Telefonema entre Lula e Trump só sai se Bolsonaro ficar fora do papo, diz governo
em 4 de agosto de 2025 às 19:04O telefonema tão esperado entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump pode acontecer em breve, mas apenas se um detalhe for respeitado: nada de Jair Bolsonaro na conversa. Conforme apurou nossa redação, o governo brasileiro só aceita discutir comércio e defende que o ex-presidente seja mantido longe da pauta, temendo impactos políticos e comerciais indesejados.
No cerne dessa tensão está a nova taxação anunciada pelos Estados Unidos. A medida de Trump prevê uma sobretaxa de 50% em cerca de 60% das exportações brasileiras a partir desta quarta-feira, o que caiu como uma bomba em Brasília e já preocupa grandes setores da economia nacional.
O que você vai ler neste artigo:
Exportações ameaçadas: a preocupação de Brasília
Desde o anúncio feito pela Casa Branca, diplomatas brasileiros vivem um verdadeiro malabarismo. Eles tentam garantir que um possível diálogo foque no que realmente importa: evitar a sobretaxa e salvar milhares de empregos e bilhões para o país.
Fontes do Itamaraty adiantaram à nossa equipe que a recomendação é evitar ao máximo qualquer possibilidade de Trump usar a ligação para comentar ou pressionar em torno do futuro de Bolsonaro, cuja situação judicial virou assunto sensível entre os dois governos.
Bastidores da negociação: conversas a portas fechadas
Os bastidores diplomáticos fervilham. Técnicos dos dois países seguem em contato constante, mesmo sem um roteiro muito claro vindo de Washington. Por aqui, o vice-presidente Geraldo Alckmin já trocou figurinhas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, enquanto o ministro Fernando Haddad planeja um tête-à-tête com Scott Bessent, secretário do Tesouro americano.
Para os articuladores brasileiros, improviso não cabe nesse momento. Qualquer vacilo na chamada pode gerar um prejuízo enorme para o Brasil, e a ordem é manter a negociação praticamente em sigilo até que tudo esteja muito bem alinhado. Ninguém quer ser pressionado a dar respostas apressadas à opinião pública, muito menos perder força comercial diante das exportações ameaçadas.
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Papel do Itamaraty: o xadrez diplomático
O Ministério das Relações Exteriores está em alerta máximo desde a nota divulgada por Trump, há algumas semanas, quando o americano subiu o tom inclusive contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e misturou crise comercial com disputa política.
Recado do Itamaraty tem sido claro: se a Casa Branca quiser o telefonema, precisa garantir que o papo será, do início ao fim, sobre negócios. A equipe de Mauro Vieira, chanceler brasileiro, busca construir o cenário ideal para que os líderes conversem apenas quando tudo estiver sob controle. Até lá, ambos os lados fazem jogo duro enquanto a economia fica em compasso de espera.
Nesse contexto, Lula tenta manter a postura de estadista aberto ao diálogo, enquanto o governo se concentra nas negociações técnicas. Não há clima para protagonismos políticos — muito menos para questões envolvendo Bolsonaro — ao menos na visão dos responsáveis pelas conversas bilaterais.
No fim das contas, toda a novela mostra como decisões políticas e de bastidores podem impactar o bolso dos brasileiros. Tudo segue em suspenso, à espera de uma sinalização clara de Washington sobre o real interesse em tratar apenas de questões comerciais, sem desviar a atenção para temas polêmicos que só aumentariam a tensão.
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Parece que, na dança diplomática, cada passo dado é avaliado com lupa. Enquanto isso, a economia brasileira torce para não ver as portas dos EUA se fechando — e o leitor segue acompanhando os desdobramentos dessa trama digna de novela.
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Perguntas frequentes
Qual é a sobretaxa anunciada pelos EUA?
A Casa Branca impôs uma sobretaxa de 50% sobre cerca de 60% das exportações brasileiras.
Por que o governo brasileiro quer excluir Bolsonaro da conversa?
Para manter o foco exclusivamente em pautas comerciais e evitar pressões políticas que possam travar as negociações.
Quando a ligação entre Lula e Trump pode ocorrer?
O telefonema deve acontecer em breve, assim que forem definidas as condições de pauta e garantido o tema comercial como único foco.
Quem participará das conversas técnicas antes do telefonema?
Representantes do Itamaraty, como chanceler Mauro Vieira, além de autoridades como Geraldo Alckmin e secretários de Comércio e do Tesouro dos EUA.
Quais setores brasileiros podem ser mais afetados pela sobretaxa?
Setores exportadores como agronegócio, siderurgia e produtos manufaturados podem sofrer maiores impactos com a sobretaxa.