Trump pode repetir na crise do Irã o sucesso das negociações na Venezuela em 2026?
em 7 de março de 2026 às 19:01O nome de Donald Trump voltou a agitar não só os bastidores de Washington, mas também o cenário internacional, após o surpreendente desfecho da crise na Venezuela. Desde a prisão de Nicolás Maduro, o presidente americano se gaba de ter virado o jogo político no país vizinho. Agora, cresce a expectativa (e o suspense) se Trump vai conseguir aplicar o mesmo roteiro no Irã pós-eliminação do aiatolá Ali Khamenei. Mas será que existe chance real?
O cenário esquenta no Oriente Médio com o vácuo de poder deixado após pesadas ofensivas lideradas por Estados Unidos e Israel, que atingiram em cheio o alto escalão do regime iraniano. Enquanto isso, Trump sugere, nos bastidores, que um acordo como o feito na Venezuela é questão de tempo. Mas especialistas e políticos de ambos os lados sabem que, desta vez, o buraco é mais embaixo. Continue lendo para entender os desafios e bastidores dessa crise internacional.
O que você vai ler neste artigo:
O ‘caso Maduro’: modelo de transição ou ponto fora da curva?
A arrancada de Trump no tabuleiro internacional começou com a Venezuela. Em questão de dias, uma operação de precisão retirou Maduro do poder e colocou Delcy Rodríguez, anteriormente vice-presidente, no comando interino. O pacto costurado com aliados do próprio regime garantiu estabilidade e abriu caminho para negociações que favoreceram interesses comerciais dos EUA.
Chama atenção a rapidez e relativa facilidade da solução, que evitou maiores conflitos internos. O segredo teria sido negociar de dentro para fora, preservando parte do aparelho estatal em troca de cooperação política e econômica. Trump chegou a afirmar, em entrevista recente, que deseja estar “envolvido na escolha do sucessor iraniano como fez na Venezuela”. Mas será possível repetir essa fórmula?
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Irã: fortalezas e obstáculos de um gigante geopolítico
A realidade iraniana é bem diferente. O país persa tem quase quatro vezes a população da Venezuela, além de Forças Armadas muito mais preparadas, arsenal bélico sofisticado e sociedade marcada por diversidade étnica e religiosa.
Outro elemento-chave é a arquitetura do poder: ao contrário da centralização vista em Caracas, Teerã se sustenta numa intrincada teia de instituições militares, religiosas e políticas, que garantem a continuidade do regime mesmo diante da ausência do líder supremo. A Assembleia de Peritos, responsável por escolher o novo aiatolá, é apenas um exemplo de como o sistema se protege contra rupturas súbitas.
Como destaca o pesquisador iraniano-americano Sina Toosi, “eliminar o chefe não bastou para desmobilizar a máquina estatal iraniana; militares e líderes clericais seguem atuantes, sem aceno para um pacto de transição como o venezuelano”. A possibilidade de acordos internos é enevoada, já que setores-chave enxergam as pressões externas como ameaça à própria existência do Estado. E, nesta equação, garantir a adesão dos Guardas Revolucionários ou do clero tradicional parece missão quase impossível.
O peso da diversidade e a sombra da guerra civil
Outro componente que pode complicar qualquer tentativa de transição é a complexidade étnica e religiosa do Irã. De curdos a árabes, baluches e azeris, boa parte dessas minorias está concentrada em regiões historicamente sensíveis, o que pode abrir espaço para focos de instabilidade ou mesmo tentativas separatistas. Qualquer vacilo na costura política pode acender rastilhos longos em diversas fronteiras do país.
Interesses externos e o fator Israel: muito além da Venezuela
Se a Venezuela poderia ser considerada um “quintal” geoestratégico para os americanos, o Irã é o centro de uma encruzilhada entre potências globais. O país não só controla o acesso ao vital Estreito de Ormuz, fundamental para o mercado de petróleo, como mantém influência em toda a região por meio de grupos aliados.
Além disso, a postura do governo israelense é determinante. Benjamin Netanyahu já deixou claro que não aceita qualquer acordo que garanta sobrevida para o regime dos aiatolás, postura que pode travar qualquer costura diplomática à moda venezuelana. E aqui há um trunfo extra: o lobby israelense é fortíssimo na Casa Branca, colocando na balança o desejo de resultado imediato, seja à custa de caos ou de uma transição controlada.
Pelos corredores de Washington, cresce a avaliação de que estender a guerra pode sair caro para todos, impactando economia, comércio global e segurança energética, para além das fronteiras iranianas. Apesar do otimismo de Trump em buscar um novo líder cooperativo, a realidade do Irã exige muito jogo de cintura e articulação bem mais robusta do que foi necessário na crise venezuelana.
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Se você se surpreendeu com as reviravoltas dessa crise e curte análises quentes sobre bastidores do poder, vale ficar de olho nos próximos capítulos. O xadrez iraniano se mostra bem mais complexo, e repetir o “caso Delcy” no Oriente Médio pode ficar só no discurso. E aí, acha que Trump consegue dar essa cartada dobrada?
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Perguntas frequentes
Qual foi a estratégia de Trump na Venezuela para remover Maduro do poder?
Trump apostou em negociações internas, preservando parte do aparelho estatal para garantir uma transição com estabilidade política e econômica.
Por que a situação no Irã é mais complexa que na Venezuela?
O Irã tem uma população maior, forças militares mais preparadas, diversidade étnica e religiosa e uma estrutura de poder muito mais complexa e resistente a rupturas súbitas.
Qual o papel dos Guardas Revolucionários e do clero no regime iraniano?
Eles são pilares do regime e tendem a resistir a acordos de transição que ameacem a continuidade do atual sistema político.
Como a diversidade étnica no Irã pode influenciar a estabilidade do país?
Minorias étnicas concentradas em regiões sensíveis podem gerar conflitos internos ou até movimentos separatistas caso haja fragilidade política.
Qual a influência de Israel na política dos EUA em relação ao Irã?
Israel exerce forte pressão e lobby na Casa Branca, o que pode dificultar acordos que favoreçam a permanência do regime iraniano.