiro “ataque sem precedentes” à ordem global ditada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
A notícia pegou diversos setores de surpresa e expôs uma questão-chave: Trump estaria rasgando, de vez, o livro de regras que sustenta o comércio internacional há décadas? Os discursos, decisões e bastidores das negociações confirmam a pressão crescente e a incerteza sobre o rumo das relações comerciais mundiais. Continue a leitura para conhecer os detalhes, os bastidores diplomáticos e o que especialistas projetam para o futuro desse impasse geopolítico.
O que você vai ler neste artigo:
A escalada das tarifas unilaterais e o isolamento americano
Logo nas primeiras semanas de 2025, Trump já havia deixado claro que a sua política comercial seria marcada pelo enfrentamento. A ofensiva ganhou corpo em julho, quando novos decretos trouxeram datas para taxação de produtos vindos do Brasil, China, Canadá, México e União Europeia. O Canadá já sente no bolso desde 1º de agosto; o Brasil, por sua vez, começa a sentir a pressão das novas tarifas a partir do dia 6 deste mês.
A lista de países e setores afetados cresce rápido. A estratégia é clara: pressionar governos estrangeiros a negociar acordos bilaterais, em vez de priorizar o tradicional multilateralismo da OMC. Só que, ao fazer isso, os EUA não apenas criam tensão com seus principais parceiros, mas também desafiam os próprios fundamentos do comércio internacional, abrindo uma ferida exposta na credibilidade da OMC.
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O que diz a OMC e como o Brasil entrou na mira de Trump
No centro das críticas está a imposição de tarifas distintas para cada país, algo que vai de encontro ao princípio da Nação Mais Favorecida, consagrado nos acordos da OMC. Ao propor taxas específicas (30% para chineses, 50% para brasileiros) e fechar acordos parciais, Washington contraria normas estabelecidas desde a década de 40. Os argumentos usados pelo governo americano para sustentar as decisões, baseados em segurança nacional e política interna, não encontram amparo entre especialistas nem entre outros governos, como destaca a advogada norte-americana Kathleen Claussen.
O Brasil, em particular, sofreu com uma retaliação política após as críticas de autoridades ao governo americano e à condução das negociações. Mesmo tendo apresentado superávit na balança comercial com os EUA em 2024, o país foi usado como “exemplo” de endurecimento por Trump, que quer mostrar força sem abrir mão do discurso nacionalista. A tendência, segundo analistas, é que a crise se agrave caso não haja resposta coordenada à altura por parte dos outros membros da OMC.
Especialistas apontam para enfraquecimento do sistema multilateral
Conversando com professores e advogados especializados em comércio global, a avaliação é praticamente unânime: os Estados Unidos estão sim violando regras centrais da OMC e arrastando outros países para uma nova dinâmica comercial, centrada em acordos bilaterais. Para David Collins, da City St. George’s, University of London, é pouco provável que o sistema volte nos próximos anos a ser o que era antes de Trump.
Apesar disso, há quem enxergue um cenário menos apocalíptico. Enquanto Trump faz pressão máxima, boa parte do resto do mundo resiste e tenta preservar a estabilidade multilateral. Resta saber se esse esforço resistirá ao isolamento americano — especialmente levando em conta que os EUA ainda são um dos principais financiadores da OMC.
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A ascensão de tarifas unilaterais por parte de Trump em 2025 não mexeu só com Brasília, Pequim, Ottawa e Bruxelas. Ela jogou luz sobre o quanto o comércio internacional pode ser imprevisível quando grandes potências decidem jogar por outras regras. Ainda não se sabe quem ganha ou perde essa batalha, mas uma coisa é certa: o papel dos EUA na OMC nunca esteve tão em xeque quanto agora.
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Perguntas frequentes
Por que o Canadá foi afetado pelas tarifas antes do Brasil?
Os decretos de Trump estabeleceram datas diferentes: o Canadá começou a pagar as novas taxas em 1º de agosto de 2025, enquanto o Brasil só entrou na lista em 6 de agosto, seguindo a estratégia de escalonamento americano.
Como o Brasil pode recorrer contra essas tarifas na OMC?
O Brasil pode solicitar a formação de um painel de disputa na OMC para avaliar a legalidade das medidas e, se comprovada a violação, negociar compensações ou solicitar sanções contra os EUA.
O que motiva os Estados Unidos a preferirem acordos bilaterais em vez do multilateralismo?
A negociação bilateral dá aos EUA maior controle sobre cláusulas e prazos, abre brechas para impor condições mais favoráveis e evita processos longos e imprevisíveis nos fóruns multilaterais.
Quais setores brasileiros sofreram mais com a tarifa de 50%?
Foram mais afetados setores como aço, carne bovina, frutas e soja, que perderam competitividade de preço no mercado americano devido ao aumento abrupto das taxas de importação.
Como o argumento de segurança nacional sustenta as novas tarifas?
Os EUA alegam riscos à segurança nacional para justificar exceções, mas esse dispositivo na OMC é restrito a casos de defesa e não pode ser usado indiscriminadamente para fins protecionistas.