Tarifaço dos EUA e queda nos alimentos mexem com laços entre governo e agro
em 16 de agosto de 2025 às 17:01O governo brasileiro está agitando os bastidores de Brasília em 2025. Depois de anos de tensão, o presidente Lula e sua equipe encontraram no tarifaço dos Estados Unidos e na redução expressiva do preço dos alimentos o gancho perfeito para tentar estreitar laços com o agronegócio — um setor historicamente associado à direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Com tarifas de importação de 50% impostas pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros, o Palácio do Planalto identificou ali uma rara oportunidade: combinar alívio no bolso do consumidor com proteção ao produtor nacional e, de quebra, tentar virar esse jogo político. Curioso para saber como tudo isso está mexendo com o agro? Siga a leitura!
No epicentro desse furacão, o vice-presidente Geraldo Alckmin lidera intensas negociações. Agricultores, industriais e até empresários da área bélica — todos atingidos de alguma forma pela enxurrada de tarifas — têm buscado o governo para encontrar saídas e evitar prejuízos ainda maiores.
O que você vai ler neste artigo:
Alckmin assume protagonismo frente ao tarifaço americano
Alckmin se colocou à frente das discussões com representantes de setores como carne bovina, café, pescado e mel. Os empresários, preocupados com a disparada das taxas dos EUA, pedem socorro a Brasília. Para o Planalto, o momento é crucial e estratégico: a cúpula aproveita as fissuras dentro do próprio agro, onde parte dos produtores já começa a questionar a ligação quase automática com o bolsonarismo.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, nem todo mundo está disposto a comprar as dores de Bolsonaro, mesmo com Donald Trump alegando que as tarifas são resposta à “perseguição” contra o ex-presidente brasileiro. O governo Lula aposta alto: usar o descontentamento, por menor que seja, para se reaproximar de um setor poderoso e influente.
Impactos práticos para os exportadores nacionais
Pouca gente escapou do tarifaço. Grandes atuantes nos Estados Unidos, frigoríficos e exportadores de café perderam competitividade e enxergam risco de queda bilionária nas receitas. Não à toa, a expectativa de empresas como Minerva é de retração de até 5% na receita líquida ainda em 2025. Frutas, calçados, têxteis e móveis também foram atingidos, com a quase totalidade dos produtos brasileiros agora taxados em 50% nas terras do Tio Sam.
Mesmo setores que tradicionalmente davam as costas ao petismo — como a indústria armamentista e empresas como a Taurus — buscaram Alckmin para discutir estratégias diante das novas barreiras.
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Queda no preço dos alimentos alivia pressão e favorece Palácio
Se de um lado o agro reclama das taxas nos EUA, do outro o consumidor brasileiro comemora. Dados do IBGE apontaram, em julho, a segunda menor queda seguida nos preços de alimentos e bebidas: recuo de 0,27% pelo IPCA. Essa redução foi um refresco para o governo Lula, que viu sua popularidade derreter no início do ano justamente por causa da alta no custo da comida.
O Executivo agora aposta na combinação de inflação moderada e defesa dos interesses do agro para criar um ambiente político mais favorável. A lógica é simples: fortalecer o setor produtivo doméstico, garantir abastecimento interno e, de quebra, reduzir ruídos com um bloco econômico que sempre foi visto como adversário feroz.
Setores impactados pelo tarifaço: quem ganhou e quem perdeu
A canetada presidencial dos EUA afetou vários setores estratégicos para a balança comercial brasileira. Veja alguns exemplos práticos:
- Café: Quase US$ 2 bilhões exportados em 2024, parte agora ameaçada.
- Carne bovina: Só os americanos compraram mais de 530 mil toneladas em 2024.
- Frutas: Exportações batendo mais de 1 milhão de toneladas no último ano.
- Máquinas agricolas e industriais: Apenas segmentos muito específicos escaparam da nova alíquota.
- Calçados e têxteis: Praticamente toda a produção está sujeita à taxa de 50%.
O quadro é desafiador para empresários e trabalhadores ligados a esses setores. Negociações seguem intensas, com promessas do governo de buscar compensações e alternativas comerciais.
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O cenário desenhado pelo tarifaço dos EUA e pela recente queda no preço dos alimentos mostra como o jogo político pode virar de uma hora para outra. O governo Lula tenta transformar crises em oportunidades, buscando fortalecer pontes com quem, até pouco tempo, era visto quase como inimigo político dentro e fora das porteiras. Fique ligado: as decisões e reviravoltas dessa relação têm tudo para agitar a economia — e a política — nos próximos meses.
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Perguntas frequentes
Como o tarifaço americano afeta a indústria armamentista brasileira?
A alíquota de 50% sobre equipamentos e armamentos encarece exportações, obrigando empresas como a Taurus a buscar subsídios e novos mercados alternativos.
Quais setores escaparam das novas tarifas de importação?
Máquinas agrícolas e segmentos industriais muito específicos permaneceram sem aumento de alíquota, mantendo sua competitividade no mercado externo.
Que estratégias o governo adota para compensar os exportadores prejudicados?
O Executivo negocia acordos bilaterais, oferece linhas de crédito especiais, subsídios temporários e busca parcerias em blocos econômicos alternativos.
De que forma a queda no preço dos alimentos beneficia o governo?
A redução média de 0,27% no IPCA de alimentos alivia o bolso do consumidor, melhora a popularidade do Executivo e acalma a pressão inflacionária.
Por que o agronegócio tenta se aproximar de Lula após o tarifaço?
Produtores veem na reaproximação a chance de negociar incentivos, garantir exportações estáveis e reduzir riscos diante de barreiras comerciais externas.