Função polêmica do Grok limita criação de deepfakes e vira alvo da União Europeia
em 9 de janeiro de 2026 às 13:22Uma reviravolta tomou conta do universo da inteligência artificial nesta sexta-feira (9): o Grok, ferramenta da xAI fundada por Elon Musk, decidiu restringir sua função de edição de fotos – capaz de “remover roupas” digitalmente de imagens de pessoas – apenas para assinantes pagos. A mudança, que entra em vigor imediatamente, gerou debates acalorados sobre ética e segurança digital, sobretudo após casos de abuso envolvendo imagens de mulheres, algumas menores de idade, viralizarem nas redes.
Antes do bloqueio, qualquer usuário do X (ex-Twitter) podia acessar essa funcionalidade, resultando em uma avalanche de deepfakes altamente questionáveis. O acesso agora só está garantido para quem desembolsar, no mínimo, 8 dólares por mês no X Premium, valor que pode chegar a 40 dólares mensais no plano avançado.
Essa decisão veio após protestos intensos online e denúncias de especialistas em IA sobre o uso inadequado da ferramenta. Se ficou curioso para entender o que rolou nos bastidores e as consequências dessa limitação, siga a leitura abaixo.
O que você vai ler neste artigo:
Como a polêmica explodiu: impacto e reação internacional
A liberação irrestrita da função pelo Grok levantou imediatamente uma enxurrada de críticas. Usuárias da rede passaram a ser alvos de ataques, tendo seus rostos inseridos em cenários constrangedores e até mesmo ofensivos, como imagens com símbolos neonazistas e poses sexualizadas.
A repercussão foi tão grande que entidades como a ONG europeia AI Forensics apontaram números alarmantes: só entre terça e quarta-feira, o Grok teria gerado, em média, 6.700 imagens “nudificadas” por hora, das quais mais de 80% envolviam mulheres. A proporção de material produzido em situações explícitas acendeu o alerta tanto na imprensa quanto em organismos de direitos digitais.
Dados que chocaram o público
Além dos protestos, a pressão veio com relatórios sólidos. A AI Forensics analisou mais de 20 mil imagens criadas pela plataforma e revelou que metade delas apresentava pessoas vestidas somente com roupas de banho ou lingerie. A pesquisadora Genevieve Oh, referência internacional em monitoramento de IA, destacou em sua publicação que tais experimentos beiram o limite do que se considera aceitável, ampliando ainda mais a discussão sobre responsabilidade digital dos criadores de tecnologia.
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União Europeia intensifica fiscalização sobre o Grok
A explosão do escândalo colocou Elon Musk e sua turma, mais uma vez, no radar das autoridades europeias. Na quinta-feira, a União Europeia determinou a abertura de processo formal contra o Grok, impondo uma medida cautelar: toda documentação interna acerca da ferramenta deve ser preservada até o fim de 2026. O objetivo é investigar se houve violações às rígidas diretrizes do bloco referentes à proteção de dados e combate à desinformação.
Vale lembrar que, no mês anterior, a Comissão Europeia já havia multado o X em 120 milhões de euros por descumprimentos da Lei de Serviços Digitais. A insatisfação recai, principalmente, sobre a pouca transparência, a comercialização de selos de verificação e o descuido com a integridade dos usuários – cenário agravado pela popularização dos deepfakes. Agora, com o Grok no centro do furacão, novas sanções e investigações não estão descartadas.
O endurecimento nas regras para uso da IA e a cobrança por maior responsabilização das plataformas deixa claro que o debate sobre limites e consequências do avanço tecnológico está só começando. Para quem acompanha as últimas notícias de tecnologia e comportamento digital, esse é um alerta vermelho pra lá de necessário.
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A polêmica envolvendo o Grok levanta debates urgentes sobre os perigos dos deepfakes e como as redes sociais e inteligências artificiais devem ser reguladas. O caso reforça a necessidade de vigilância constante para que a tecnologia não ultrapasse limites éticos e legais, principalmente na proteção de mulheres e grupos vulneráveis online.
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Perguntas frequentes
O que são deepfakes e por que são preocupantes?
Deepfakes são imagens ou vídeos manipulados digitalmente para criar representações falsas de pessoas, podendo causar danos à reputação e violar direitos individuais.
Por que o acesso à função de remoção de roupas do Grok foi limitado?
A função foi restrita a assinantes pagos para evitar abusos, como a criação de imagens falsas e ofensivas, protegendo usuários e respeitando princípios éticos.
Qual o papel da União Europeia na regulação do Grok?
A União Europeia abriu processo para investigar possíveis violações às leis de proteção de dados e combate à desinformação relacionadas ao uso da ferramenta Grok.
Como as redes sociais podem prevenir o uso indevido de ferramentas de IA?
Implementando restrições de acesso, monitoramento constante e políticas claras de uso para garantir que tecnologias digitais respeitem direitos e ética.
Quais são os riscos para a segurança digital ao usar ferramentas de edição de imagens com IA?
Há risco de criação e disseminação de conteúdos falsos, ataques à privacidade, difamação e exploração de grupos vulneráveis por meio de manipulações digitais.