Janja intensifica encontros com mulheres evangélicas em 2025: estratégia política ganha força
em 11 de outubro de 2025 às 09:58Os holofotes se voltam para Janja Lula da Silva nos últimos meses. A primeira-dama tem protagonizado uma agenda estratégica de encontros com mulheres evangélicas, apostando no diálogo e na escuta ativa para estreitar laços com um dos grupos religiosos mais influentes do Brasil. A movimentação, que ganhou ritmo acelerado em 2025, vem sendo conduzida por meio da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, com reuniões regadas a orações, cânticos e relatos emocionados das participantes. A aproximação, que já passou por cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Brasília e Caruaru, é vista como um passo importante a menos de um ano para as eleições presidenciais.
De acordo com Nilza Valeria Zacarias, coordenadora-executiva da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, as sessões não se resumem a conversas políticas. “É um verdadeiro processo de escuta. Janja atua como ponte entre as demandas de mulheres negras e periféricas e o alto escalão do governo. Após mapear necessidades, encaminha cada demanda para o ministério responsável”, explicou Nilza. Em cada encontro, a palavra ganha vida e cria conexões que vão além do debate ideológico, reunindo mulheres empenhadas em transformar realidades locais através da fé e da atuação social.
O que você vai ler neste artigo:
Agenda intensa revela novos caminhos
O fio condutor de todos os encontros tem sido a busca por diálogo genuíno e por trocas que valorizam as experiências das participantes. A primeira reunião registrada aconteceu no início de julho, em São Cristóvão (RJ), marcando o início de uma sequência de visitas que só tende a crescer. Após Salvador e Manaus, Janja fortaleceu ainda mais sua presença nas comunidades evangélicas em agosto e setembro, reunindo grupos diversos em igrejas referências de bairros e periferias. Segundo a agenda oficial, Caruaru (PE) foi palco do mais recente encontro, definiu a primeira-dama em suas redes como um momento “potente e encorajador” para as mulheres ali presentes.
Confira o cronograma dos principais encontros
- 4 de julho – São Cristóvão, Rio de Janeiro;
- 14 de agosto – Igreja Batista Adonai, Salvador;
- 20 de agosto – Universidade Federal do Amazonas, Manaus;
- 27 de agosto – Igreja da Coletivação, Ceilândia Norte (DF);
- 30 de setembro – Igreja Família Viva, Caruaru (PE).
Não apenas por aqui Janja tem buscado ampliar pontes. Em viagem a Nova York, optou por participar de um culto na tradicional Abyssinian Baptist Church, no Harlem, reforçando o cuidado com o simbolismo dos ambientes religiosos. Em outra frente, gravou um episódio do podcast “Papo de Crente” ao lado do presidente Lula, uma demanda surgida justamente nos encontros com as mulheres da Frente Evangélica.
Leia também: Motoqueiro Fantasma vira fenômeno cult e bomba no streaming em 2025
Aproximação política e os desafios de 2025
Com as eleições se aproximando, o avanço de Janja no universo evangélico é entendido por especialistas como uma jogada inteligente, ainda que desafiadora. Pesquisas recentes mostram que, até 2024, a maioria das mulheres evangélicas votou em Jair Bolsonaro. O Instituto de Estudos da Religião apontou que 67% delas apoiaram o candidato do PL na última eleição. A cientista política André Cesar avalia que, mesmo representando uma minoria progressista, o grupo em diálogo com Janja se torna uma porta de entrada importante, capaz de ampliar os horizontes do governo entre os conservadores de fé.
Vale lembrar que, segundo o levantamento da Quaest, 63% dos evangélicos ainda demonstram desaprovação à gestão petista. Para Cesar, o maior desafio está em calibrar o discurso. Movimentos vistos como “exagerados” podem afastar setores mais tradicionais. A atuação de Janja, porém, é vista como um contraponto à forte presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no segmento, tornando a disputa política ainda mais acirrada e cheia de nuances.
Leia também: Missão de lobby brasileiro vai a Washington em meio a crise entre Lula e Trump
Os encontros reafirmam como a política, quando impulsionada pela escuta e pelo respeito às tradições, pode construir novas pontes. Janja se firma como voz ativa nesse debate e mostra que há espaço para o diálogo — mesmo nos ambientes mais divididos.
Se curtiu ficar por dentro das estratégias e bastidores da política brasileira, inscreva-se em nossa newsletter! Assim, você não perde nenhuma fofoca quente direto do coração do poder.
Perguntas frequentes
Qual o objetivo principal da Frente Evangélica pelo Estado de Direito?
O objetivo é promover diálogo e escuta ativa entre lideranças e grupos evangélicos, especialmente mulheres, para fortalecer ações sociais e políticas alinhadas ao respeito às tradições e direitos.
Como Janja Lula da Silva utiliza os encontros com mulheres evangélicas para sua atuação política?
Janja atua como ponte entre as demandas das mulheres negras e periféricas e o governo, mapeando necessidades e encaminhando ao ministério responsável, fortalecendo o diálogo e a representatividade no cenário político.
Por que o grupo das mulheres evangélicas é estratégico para as eleições de 2025?
Porque é um segmento influente e majoritariamente conservador, onde a aproximação pode ampliar o apoio político ao governo, conquistando eleitores importantes para o cenário eleitoral.
Quais são os principais desafios na aproximação entre o governo e o segmento evangélico?
O principal desafio é calibrar o discurso para não afastar os setores mais tradicionais e evitar percepções de exageros, mantendo um equilíbrio entre representação progressista e respeito às crenças locais.
Que simbolismos Janja reforça ao participar de cultos em diferentes locais, como Nova York?
Ela reforça o respeito às tradições religiosas e busca representar simbolicamente a ponte entre o governo, comunidades evangélicas locais e internacionais, valorizando espaços históricos e culturais do movimento.