Fux decepciona bolsonaristas e STF avança para possível condenação de Bolsonaro em 2025
em 9 de setembro de 2025 às 17:01O clima de esperança entre os apoiadores de Jair Bolsonaro esfriou de vez dentro do Supremo Tribunal Federal. O ministro Luiz Fux, apontado como a última carta dos bolsonaristas para frear o julgamento da trama golpista, surpreendeu ao rejeitar a ideia de pedir vista do processo. O gesto, que poderia atrasar por meses uma possível prisão do ex-presidente e de seus principais aliados, acaba abrindo caminho para que o julgamento tenha um desfecho já nos próximos dias, com grandes chances de condenação histórica no STF em 2025.
O posicionamento de Fux cai como um balde de água fria para quem apostava em manobras regimentais para estender a agonia do bolsonarismo na Corte. Os bastidores no tribunal esquentaram depois que interlocutores do ministro confirmaram que ele não aceita segurar o processo, apesar das pressões e expectativas que recaíam sobre ele. Assim, as horas finais do julgamento do núcleo golpista seguem sem empecilhos e com tendência de decisão robusta por parte da Primeira Turma do STF.
O que você vai ler neste artigo:
Por que a decisão de Fux mexeu tanto com os bastidores do julgamento?
A expectativa envolvia diretamente o poder de Fux em atrasar a deliberação. Se ele pedisse vista, o julgamento seria automaticamente empurrado para até três meses à frente, esfriando os ânimos e permitindo articulações nos bastidores. Mas ao descartar essa possibilidade, Fux praticamente entregou o circuito para uma decisão célere — e sem direito a choro para os réus, incluindo Bolsonaro, Anderson Torres e Almir Garnier Santos.
Mesmo sendo visto como único potencial aliado pelo grupo bolsonarista, pelo seu histórico de votar contra decisões do ministro Alexandre de Moraes e levantar críticas sobre punições aos envolvidos no 8 de janeiro, Fux não se movimentou para facilitar a vida dos acusados. Essa postura evidencia que nem mesmo eventuais discordâncias internas dentro do STF são suficientes para alterar os rumos do processo, dada a gravidade do caso e o entendimento consolidado entre os ministros.
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A postura de Fux e seus posicionamentos no processo
Nos últimos meses, Fux deixou claro que tem ressalvas em relação a aspectos da acusação, como a dosimetria das penas e a validade da delação do tenente-coronel Mauro Cid. No entanto, o ministro nunca deu sinais concretos de que votaria explicitamente pela absolvição dos réus de maior protagonismo, como Bolsonaro. Suas manifestações anteriores, inclusive, indicavam mais incômodo com detalhes processuais do que com o mérito central da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Além disso, no início desta semana, Fux foi o único da Primeira Turma a acolher um argumento levantado pelas defesas de que Bolsonaro, por já não estar mais na Presidência, não deveria ser julgado no Supremo. Mesmo assim, ele foi voto vencido. Ou seja, apesar das críticas de Fux ao rito do julgamento, tudo indica que sua participação no caso ampliará discussões, mas não impedirá o inevitável avanço da denúncia.
Reações públicas e movimentos de Bolsonaro
O próprio Jair Bolsonaro chegou a alimentar nos bastidores a expectativa de que Fux poderia ser o divisor de águas do processo. Em março, durante entrevista, o ex-presidente sugeriu esperar um gesto do ministro para aliviar a barra de aliados envolvidos na depredação do Supremo. Apesar do desejo de Bolsonaro, as informações de dentro da Corte já vazaram: não haverá pedido de vista e tampouco um voto redentor para os réus do caso.
Se algum bolsonarista ainda guardava esperança em reviravolta do STF neste início de 2025, dificilmente terá motivo para comemorar diante dos próximos andamentos. A expectativa geral aponta para condenações que devem consolidar a responsabilidade das lideranças pelos atos que abalaram as instituições em Brasília.
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Em um ano decisivo para o cenário político nacional, a atitude de Luiz Fux jogou luz sobre a robustez da decisão do STF. O julgamento do ex-presidente segue seu curso, sem espaço para atrasos e contornando as estratégias que até então faziam parte do manual de sobrevivência da ala bolsonarista.
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Perguntas frequentes
O que é pedido de vista no STF?
É o instrumento pelo qual um ministro suspende temporariamente o julgamento de um processo para analisá-lo com mais profundidade.
Quem pode solicitar pedido de vista?
Qualquer ministro que participe do julgamento em colegiado pode pedir vista logo após a apresentação do relatório ou do voto.
Qual o prazo máximo para devolver o processo?
Regimentalmente, o ministro tem até 90 dias para devolver o processo à pauta; após esse período, o julgamento prossegue de ofício.
O que é dosimetria de pena?
É a fase em que o Tribunal define a gravidade da infração, atenuantes e agravantes, fixando a pena adequada ao caso.
Para onde podem recorrer as partes após a decisão da Primeira Turma?
Podem pedir recurso ao plenário do STF ou, em algumas hipóteses, a revisão por meio de embargos de declaração.