Big techs aceleram domínio global sob Trump e ameaçam democracias, alerta pesquisadora
em 20 de julho de 2025 às 13:19A influência das gigantes da tecnologia sobre governos do mundo nunca esteve tão evidente. Em 2025, a relação promíscua entre big techs e a Casa Branca sob Donald Trump voltou ao centro do debate internacional. É o que alerta Marietje Schaake, ex-parlamentar europeia e pesquisadora em política cibernética da Universidade Stanford, ao afirmar que essas empresas estão tomando papéis essenciais do Estado e colocando em xeque a democracia global.
A análise de Schaake chega em tom urgente: “As big techs não fornecem mais apenas serviços. Elas operam como Estados-nação, mas sem qualquer responsabilidade eleitoral”. A publicação do livro ‘The Tech Coup: How to Save Democracy from Silicon Valley’, no final de 2024, detalha o avanço desse poder e suas implicações para a sociedade e os governos.
Entenda por que, segundo especialistas, a ascensão das gigantes digitais coloca em risco instituições centrais à democracia – e por que a volta de Trump ao poder pode acelerar esse movimento como nunca antes. Continue conosco para saber como esse cenário influencia o mundo todo.
O que você vai ler neste artigo:
Big techs no comando: quando empresas viram Estados
Empresas de tecnologia, como as lideradas por Elon Musk, não ficam mais à margem das decisões globais. Elas participam ativamente de decisões diplomáticas, militares e até judiciais. A atuação de Musk junto ao governo Trump é um exemplo da promiscuidade entre interesses empresariais e políticas de Estado. Nos bastidores, nomes do alto escalão de startups têm acesso a informações confidenciais e influência direta em medidas nacionais e internacionais.
Do Vale do Silício à Casa Branca: a influência cresce
De acordo com Marietje Schaake, a influência das big techs supera antigos setores considerados poderosos. Enquanto petrolíferas ou farmacêuticas sempre mantiveram forte lobby, as empresas de tecnologia são “onipresentes”, controlando a infraestrutura digital, serviços estratégicos e, principalmente, dados massivos da população. O exemplo da Starlink, que virou peça-chave na guerra na Ucrânia, ilustra como as decisões de um empresário – não de governos eleitos – podem afetar conflitos mundiais.
A falta de regulação no mercado dos Estados Unidos só aumenta a vulnerabilidade democrática. E quando essa tendência ecoa a partir da maior economia do planeta, impactos em toda parte são inevitáveis.
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Trump, desregulamentação e a sensação de impunidade
A volta de Donald Trump ao comando dos Estados Unidos, relatada também pela professora Katharina Pistor, acirra a relação amistosa entre governo e big techs. Schaake explica que, além de abrir portas nos bastidores, Trump pressiona por menos regras em prol da inovação desenfreada. Isso coloca as plataformas digitais numa posição ainda mais privilegiada, sem freios nem contrapesos institucionais.
Esse novo modelo é exportado para outras potências, inclusive para o Brasil, onde situações similares vêm à tona nos embates recentes entre Elon Musk e ministros do Supremo. O silêncio das autoridades americanas diante desses episódios preocupam especialistas em democracia.
Desafios para a regulação global
A União Europeia tenta nadar contra a maré ao regular gigantes digitais e proteger direitos fundamentais. Por outro lado, a influência transnacional das big techs leva à tentativa de boicotes e exigências de soberania digital pelo mundo. Para Schaake, ações individuais ajudam, mas só uma mobilização coletiva e política pode alterar o rumo desse jogo.
Enquanto a tecnologia escancara novas possibilidades, governos e cidadãos precisam ficar atentos para não serem pegos de surpresa, deixando que algumas poucas empresas concentrem poderes nunca vistos nem nos livros de história.
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O alerta está dado: a ascensão das big techs, potencializada pela administração Trump em 2025, levanta debate urgente sobre os limites do poder empresarial no coração das democracias modernas. De um lado, o avanço tecnológico oferece oportunidades inéditas; de outro, a sociedade observa estarrecida o surgimento de uma elite digital com força política e econômica igual – ou até superior – à dos próprios Estados-nação.
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Perguntas frequentes
O que caracteriza uma empresa como big tech?
São empresas que dominam a infraestrutura digital, acumulam enorme volume de dados e exercem influência econômica e política em escala global.
Como a falta de regulação nos EUA afeta a democracia global?
Sem regras claras, as big techs operam sem freios legais, concentram poder e podem contornar processos democráticos ao influenciar políticas públicas.
Qual o papel de Donald Trump na ascensão das big techs?
Ao defender a desregulamentação e manter relações privilegiadas com líderes de tecnologia, Trump facilitou o aumento da influência dessas empresas no governo.
De que forma a União Europeia tenta conter o poder das gigantes digitais?
Por meio de legislações como a GDPR e propostas antitruste, a UE impõe limites às práticas monopolistas e reforça a proteção de dados dos usuários.
Como a atuação das big techs influencia conflitos internacionais?
Elas controlam redes de comunicação e fornecem serviços estratégicos, podendo alterar dinâmicas diplomáticas e militares, como no uso da Starlink na Ucrânia.