Ex-correspondente revela bastidores tensos e silêncio após queda de Maduro
em 12 de março de 2026 às 09:16O fim do governo de Nicolás Maduro pegou Caracas de surpresa na madrugada do último sábado, provocando um silêncio sepulcral nas ruas da capital venezuelana. Nem fogos, nem festas: o clima na cidade revelou um sentimento coletivo de cansaço e apreensão, como conta o experiente jornalista argentino Eduardo Davis, ex-correspondente internacional que acompanhou de perto décadas da política local.
Morador de Caracas por 16 anos e profundo conhecedor dos bastidores venezuelanos, Davis hoje divide seu tempo entre Brasília e contatos diários com famílias, autoridades e colegas de profissão que estão no olho do furacão. A impressão dele é clara: “O venezuelano não comemora a queda de Maduro porque está exausto demais – tanto do chavismo quanto de promessas vazias da oposição.”
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Manhã gelada em Caracas: o silêncio que diz tudo
Quem esperava um levante popular, com bandeiras e gritos de liberdade, se surpreendeu com a calmaria até estranha desse novo capítulo da história venezuelana. Segundo Davis, o povo está anestesiado após anos de dificuldades, inflação fora de controle e idas e vindas de lideranças que, para muitos, só mudam a cara do problema. “Vi a chegada do Hugo Chávez, acompanhei seu desdobramento para Maduro e, agora, testemunho este vazio. Faltam forças para festas quando há tanta incerteza pela frente”, pontua.
Examinar o comportamento do venezuelano nesse momento tem sido tarefa de muitos analistas. As ruas estão tranquilas, mas o clima é de quem pisa em ovos, ainda mais após o bombardeio recente que acordou milhares no susto. Com a cidade tentando se recompor diante desta nova realidade política, a desconfiança reina: será que agora vai?
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Bastidores revelam jogo de acordos entre EUA e governo interino
Davis revela que as movimentações decisivas da queda de Nicolás Maduro foram marcadas por negociações secretas entre as potências. O jornalista afirma que ninguém com quem conversou duvida de que houve um acordo entre o governo dos Estados Unidos e Delcy Rodríguez, presidente interina. Os detalhes, porém, seguem trancados a sete chaves.
A atuação dos Estados Unidos tem gerado reações mistas em todo o continente. “Trump agora administra a Venezuela de fora, e isso incomoda até a oposição, que antes via o americano como salvador”, explica o jornalista. Segundo Davis, mesmo lideranças opositoras veem com ressalvas a rapidez das mudanças e os motivos dos envolvidos. O episódio também resgata o temor de intervenção em outros países vizinhos, como a Colômbia, especialmente em tempos de eleição por lá.
O receio de uma América do Sul sob tensão
As declarações recentes do ex-presidente americano Donald Trump sobre uma possível investida na Colômbia ligaram o sinal de alerta geral. No contexto eleitoral colombiano, Davis avalia que tais ameaças soam muito mais como manobra política do que risco real de conflito. A preocupação, entretanto, é legítima: “Trump pode usar o momento para influenciar também eleições em países-chave, como o Brasil”, diz o jornalista.
A queda de Maduro já começou a afetar relações comerciais na região, incluindo a expectativa do Brasil em derrubar antigas barreiras tarifárias. Mas, segundo Davis, a guinada política ainda precisa se provar sólida antes de qualquer reaproximação econômica real.
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O episódio escancara a delicada situação dos venezuelanos, mergulhados em silêncio, cautela e um cansaço de quem só quer estabilidade.
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Perguntas frequentes
Quem é Nicolás Maduro e qual seu papel na Venezuela?
Nicolás Maduro é o ex-presidente da Venezuela, cujo governo enfrentou diversas crises econômicas e políticas durante seus mandatos.
Como o fim do governo Maduro afetou a população venezuelana?
A população demonstrou um sentimento de cansaço e apreensão, com silêncio nas ruas e ausência de comemorações, refletindo o desgaste político e social.
Quais os sinais de influência dos Estados Unidos na saída de Maduro?
Segundo análises, houve negociações secretas entre o governo dos EUA e autoridades da Venezuela, indicando uma participação significativa no processo político.
Qual o impacto da situação venezuelana nos países vizinhos?
A instabilidade na Venezuela tem gerado preocupações sobre intervenções e influência política, especialmente em países como Colômbia e Brasil.
Por que a população não comemorou a queda do governo Maduro?
Devido à exaustão decorrente de anos de crises, promessas não cumpridas e incertezas quanto ao futuro político do país.