Tarifas de Trump impulsionam Lula em 2025: sucesso ou trégua passageira?
em 7 de agosto de 2025 às 16:40Loucuras políticas e embates internacionais voltaram a esquentar o cenário brasileiro em 2025. Quando tudo parecia empacar para Lula, devido às pesquisas de opinião desfavoráveis, uma reviravolta no tabuleiro internacional trouxe fôlego inusitado ao seu governo. As novas tarifas de Donald Trump sobre produtos brasileiros, anunciadas em pleno mês de julho, ajudaram Lula a recuperar terreno, mostraram seu lado combativo e alimentaram discussões sobre soberania, de olho na eleição de 2026.
A tensão entre os dois países rapidamente virou munição política. Enquanto seus oponentes se revezavam na crítica à sua política externa, Lula foi à TV defender a autonomia nacional, acusar Trump de interferência e até chamar aliados do rival de “traidores da pátria”. O resultado? Um suspiro positivo nos números de aprovação, mas com o alerta de que o desafio é não deixar esse efeito evaporar diante dos riscos econômicos que vêm pela frente. Continue lendo para entender como o episódio impactou a imagem do presidente e por que o cenário para 2025 segue agitado.
O que você vai ler neste artigo:
Tarifas americanas: o combustível inesperado a favor de Lula
Quando Donald Trump bateu o martelo e impôs tarifas de 50% sobre milhares de produtos brasileiros, o estardalhaço foi imediato. Ainda que quase 700 mercadorias tenham ficado de fora da lista, mais de 3,8 mil itens passaram a ser taxados. Para Lula, que vinha sendo pressionado por seus aliados e enfrentava dificuldades na relação com o Congresso, a medida caiu como luva: ele se apresentou como defensor incansável da soberania nacional.
O presidente não poupou palavras. Nas redes, entrevistas e pronunciamento, assinalou: o Brasil não aceita chantagem e manterá independência diante de pressões internacionais, sobretudo quando há, segundo Lula, uma tentativa de interferir na justiça brasileira por causa do processo envolvendo Bolsonaro. Analistas apontam que a narrativa funcionou, trazendo respiro nos indicadores de aprovação e renovando o ânimo dos apoiadores, pelo menos naquele momento inicial.
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Impacto nas pesquisas: mudança real ou efeito passageiro?
Não demorou para o episódio se refletir nas pesquisas. Após meses em baixa, as principais sondagens em julho captaram uma leve virada. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, o governo Lula finalmente apareceu com aprovação (50,2%) acima da desaprovação (49,7%). Já a Genial/Quaest reportou alta de três pontos percentuais na aprovação, enquanto a Datafolha registrou estabilidade, mas vantagem nominal de Lula sobre possíveis rivais em 2026.
Os especialistas alertam que esse fôlego pode não durar. Por mais que a postura nacionalista de Lula renda dividendos no curto prazo, o tarifaço tende a ter consequências econômicas no médio e longo prazo. Uma pesquisa Datafolha revelou que 89% dos brasileiros acreditam em impacto negativo na economia e 77% se sentem pessoalmente ameaçados. O bolso brasileiro, como sempre, pode ser o fiel da balança: se os danos não aparecerem no supermercado, a narrativa de Lula segue viva. Se afetarem, pode haver cobrança política mais pesada.
Efeitos no Congresso: crise ou chance de reconciliação?
O episódio também mexeu com o tabuleiro político em Brasília. O governo, que vinha com dificuldades para aprovar pautas no Congresso, acabou encontrando pontos de convergência com a oposição para defender a soberania brasileira. Os presidentes das duas Casas se pronunciaram e acenaram para o diálogo, enquanto bolsonaristas intensificaram a pressão com protestos e bloqueios nas sessões legislativas.
Na visão de analistas, a tendência é ver muita disputa narrativa: enquanto a oposição tenta colar no Planalto a responsabilidade pelo tarifaço, aliados de Lula ressaltam que as sanções também foram impulsionadas por adversários políticos diretamente ligados ao ex-presidente. O Centrão, como sempre, permanece num jogo duplo, aguardando o melhor momento para negociar interesses próprios. Tudo isso enquanto o governo corre para aprovar medidas que possam atenuar o impacto das tarifas nas empresas afetadas.
No pano de fundo, o que se vê é um governo tentando transformar limão em limonada. A questão é saber até quando a estratégia vai render frutos ou se, diante de abalos econômicos maiores, o efeito das tarifas de Trump terá vida curta.
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No fim das contas, as tarifas de Trump deram mesmo um respiro para Lula em 2025. Ele ganhou tempo, reforçou seu discurso patriótico e embaralhou o jogo político de Brasília. Mas a pergunta que não quer calar é: será que essa onda positiva vai durar? O cenário indica novas disputas e desdobramentos até a eleição de 2026 – seja nas ruas, nas exportações ou nos corredores do Congresso.
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Perguntas frequentes
Quando Trump anunciou as tarifas sobre produtos brasileiros?
O anúncio ocorreu em julho de 2025, com tarifas de 50% aplicadas a milhares de itens exportados do Brasil.
Quais setores brasileiros foram mais afetados pelas tarifas?
Indústrias têxtil, siderúrgica e de móveis foram as mais impactadas, já que concentram grande parcela das exportações tarifadas.
Como as tarifas americanas podem influenciar o preço ao consumidor brasileiro?
Com custos de insumos importados mais altos e possível retaliação, supermercados e indústrias podem repassar aumentos aos preços finais.
Qual foi a reação do mercado financeiro após o anúncio?
Houve alta na aversão a risco: Bolsa caiu cerca de 1,5% no dia do anúncio e o dólar subiu contra o real.
Como Bolsonaro reagiu às tarifas impostas por Trump?
Embora citado no contexto político, Bolsonaro manteve discurso de proteção do agronegócio, mas criticou a dependência do mercado americano.
O que pode frear o efeito positivo das tarifas na popularidade de Lula?
Se o aumento de custos atingir o bolso dos brasileiros, os ganhos de aprovação podem se diluir rapidamente.